O diagnóstico preciso de transtornos neurobiológicos é uma etapa fundamental para garantir o tratamento adequado e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida. No universo dos Transtornos do Déficit de Atenção, a diferenciação entre o Transtorno do Déficit de Atenção (TDA) e o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um desafio que exige expertise e uma avaliação aprofundada. A psicóloga e neuropsicóloga Josiplessis Marques, em sua participação no programa Conexão Caturité, ressaltou a importância crucial de um diagnóstico correto para ambas as condições, alertando para os riscos de confusões que podem levar a intervenções ineficazes.
A complexidade reside no fato de que, embora compartilhem a dificuldade de atenção como característica central, TDA e TDAH possuem perfis sintomáticos distintos. Compreender essas nuances é o primeiro passo para que indivíduos e famílias possam buscar o suporte certo, evitando frustrações e otimizando o caminho para o bem-estar e o desenvolvimento pleno.
A Importância do Diagnóstico Preciso para TDA e TDAH
A distinção entre TDA e TDAH não é meramente semântica; ela reflete diferenças significativas na manifestação dos sintomas e nas abordagens terapêuticas. O TDAH é amplamente reconhecido como um transtorno neurobiológico que se manifesta através de um tripé de sintomas: desatenção, hiperatividade e impulsividade. Estes podem variar em intensidade e predominância, mas a presença da hiperatividade física ou mental é um marcador importante, conforme detalhado por organizações de saúde globais como a Organização Mundial da Saúde.
Por outro lado, o TDA, embora menos conhecido pelo público geral, caracteriza-se principalmente pela dificuldade de foco, organização e esquecimentos frequentes, sem a presença marcante da hiperatividade física. Indivíduos com TDA podem parecer mais “sonhadores” ou “desligados”, lutando para manter a atenção em tarefas e na rotina diária, mas sem a agitação motora ou verbal típica do TDAH.
Fatores que Podem Mimetizar o TDAH e a Complexidade Diagnóstica
Um dos maiores alertas de Josiplessis Marques é que nem toda distração ou agitação é automaticamente um sinal de TDAH. A especialista enfatiza que diversos fatores ambientais e sociais podem provocar sintomas semelhantes, confundindo pais, educadores e até mesmo profissionais menos experientes. O excesso de telas, por exemplo, é um gatilho moderno para a dificuldade de concentração e a impaciência, especialmente em crianças.
Além disso, o estresse familiar, uma rotina desorganizada, problemas de sono, ansiedade e até mesmo questões nutricionais podem se manifestar com sintomas que se assemelham à desatenção ou à hiperatividade. Essa sobreposição de sintomas torna o processo diagnóstico uma tarefa complexa, que exige uma análise detalhada do histórico do paciente e do seu ambiente.
O Caminho para um Diagnóstico Confiável e o Papel dos Especialistas
Diante dessa complexidade, o diagnóstico de TDA ou TDAH não pode ser feito de forma superficial. A psicóloga reforça que é imprescindível que a avaliação seja conduzida por profissionais capacitados, como psicólogos, neuropsicólogos e psiquiatras, que possuam experiência e conhecimento aprofundado sobre esses transtornos. O processo envolve uma avaliação clínica minuciosa, que inclui entrevistas com o paciente e familiares, análise do histórico de desenvolvimento e comportamento, e a aplicação de testes neuropsicológicos específicos.
Essas avaliações buscam identificar padrões consistentes de comportamento e dificuldades cognitivas, descartando outras condições que possam estar causando os sintomas. A abordagem multidisciplinar é frequentemente a mais eficaz, permitindo uma visão holística do indivíduo e garantindo a acurácia do diagnóstico, que é a base para qualquer intervenção bem-sucedida.
Tratamento Individualizado: Melhorando a Qualidade de Vida
Uma vez estabelecido o diagnóstico correto, o caminho para o tratamento se torna mais claro e eficaz. Josiplessis Marques destaca que o tratamento é sempre individualizado, adaptado às necessidades específicas de cada pessoa. Ele pode envolver uma combinação de acompanhamento terapêutico, como a terapia cognitivo-comportamental, e, em alguns casos, a medicação. A terapia ajuda o indivíduo a desenvolver estratégias de organização, manejo da impulsividade e melhora do foco, enquanto a medicação pode atuar nos aspectos neuroquímicos do transtorno.
O objetivo final é sempre melhorar a qualidade de vida da pessoa diagnosticada e de seu círculo de convivência. Com o suporte adequado, é possível gerenciar os sintomas, desenvolver habilidades e potencializar as capacidades individuais, permitindo que o paciente prospere em seus estudos, trabalho e relações sociais. O investimento em um diagnóstico e tratamento corretos é um investimento no futuro e no bem-estar de todos os envolvidos.
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