Backup de iCloud revela império criminoso de Fatoka com ordens de execução e infiltração política na Paraíba

Uma complexa rede de crimes, que incluía ordens de execução, tráfico de drogas e uma sofisticada infiltração na administração pública, foi desvendada a partir do backup de um aparelho celular. O protagonista dessa trama é Flávio de Lima Monteiro, conhecido como Fatoka, apontado como chefe da facção criminosa “Tropa do Amigão”, um braço do Comando Vermelho com forte atuação na Paraíba. As revelações, inicialmente divulgadas em reportagem do Fantástico, detalham como o criminoso comandava suas operações de um morro no Rio de Janeiro, estendendo sua influência até a cidade de Cabedelo.

A investigação da Polícia Federal, que teve acesso aos arquivos armazenados no iCloud de Fatoka, expôs a estrutura e o funcionamento da facção. A quebra de sigilo telemático, autorizada judicialmente no âmbito da Operação “Leonard”, permitiu que a Apple fornecesse dados cruciais, incluindo conversas de WhatsApp, imagens, vídeos, áudios e documentos. Esses elementos se tornaram a espinha dorsal para desvendar as atividades ilícitas e as conexões do grupo criminoso.

A revelação digital: como o iCloud expôs a facção

A conta de iCloud, criada por Fatoka sob um nome falso (migueljose168@icloud.com), guardava um tesouro de informações para os investigadores. No aplicativo de mensagens, o criminoso utilizava o nome de usuário “Salmo 91”, uma referência bíblica que contrastava com a natureza de suas atividades. A análise minuciosa desses dados permitiu à Polícia Federal mapear a hierarquia, as estratégias e os alvos da “Tropa do Amigão”.

Os arquivos da nuvem revelaram não apenas a extensão geográfica das operações, mas também a minúcia com que Fatoka gerenciava o crime. A facilidade com que a tecnologia de armazenamento em nuvem, pensada para conveniência pessoal, se tornou uma ferramenta para a exposição de um esquema criminoso de grande porte, sublinha a importância da perícia digital em investigações modernas. A cooperação da Apple, mediante ordem judicial, foi fundamental para o sucesso da Operação “Leonard”.

O comando do tráfico e as ordens de execução de Fatoka

Entre os dados extraídos, a Polícia Federal encontrou mensagens detalhando a venda e distribuição de diversas drogas, como cocaína, skank, haxixe e crack, com foco na Paraíba. Diálogos entre Fatoka e um integrante identificado como “França” mostravam a organização logística para a chegada de grandes carregamentos, como 100 quilos de maconha, e a subsequente embalagem, pesagem e distribuição dos entorpecentes no estado.

Mais alarmante ainda foram as ordens de execução. Em conversas com “Mago David”, Fatoka autorizou o assassinato de um homem ligado à facção rival Nova Okaida, que estaria vendendo drogas no bairro do Bessa, em João Pessoa. Os diálogos mostram a frieza com que as vidas eram decididas: “Ah, põe aço nele, mano. Você não conhece o cara? É isso que eu queria, um cara que conhecesse. Você conhece. Então, aço nele. Demorou”, disse Fatoka, após confirmar a ligação do alvo com o grupo rival. A PF também identificou discussões sobre estratégias para localizar rivais e monitorar seus deslocamentos.

A teia de corrupção: infiltração na administração pública

Além do tráfico e das execuções, o esquema de Fatoka se estendia à corrupção na administração pública de Cabedelo. A facção supostamente se infiltrava na prefeitura através da contratação de empresas terceirizadas. O objetivo era empregar pessoas ligadas ao grupo criminoso, que, uma vez dentro da estrutura municipal, facilitavam o desvio de recursos públicos. Esses valores, destinados ao pagamento dos postos de trabalho, retornavam aos líderes da organização e a agentes políticos na forma de propina.

Ariadna Thalia, identificada como chefe do núcleo de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho na Paraíba e presa em dezembro do ano passado, detalhou em depoimento o envolvimento de ex-prefeitos de Cabedelo. Ela citou Vitor Hugo e André Coutinho, afirmando que o esquema de contratação da empresa Lemon, que desviou mais de R$ 270 milhões, foi mantido por acordos políticos. Após uma operação da PF em dezembro de 2024, que gerou demissões, Fatoka teria cobrado Vitor Hugo para retomar o esquema, que teria sido parcialmente reativado durante a gestão interina de Edvaldo Neto. Em troca, a facção garantia o controle territorial e político, ditando quem poderia ou não fazer campanha eleitoral nas comunidades dominadas.

Depoimentos e as defesas dos envolvidos

As acusações de Ariadna Thalia trouxeram à tona nomes de figuras políticas de Cabedelo. O ex-prefeito Vitor Hugo, por meio de sua defesa, repudiou veementemente qualquer ligação com organizações criminosas ou tráfico de drogas, afirmando não conhecer Ariadna nem Fatoka. A ex-vice-prefeita Camila Holanda também expressou surpresa e negou qualquer envolvimento, apresentando provas ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PB).

Edvaldo Neto, que assumiu interinamente a prefeitura, declarou em nota que jamais manteve acertos com organizações criminosas e que não houve vínculos dessa natureza durante sua gestão. Sua defesa ressaltou que a única menção ao seu nome no depoimento de Ariadna teria sido por questionamento do interrogador, sem atribuição espontânea de participação pessoal. A empresa Lemon, por sua vez, informou que Ariadna foi funcionária por sete meses, desligada por não corresponder às expectativas, e contestou a alegação de que ela, como chefe de um núcleo criminoso, se submeteria a um cargo de auxiliar de serviços gerais com salário mínimo. A empresa também afirmou ter apresentado documentação comprovando o pagamento de salários por transferência digital, refutando a ideia de uma “folha de pagamentos paralela”.

A complexidade do caso, que envolve tecnologia, crime organizado e corrupção política, continua a ser investigada. Para mais detalhes sobre este e outros temas relevantes, continue acompanhando o PB em Rede. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, atualizada e contextualizada, para que você esteja sempre bem informado sobre os fatos que impactam a Paraíba e o Brasil.

Related Posts

  • All Post
  • ACIDENTE
  • Agreste
  • Blog
  • BR 101
  • BR 230
  • Brasil
  • Brejo
  • Campina Grande
  • Cariri
  • Clima
  • Cultura
  • Economia
  • Educação
  • Eleições 2026
  • Emprego
  • Esportes
  • Geral
  • João Pessoa
  • Justiça
  • MUNDO
  • Paraíba
  • Policial
  • Política
  • programação
  • São João
  • Saúde
  • Sertão
  • Tecnologia
  • UEPB
  • Viagens
  • Violência

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Edit Template

Nunca perca uma nóticia, inscreva-se em nossa NewsLetter

You have been successfully Subscribed! Ops! Something went wrong, please try again.

Trending Posts

  • All Post
  • ACIDENTE
  • Agreste
  • Blog
  • BR 101
  • BR 230
  • Brasil
  • Brejo
  • Campina Grande
  • Cariri
  • Clima
  • Cultura
  • Economia
  • Educação
  • Eleições 2026
  • Emprego
  • Esportes
  • Geral
  • João Pessoa
  • Justiça
  • MUNDO
  • Paraíba
  • Policial
  • Política
  • programação
  • São João
  • Saúde
  • Sertão
  • Tecnologia
  • UEPB
  • Viagens
  • Violência

© 2023 PBemREDE Todos os Direitos Reservados