O Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes, em Campina Grande, referência em urgência e emergência na Paraíba, tem enfrentado um cenário preocupante de aumento na demanda por atendimentos. A situação é particularmente crítica nos fins de semana e, de forma alarmante, nos casos envolvendo acidentes de motocicleta, que registram uma escalada significativa e impõem desafios crescentes à capacidade da unidade.
Em uma revelação feita ao Jornal da Manhã, da Rádio Caturité FM, o diretor-geral do hospital, Mateus Pedroso, destacou que os acidentes de moto apresentaram um aumento de 21,2% no período entre 2024 e 2025. Esse crescimento não é apenas um número, mas um indicador de uma crise de saúde pública que se reflete diretamente na ocupação hospitalar, na complexidade dos tratamentos e, sobretudo, na qualidade de vida dos pacientes.
Aumento alarmante e o impacto na saúde pública
A elevação no número de acidentes de motocicleta é vista como um fator alarmante, com repercussões diretas e profundas na estrutura e nos recursos do Hospital de Trauma. O diretor Mateus Pedroso enfatiza que os acidentados de moto, em geral, necessitam de um tempo de permanência hospitalar mais longo e, infelizmente, muitos acabam desenvolvendo sequelas permanentes. Essa realidade não apenas sobrecarrega os leitos, mas também exige um acompanhamento contínuo e especializado, que vai muito além da fase aguda da lesão.
A gravidade desses casos impõe uma pressão constante sobre os profissionais de saúde e os recursos financeiros do Sistema Único de Saúde (SUS). A recuperação de um paciente vítima de acidente de moto frequentemente envolve múltiplas cirurgias, fisioterapia intensiva, acompanhamento psicológico e, em muitos casos, adaptações para uma nova realidade de vida. Este cenário sublinha a necessidade urgente de políticas públicas eficazes de prevenção e educação no trânsito.
Desafios da reabilitação e a complexidade do tratamento
O tratamento de um paciente acidentado de moto no Hospital de Trauma transcende o procedimento cirúrgico inicial. Mateus Pedroso explica que a cirurgia é apenas uma etapa de um processo muito mais amplo, cujo objetivo primordial é restaurar a funcionalidade do paciente. “Não adianta apenas o raio-x ficar bonito; precisamos garantir que ele consiga retomar sua vida”, afirmou o diretor, ressaltando a importância de uma abordagem integral que visa a reintegração social e profissional.
A reabilitação é um pilar fundamental, exigindo equipes multiprofissionais dedicadas, incluindo fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos e assistentes sociais. A jornada de recuperação pode ser longa e dolorosa, com impactos significativos na vida pessoal, familiar e econômica do indivíduo. A demanda por esses serviços especializados cresce na mesma proporção do número de acidentes, colocando em xeque a capacidade de resposta do sistema de saúde.
Pressão sobre o sistema e o papel das UPAs
Apesar do volume expressivo de atendimentos, o diretor do Trauma revelou que menos de 10% dos pacientes que procuram o hospital necessitam de intervenção cirúrgica. Muitos dos casos poderiam ser resolvidos em unidades de menor complexidade, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). No entanto, a população de Campina Grande e região, muitas vezes, busca o Hospital de Trauma por percebê-lo como um centro com maior capacidade de resolução.
Essa busca, embora compreensível pela perspectiva do paciente que busca a melhor assistência, gera uma sobrecarga desnecessária em um hospital de alta complexidade, que deveria focar nos casos mais graves. “Se a pessoa não encontra assistência ideal, ela vai buscar o serviço onde sabe que terá atendimento”, completou o gestor, indicando uma falha na rede de atenção básica e intermediária que precisa ser endereçada para otimizar o fluxo de pacientes e garantir que cada nível de atendimento cumpra seu papel.
Reforço estratégico e a dinâmica do Trauma
Para fazer frente ao aumento da demanda, especialmente nos fins de semana, o Hospital de Trauma adota uma estratégia de reforço em suas equipes médicas e multiprofissionais. As escalas são ampliadas entre a sexta-feira e a segunda-feira, período em que se observa um crescimento no número de casos graves e de acidentes.
“Nos finais de semana os pacientes chegam em estado mais grave e muitos precisam de procedimentos cirúrgicos. Por isso, reforçamos praticamente todas as especialidades”, explicou Mateus Pedroso. A ortopedia, por exemplo, realiza em média 15 cirurgias por dia em pacientes internados, procedimentos que, mesmo quando programados, possuem caráter de urgência devido à natureza das fraturas e lesões. Com cerca de 2.020 funcionários, o hospital opera como uma verdadeira “pequena cidade”, com um movimento intenso e ininterrupto, como comparou o diretor.
Ações preventivas e o futuro da segurança no trânsito
O cenário apresentado pelo Hospital de Trauma de Campina Grande reflete uma realidade nacional, onde os acidentes de motocicleta representam uma das principais causas de morbidade e mortalidade. A prevenção é, portanto, a ferramenta mais eficaz para mitigar essa crise. Campanhas de conscientização sobre o uso de equipamentos de segurança, respeito às leis de trânsito e direção defensiva são cruciais. Além disso, investimentos em infraestrutura viária e fiscalização rigorosa podem contribuir significativamente para a redução desses índices.
A sobrecarga do sistema de saúde exige uma abordagem multifacetada, que combine aprimoramento da rede de atenção básica, educação contínua da população e ações coordenadas entre diferentes esferas governamentais. A saúde e a segurança no trânsito são responsabilidades coletivas, e o engajamento de todos é fundamental para reverter essa tendência preocupante.
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