O encanto e a riqueza do trabalho manual ganharam os holofotes do Maior São João do Mundo nesta quarta-feira (10). A Pirâmide do Parque do Povo, em Campina Grande, transformou-se em uma verdadeira passarela para o desfile da segunda edição do projeto “Campina Feita à Mão”. Unindo moda, cultura e ancestralidade, o evento colocou em evidência criações de roupas pensadas para o uso contemporâneo, marcando o que os próprios participantes definiram como o “reconhecimento de toda uma vida”.
Ao todo, cerca de 50 modelos desfilaram as peças exclusivas desenvolvidas por 30 artesãos paraibanos. O evento, que pela primeira vez contou com a participação da cantora Agnes Nunes, destacou técnicas tradicionais ricas em detalhes, a exemplo de crochê, bordado, macramê, patchwork, pintura e manuseio em couro.
Para o coordenador do projeto, o estilista e diretor criativo Ary Rodrigues — que assina a criação dos modelos ao lado de Wellington Jan —, a iniciativa não se encerra na passarela. O foco é dar visibilidade comercial e resgatar o valor do que é feito à mão. “O intuito principal é trazer os artesãos para os holofotes e garantir que essas técnicas manuais não adormeçam. O potencial desses produtos é global”, destacou Ary.
Das raízes à alta moda
Para quem vive das agulhas e fios, ver o próprio trabalho no centro da maior festa popular do estado foi a realização de um sonho. É o caso da artesã Rita de Cássia Campos, natural de Livramento, no Cariri. Trabalhando com crochê desde a infância, ela levou à passarela um kimono em patchwork e um tailleur. “Essa participação representa o reconhecimento de toda uma vida. É um sonho para quem não tem visibilidade trabalhar ao lado de grandes nomes”, emocionou-se a costureira.
A força da terra também esteve presente com o algodão colorido natural. Gecilda Souza, artesã campinense à frente do projeto Via Terra Natural, apresentou peças que envolvem a cadeia produtiva de dezenas de agricultores da cidade de Juazeirinho. Ela assinou um look emblemático: uma saia rodada em quatro tons naturais de algodão e bordada com folhas douradas.
Para Gecilda, a noite representou uma mudança de paradigma sobre a valorização da arte regional. “O artesanato antigamente era visto apenas como uma ‘lembrancinha’. Esse desfile faz com que as pessoas o vejam com outros olhos. Usar uma peça do artesanato é ser exclusivo, é ser diferente”, celebrou.
Integrado à programação do São João de Campina Grande, o “Campina Feita à Mão” consolida a moda artesanal paraibana como um polo de resistência cultural, inovação e sofisticação, provando que a tradição regional tem passaporte garantido para conquistar o mundo.

10/06/2026/
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