Uma complexa rede de monitoramento clandestino, operada por facções criminosas através de câmeras de segurança, foi desmantelada pela Polícia Civil da Paraíba. A operação, realizada nesta quinta-feira (18), abrangeu João Pessoa e diversas cidades da Região Metropolitana, resultando na apreensão de mais de 70 câmeras e na prisão de indivíduos ligados ao esquema.
A descoberta da central clandestina foi confirmada pelo secretário de Segurança Pública da Paraíba, Jean Nunes, em entrevista à TV Cabo Branco. Ele detalhou que um homem, com experiência como eletricista, foi especificamente encarregado por uma facção criminosa para instalar e gerenciar esses equipamentos em Cabedelo, na Grande João Pessoa.
Descoberta da Central em Cabedelo e Prisões
A investigação revelou que a central de monitoramento em Cabedelo era um ponto estratégico para as facções. O indivíduo preso, um paraibano que havia morado no Sudeste, retornou com a missão de instalar os equipamentos e realizar o monitoramento de áreas de interesse criminoso. Além da prisão relacionada ao monitoramento, a operação cumpriu dois mandados de prisão por homicídio.
O secretário Jean Nunes destacou a sofisticação da tática criminosa, com as facções tentando ocultar as câmeras para dificultar a ação policial. A operação conjunta, que envolveu cerca de 150 agentes da Polícia Civil, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros, apreendeu não apenas as câmeras, mas também mais de 1,5 mil imagens que servirão como material de prova.
Monitoramento Remoto e Alcance da Operação
As câmeras apreendidas não eram utilizadas apenas para vigiar a entrada e saída de comunidades, mas também para acompanhar a rotina de moradores e a movimentação das forças de segurança. Parte significativa dos equipamentos operava com tecnologia de monitoramento remoto via Wi-Fi, permitindo o acesso às imagens à distância. A polícia ainda investiga há quanto tempo o sistema estava ativo e se havia transmissão de imagens para outros estados.
A ação policial se estendeu por diversas cidades além da capital, incluindo Santa Rita, Cabedelo, Conde, Bayeux, Pedras de Fogo, Pitimbu, Alhandra e Caaporã, demonstrando a capilaridade da rede criminosa e a abrangência da resposta estatal.
Conexão com o Rio de Janeiro e Próximos Passos
Investigações da Polícia Federal e do Ministério Público da Paraíba apontam que Cabedelo era monitorada à distância por integrantes do Comando Vermelho, baseados no Rio de Janeiro. As apurações indicam que criminosos no Complexo do Alemão tinham acesso, em tempo real, às imagens captadas em ruas, becos e áreas residenciais da cidade paraibana.
O monitoramento ilegal de Cabedelo seria coordenado por Flávio de Lima Monteiro, conhecido como Fatoka, apontado como liderança da facção na região. Mesmo foragido no Rio de Janeiro, ele continuava a emitir ordens e a acompanhar a rotina da cidade por meio das câmeras clandestinas. Nos últimos anos, mais de dez operações foram deflagradas para investigar a atuação de facções, corrupção e infiltração criminosa em setores da administração municipal.
Impacto e Continuidade da Segurança
O delegado Carlos Othon explicou que o material apreendido será fundamental para a instauração de novos inquéritos, visando identificar e responsabilizar criminalmente os envolvidos na instalação e uso das câmeras. O crime pode resultar em até oito anos de reclusão.
O comandante-geral da Polícia Militar, Romildo, assegurou que o policiamento será intensificado para evitar a reinstalação dos equipamentos e que a ação não se restringirá à Região Metropolitana, com todos os batalhões da Paraíba envolvidos na continuidade do trabalho. No município do Conde, a operação já permitiu a reabertura de áreas onde a circulação de viaturas era dificultada por ações do crime organizado, e a Polícia Civil informou que há um calendário de investigações em andamento até dezembro, com outras barricadas já removidas no Litoral Sul.
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