Mestre Luizinho Calixto teve carreira impulsionada por Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga

O renomado instrumentista Luizinho Calixto, reverenciado como um mestre da sanfona de oito baixos, revelou detalhes emocionantes sobre os momentos cruciais de sua formação musical. Em entrevista ao quadro “Dedinho de Prosa”, da TV Cabo Branco, neste sábado (27), o artista paraibano destacou a influência e o incentivo direto de dois dos maiores nomes da música brasileira: Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga.

A trajetória de Calixto é marcada por encontros que moldaram sua arte e o consolidaram como uma referência no universo da sanfona. Suas memórias trazem à tona a generosidade e a visão de grandes mestres que souberam reconhecer o talento em um jovem promissor.

O Início e o Olhar de Jackson do Pandeiro

A paixão de Luizinho Calixto pela música manifestou-se desde cedo, em um ambiente familiar propício. Seu pai, um habilidoso consertador de sanfonas, proporcionava o contato diário com o instrumento. Foi em uma dessas ocasiões que o destino interveio, na forma de uma visita de Jackson do Pandeiro à casa da família.

Jackson, já amigo dos pais e irmãos de Luizinho, notou a peculiar facilidade do menino em improvisar melodias. Calixto recorda que, ainda criança, ele simulava tocar forró usando o assento de uma cadeira como se fosse uma sanfona, alternando entre a madeira e o estofado para criar diferentes sons.

“Eu tirava um forró do assento da cadeira, que era um pedaço de madeira, e no estofado, e eu fazia dele como se fosse uma sanfona. Nesse período, o Jackson esteve lá em casa, que já era amigo do meu pai, da minha mãe, dos meus irmãos, e me pediram para tocar uma música para o Jackson. Aí eu toquei, ele ouviu, aí disse: ‘Vocês invistam nesse moleque, que ele tem potencial’”, compartilhou Luizinho, sublinhando a importância daquele reconhecimento inicial.

O Encontro Inesquecível com o Rei do Baião

Anos mais tarde, outro gigante da música brasileira cruzaria o caminho de Luizinho Calixto. Em um escritório, enquanto o jovem músico tocava o acordeão de um amigo, Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, entrou e sentou-se à sua frente. Ao perceber a presença ilustre, Calixto, tomado pela emoção e respeito, parou de tocar.

Gonzaga, com sua característica simplicidade e perspicácia, incentivou-o a continuar. “Ele disse: ‘mas, rapaz, você já parou? Dá um bom toque, toque’. Eu falei: ‘mas Seu Luiz, eu não sou acordeonista, eu toco sanfona de oito baixos’”, narrou Calixto. A insistência de Gonzaga veio acompanhada de um elogio marcante: “Dos últimos sanfoneiros que eu ouvi tocar… Ultimamente, você é a revelação”.

Este encontro não apenas validou o talento de Calixto, mas também o impulsionou a continuar aprimorando sua arte, ciente do reconhecimento de uma lenda viva da música nordestina. Para saber mais sobre a vida e obra de Luiz Gonzaga, clique aqui.

O Presente e o Pedido de Luiz Gonzaga

A admiração de Luiz Gonzaga por Calixto se concretizou de forma ainda mais tocante meses depois. Gonzaga ligou para o instrumentista em Fortaleza e o presenteou com uma sanfona, um gesto de generosidade que marcou profundamente a vida de Calixto. Emocionado, o músico perguntou como poderia retribuir tamanha gentileza.

A resposta de Gonzaga revelou a profundidade de sua fé e humanidade: “Quando você chegar em casa, reza um Pai Nosso e uma Ave-Maria para mim, que eu estou precisando”, relatou Calixto. O pedido foi prontamente atendido; o instrumentista e sua esposa rezaram um terço completo em agradecimento.

Luizinho Calixto revelou que, após esse episódio, a próxima vez que esteve próximo do Rei do Baião foi apenas em seu velório, onde, tomado pela dor e respeito, não teve coragem de olhar para o corpo do mestre que tanto o inspirou e apoiou.

Legado e Reconhecimento na Música Nordestina

A história de Luizinho Calixto é um testemunho da importância do reconhecimento e do incentivo entre gerações de artistas. A validação de figuras como Jackson do Pandeiro e Luiz Gonzaga não apenas impulsionou sua carreira, mas também solidificou seu lugar como um dos grandes nomes da sanfona de oito baixos, contribuindo para a riqueza e a continuidade da cultura musical nordestina.

Seu legado ressoa nas melodias que continua a criar e nas histórias que compartilha, inspirando novos talentos a preservar e inovar dentro da tradição do forró e do baião.

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