Quase um ano após ser baleada durante uma festa de pagode no bairro do Altiplano, na Zona Sul de João Pessoa, Juliana Batista ainda aguarda por respostas da Justiça. Atingida por um tiro no peito em meio a uma confusão, ela passou por uma cirurgia de alto risco, enfrentou a perda de oportunidades profissionais e faz uso contínuo de medicamentos, clamando por justiça e responsabilização.
“Não foi só o erro de uma pessoa. Foi um erro da organização do evento, de situações que poderiam ter sido evitadas. O que eu espero é que a justiça seja feita e que isso não volte a acontecer”, declarou Juliana em entrevista à TV Cabo Branco, ressaltando a necessidade de que os responsáveis sejam devidamente punidos e que medidas preventivas sejam adotadas para evitar futuros incidentes.
Um Ano de Luta e Consequências do Ataque
A vida de Juliana Batista mudou drasticamente após o incidente. Os exames médicos revelaram perfurações no pulmão e no fígado, exigindo uma laparotomia, um procedimento cirúrgico de grande porte. Antes da cirurgia, a gravidade da situação era tamanha que os médicos alertaram sobre os riscos, levando Juliana a acreditar que não sobreviveria e a se despedir de amigos próximos.
“Eu passei todas as minhas contas para uma amiga porque tinha certeza de que não iria resistir. Quando acordei da cirurgia, a primeira coisa que pensei foi: sobrevivi”, relembrou Juliana, destacando a intensidade do trauma vivido. Apesar da recuperação física, as sequelas persistem, tanto no aspecto físico quanto no psicológico. Ela faz tratamento contínuo com medicação controlada para lidar com os impactos do ocorrido.
Além dos desafios de saúde, Juliana enfrentou perdas profissionais. Uma oportunidade de emprego foi perdida porque ela estava hospitalizada e em recuperação no período de convocação de um processo seletivo. O impacto emocional foi agravado um mês após o atentado, quando seu irmão, diagnosticado com esquizofrenia, foi assassinado, adicionando uma camada de dor e sofrimento à sua já delicada situação.
A Noite que Mudou Tudo: Falhas na Segurança do Evento
Em seu relato à TV Cabo Branco, Juliana descreveu a expectativa de uma noite de lazer com amigos que se transformou em pesadelo. Uma briga nas proximidades do palco escalou rapidamente, culminando em disparos de arma de fogo. Segundo a vítima, a confusão se intensificou sem uma intervenção eficaz da equipe de segurança do evento.
“Era uma briga que vinha próximo do palco e não teve nenhuma intervenção efetiva de segurança. Quando eles começaram a se levantar, houve o primeiro disparo. Logo em seguida, o segundo disparo me atingiu”, detalhou Juliana. Ela também questiona a ausência de socorro imediato, afirmando que a ambulância disponível no local estava fechada no momento em que foi atingida, o que atrasou o atendimento essencial.
Investigação em Andamento e a Busca por Justiça
A organização responsável pelo evento, em nota enviada à TV Cabo Branco, informou que prestou atendimento às vítimas e colaborou com as autoridades desde o início da investigação. A empresa afirmou ter disponibilizado imagens e informações para auxiliar na identificação do autor dos disparos, reforçando seu compromisso com a elucidação do caso.
Contudo, a Polícia Civil informou que o inquérito ainda depende da conclusão de uma perícia de confronto balístico. A delegada responsável pelo caso esclareceu que o laudo permanece pendente, o que impede a previsão para a conclusão da investigação e a divulgação de informações sobre a eventual identificação ou prisão do suspeito. A demora na conclusão do processo judicial é uma das principais preocupações de Juliana, que anseia por justiça.
Relembrando o Incidente: O Contexto do Tiroteio
O tiroteio ocorreu na madrugada de 12 de outubro, durante uma festa de pagode no bairro do Altiplano, em João Pessoa. Três pessoas foram baleadas: Juliana Batista, de 32 anos, e dois homens, de 29 e 31 anos. Todos foram socorridos e levados ao Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa.
A Polícia Militar, na época, registrou relatos de testemunhas que indicavam que um homem sacou uma arma durante uma discussão e efetuou os disparos. Embora algumas pessoas no local tenham afirmado que o suspeito seria um policial à paisana, ele ainda não foi oficialmente identificado. Os dois homens feridos receberam alta no mesmo dia, enquanto Juliana permaneceu internada devido à gravidade de seus ferimentos, enfrentando uma longa e dolorosa recuperação. Saiba mais sobre notícias da Paraíba.
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