Dívida Pública do Brasil: FMI projeta salto para 96,5% do PIB até 2026, com alerta fiscal

A dívida pública bruta do Brasil está projetada para atingir um dos patamares mais elevados das últimas décadas até o final do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com um levantamento do Farol da Oposição, do Instituto Teotônio Vilela, baseado em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), o endividamento do país deve saltar de 83,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 para 96,5% do PIB em dezembro de 2026.

Essa projeção indica um aumento de 12,6 pontos percentuais no período, colocando o Brasil em uma posição preocupante no cenário econômico global e acendendo um alerta sobre a sustentabilidade fiscal a médio e longo prazo.

Crescimento alarmante no cenário global

Os dados, divulgados nesta sexta-feira (10) pelo site Poder360, revelam que o Brasil se tornará o segundo país do G20 com o maior crescimento da dívida pública nesse intervalo, ficando atrás apenas da China, que apresenta uma alta projetada de 29,6 pontos percentuais. Essa performance é consideravelmente pior do que a de outras economias emergentes, como África do Sul (8,2%), México (8,9%) e Argentina (-13,9%), que demonstraram maior capacidade de conter a expansão do endividamento.

A situação fiscal brasileira se aproxima perigosamente dos níveis observados durante a grave crise econômica de 2015 e 2016, sob o governo de Dilma Rousseff (PT). Naquele período, a dívida bruta do país disparou de 61,6% para 77,4% do PIB, em meio a uma profunda recessão.

Projeções futuras e o cenário da OCDE

As projeções do FMI não indicam uma reversão dessa tendência, apontando que a trajetória de alta deve persistir nos próximos anos. O endividamento pode avançar de 96,5% para 105,5% do PIB até o final da próxima gestão presidencial, representando um crescimento adicional de nove pontos percentuais. Essa escalada coloca o Brasil em uma posição de vulnerabilidade crescente.

Entre os 38 países que compõem a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil também figura entre as nações com as maiores altas de endividamento. O aumento projetado para o país é inferior apenas aos registrados pela Finlândia, com 19,1 pontos percentuais, e pela Polônia, com 16,9 pontos.

Diferenças metodológicas e seus impactos

É importante notar que os números da dívida pública podem variar significativamente dependendo da metodologia utilizada pelos órgãos de medição. Pelo padrão adotado pelo Banco Central e pelas projeções do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, a dívida pública passou de 71,7% do PIB em 2022 e deverá alcançar 83,6% do PIB em 2026, uma alta de 11,9 pontos percentuais.

Essas diferenças decorrem dos critérios específicos de cada instituição. O FMI, por exemplo, considera todos os passivos do governo geral. Já o Banco Central exclui determinados ativos e passivos específicos em seus cálculos. O Tesouro Nacional, por sua vez, contabiliza apenas a dívida pública federal, que representa uma parcela do endividamento total do setor público.

Alertas do Senado para o futuro fiscal

O cenário para os próximos anos também é motivo de grande preocupação para a Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado. Em relatório divulgado em junho, o órgão projeta um período marcado por déficits primários permanentes e crescentes, o que dificultará o cumprimento das metas fiscais e limitará a capacidade de conter o avanço da dívida pública.

Segundo a IFI, seria necessário um superávit primário de 2,1% do PIB por ano para estabilizar a relação entre dívida e PIB. As projeções do órgão indicam que o endividamento bruto poderá atingir 102% do PIB em 2032 e chegar a 115% do PIB em 2036, mantendo a trajetória de crescimento das contas públicas brasileiras.

A IFI também considera riscos externos para o cálculo, como os impactos dos conflitos no Oriente Médio sobre os preços do petróleo, além dos efeitos da reforma da tributação sobre o consumo nas contas de estados e municípios. Apesar de possíveis ganhos de eficiência e produtividade na economia, a instituição avalia que a situação fiscal continuará desafiadora.

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Fonte: gazetadopovo.com.br

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