A saúde mental é um pilar fundamental para o bem-estar geral, e a forma como lidamos com críticas e percepções distorcidas pode impactar diretamente nossa autoestima e equilíbrio emocional. Em uma recente participação no quadro De Olho na Saúde Mental, do programa Conexão Caturité, a psicóloga e neuropsicóloga Josiplessis Marques abordou a questão de como, muitas vezes, concedemos um poder excessivo a comentários negativos, permitindo que eles moldem nossa autoimagem.
A especialista destacou que é comum as pessoas internalizarem críticas de forma absoluta, interpretando-as como verdades inquestionáveis sobre si mesmas. Essa tendência leva a leituras equivocadas sobre o que os outros pensam, culminando em sentimentos de inadequação e na aceitação de rótulos prejudiciais, como incompetente ou fracassado, sem uma análise crítica ou base em evidências reais.
O impacto das distorções cognitivas na autoestima
As distorções cognitivas são padrões de pensamento irracionais ou exagerados que nos levam a perceber a realidade de forma imprecisa. No contexto das críticas, elas se manifestam quando transformamos um comentário isolado em uma generalização sobre nosso valor ou capacidade. A psicóloga Josiplessis Marques enfatiza a necessidade de questionar esses pensamentos automáticos e buscar provas concretas antes de aceitar qualquer julgamento negativo como uma verdade absoluta.
Essa autoanálise é crucial para desarmar o ciclo vicioso de autodepreciação. Ao invés de absorver passivamente a negatividade, somos encorajados a examinar a validade da crítica, considerando a fonte, o contexto e se ela realmente se alinha com a nossa experiência e desempenho. Ignorar essa etapa pode resultar em um desgaste emocional significativo e na diminuição da autoconfiança.
Fortalecendo o autoconhecimento contra críticas destrutivas
Para combater a influência das críticas e das distorções cognitivas, Josiplessis Marques orienta um exercício prático de autoconhecimento. Ela sugere que as pessoas listem suas qualidades, conquistas pessoais e profissionais, elogios recebidos e todas as contribuições positivas que realizaram ao longo da vida. Este hábito, segundo a neuropsicóloga, é uma ferramenta poderosa para fortalecer a autoestima e criar uma base sólida de autoapreciação.
Ao reconhecer e valorizar os próprios pontos fortes, é possível reduzir o peso dos comentários negativos e impedir que indivíduos mal-intencionados exerçam uma influência desproporcional sobre o bem-estar emocional. O autoconhecimento funciona como um escudo, permitindo que a pessoa filtre o que é construtivo do que é meramente destrutivo, sem se deixar abalar por opiniões que não refletem sua essência.
A origem das críticas e a projeção de limitações
A psicóloga conclui sua análise com uma reflexão importante: muitas vezes, os comentários negativos e as críticas destrutivas dizem mais sobre quem os profere do que sobre a pessoa criticada. Tais observações podem ser projeções das próprias inseguranças, frustrações ou limitações do crítico. Entender essa dinâmica é libertador, pois permite que a pessoa se desvincule da necessidade de validação externa e evite internalizar a negatividade alheia.
A recomendação final é clara: fortalecer o autoconhecimento, reconhecer os próprios pontos fortes e buscar melhorias contínuas, sempre com foco no crescimento pessoal. Não se deve permitir que opiniões destrutivas definam o próprio valor ou limitem o potencial. A construção de uma autoestima robusta é um processo contínuo que exige autoaceitação e resiliência. Para mais informações sobre saúde mental, você pode consultar recursos da Organização Mundial da Saúde (OMS).
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