O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta críticas por não discutir cortes efetivos nos gastos públicos, mas sim medidas para desacelerar o crescimento das despesas. Esta é a avaliação de Christopher Garman, diretor-executivo da consultoria Eurasia Group, que apontou a falta de disposição política para enfrentar o avanço dos gastos como um dos principais entraves ao ajuste fiscal.
Discussões sem foco em redução de gastos
Em entrevista à CNN Brasil na quinta-feira (5), Garman afirmou que o debate dentro do governo está centrado em alternativas para conter o ritmo de expansão das despesas, e não em reduzi-las. “Não existe um debate de corte de gasto”, declarou. As discussões envolvem medidas que podem alterar regras de crescimento de despesas obrigatórias, como os pisos constitucionais de saúde e educação e os critérios de concessão do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Pressão por responsabilidade fiscal
A avaliação de Garman ocorre em meio à pressão de investidores por sinais mais concretos de responsabilidade fiscal. O governo precisa demonstrar capacidade de controlar as despesas para reduzir a percepção de risco sobre a economia brasileira. Segundo o diretor da Eurasia Group, os juros elevados são um problema para a atividade econômica, afetando empresas e mantendo famílias endividadas.
Desafios do ajuste fiscal
Os números do Tesouro Nacional ilustram o desafio fiscal. De janeiro a setembro de 2026, o governo central acumulou um déficit primário de R$ 90,2 bilhões, comparado a R$ 100,3 bilhões no mesmo período de 2025. Apesar da melhora no resultado acumulado, as despesas totais cresceram 5,4% acima da inflação, alcançando R$ 1,965 trilhão. Em setembro, houve um superávit primário de R$ 4,839 bilhões, impulsionado pela devolução de R$ 12,8 bilhões em precatórios de exercícios anteriores.
Reuniões e possíveis mudanças
Na quinta-feira (5), Lula reuniu ministros, economistas e integrantes da equipe econômica para discutir a situação fiscal e possíveis mudanças nas regras de despesas. Após o encontro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende organizar propostas para apresentar ao presidente após sua viagem internacional. Entre as alternativas em discussão estão mudanças nas regras fiscais, revisão de benefícios e redução de incentivos tributários.
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Fonte: gazetadopovo.com.br


















