A Justiça Federal na Paraíba proferiu sentença condenatória contra um grupo criminoso especializado na introdução de cédulas falsas de R$ 200 no comércio. A decisão, emanada da 4ª Vara Federal, decorre de uma denúncia do Ministério Público Federal da Paraíba (MPF-PB), culminando na condenação de três indivíduos por crimes de associação criminosa e moeda falsa. O esquema, que operava primordialmente em estabelecimentos de Campina Grande e outras localidades, foi desbaratado após investigações minuciosas que revelaram a sofisticação da operação.
A Dinâmica do Golpe e a Ação Judicial
O método empregado pelos condenados envolvia a escolha estratégica de lojas com alto fluxo de clientes. Nessas ocasiões, os criminosos realizavam compras de baixo valor utilizando notas falsas de R$ 200, com o objetivo principal de receber o troco em dinheiro verdadeiro. Essa tática visava maximizar o lucro ilícito, trocando moeda falsificada por legítima de forma repetida, explorando a rapidez das transações comerciais em locais movimentados. A Justiça Federal detalhou que a prática era sistemática e bem orquestrada para garantir o sucesso da fraude.
As penas impostas aos réus refletem a gravidade dos delitos. Os três homens foram condenados, respectivamente, a 6 anos e 5 meses de reclusão; 7 anos, 6 meses e 10 dias de reclusão; e 5 anos e 2 meses de reclusão. O regime inicial de cumprimento da pena é o semiaberto, e a sentença é passível de recurso.
Qualidade da Falsificação e Abrangência da Rede
A análise pericial das cédulas falsas, realizada pela Polícia Federal, revelou que não se tratava de uma falsificação grosseira. As notas foram produzidas por meio de impressão a jato de tinta e apresentavam simulações convincentes de elementos de segurança como fio de segurança, marca d’água e características fluorescentes. O laudo concluiu que a qualidade das cédulas era suficiente para enganar o usuário comum, evidenciando a capacidade do grupo em produzir material enganoso de forma eficaz.
A investigação não se restringiu à Paraíba. A apreensão e análise dos telefones celulares dos suspeitos expandiu o escopo da atuação do grupo. Verificou-se que as atividades criminosas não se limitavam a Campina Grande e João Pessoa, na Paraíba, mas estendiam-se também a cidades do Rio Grande do Norte, como Natal e Caicó, indicando uma rede de distribuição e utilização mais ampla da moeda falsa.
A Queda do Esquema e os Desdobramentos Investigativos
Um episódio crucial para a desarticulação do grupo ocorreu em 25 de setembro de 2023. Naquela data, os acusados puseram em prática o plano em diversos estabelecimentos, incluindo lojas de fast-food, chocolates, restaurantes, farmácias e perfumarias, todos localizados em shoppings de Campina Grande. Em poucas horas, sete cédulas falsas foram introduzidas no comércio. O esquema foi interrompido apenas com a prisão em flagrante de um dos integrantes em um dos locais.
Mesmo após a fuga do veículo utilizado pelo grupo, registrada por câmeras de segurança, os suspeitos foram prontamente identificados, consolidando as provas contra eles. As investigações posteriores, que levaram os três homens a se tornarem réus em outubro do ano passado, revelaram ainda que os criminosos utilizavam disfarces ao entrar nos estabelecimentos. Essa tática tinha o objetivo claro de dificultar qualquer identificação por meio de sistemas de videomonitoramento, demonstrando a premeditação e o cuidado na execução dos golpes.
Provas Adicionais e Destino das Cédulas Falsas
Além das evidências diretas do flagrante e das perícias nas notas, as autoridades também analisaram movimentações financeiras suspeitas dos réus, inclusive em uma casa lotérica. Transferências via PIX entre os envolvidos foram rastreadas e corroboraram a conexão entre os membros da associação criminosa, fortalecendo a acusação do Ministério Público Federal.
Com a conclusão do processo judicial, as notas falsas apreendidas serão devidamente inutilizadas e encaminhadas ao Banco Central do Brasil para sua destruição. Este procedimento padronizado garante que o material falsificado não retorne à circulação, protegendo a integridade do sistema monetário nacional.
A condenação desse grupo ressalta o compromisso da Justiça Federal em combater crimes que atentam contra a economia e a confiança da população. A ação demonstra a eficácia das forças policiais e do sistema judiciário na identificação e punição de indivíduos que buscam lucrar com a falsificação de moeda, um delito de sérias implicações para a sociedade.
Fonte: https://g1.globo.com
















