A qualidade do sono é um pilar fundamental para a saúde e o bem-estar em todas as fases da vida, mas adquire uma relevância ainda maior na terceira idade. Recentemente, no programa Conexão Caturité, durante o quadro Vida Plena, a médica geriatra Dra. Ana Luiza Figueiroa trouxe à tona uma discussão crucial sobre os impactos do sono em idosos e, em particular, os perigos inerentes à insônia. A especialista enfatizou que, com o avanço da idade, é uma ocorrência comum que a arquitetura do sono sofra alterações significativas, nem sempre benignas.
O Envelhecimento e as Mudanças na Estrutura do Sono
Ao contrário da crença popular de que idosos precisam de menos sono, a realidade é que a necessidade quantitativa se mantém, mas a sua qualidade e organização interna podem ser drasticamente afetadas. A Dra. Ana Luiza Figueiroa esclarece que, com o passar dos anos, o ciclo circadiano – nosso relógio biológico – tende a sofrer desregulações, levando a um sono mais fragmentado. Há uma redução nas fases de sono profundo (REM e não-REM de ondas lentas), essenciais para a recuperação física e consolidação da memória, e um aumento nas fases de sono mais leve, além de maior incidência de despertares noturnos. Essas alterações fisiológicas naturais tornam o idoso mais vulnerável a distúrbios, como a insônia.
Os Perigos Silenciosos da Insônia Crônica na Terceira Idade
A insônia persistente na população idosa não é meramente um incômodo; ela representa um fator de risco significativo para diversas condições de saúde, comprometendo a qualidade de vida. A privação crônica de sono pode exacerbar problemas de saúde preexistentes e dar origem a novos. Entre os principais riscos apontados pela geriatra, destacam-se a diminuição da função cognitiva, manifestada por dificuldades de concentração, memória e tomada de decisões. Além disso, a fadiga decorrente da má qualidade do sono aumenta substancialmente o risco de quedas, um dos maiores causadores de morbidade e mortalidade entre os idosos. Aspectos como a saúde cardiovascular, o sistema imunológico e o bem-estar psicológico também são seriamente afetados, com maior incidência de hipertensão, diabetes, infecções e transtornos de humor, como depressão e ansiedade.
Estratégias para uma Noite de Sono Repousante
Diante do cenário complexo da insônia na terceira idade, é fundamental adotar uma abordagem proativa. A geriatra ressalta que a identificação precoce das causas e a implementação de medidas adequadas são essenciais. Recomenda-se a adoção de uma rotina de sono regular, indo para a cama e acordando sempre nos mesmos horários, inclusive nos fins de semana. A criação de um ambiente propício ao repouso, com pouca luz, silêncio e temperatura agradável, também contribui significativamente. Evitar estimulantes como cafeína e álcool, especialmente no período noturno, e a prática de exercícios físicos moderados durante o dia (nunca perto da hora de dormir) são outras dicas valiosas. Em muitos casos, a insônia pode ser um sintoma de outra condição médica, como apneia do sono ou efeito colateral de medicamentos. Portanto, a consulta com um médico especialista é crucial para um diagnóstico preciso e a elaboração de um plano de tratamento personalizado, que pode incluir terapias comportamentais, sem necessariamente recorrer a medicamentos.
A mensagem central da Dra. Ana Luiza Figueiroa é clara: o sono de qualidade não é um luxo, mas uma necessidade vital para a manutenção da saúde e autonomia na terceira idade. Conscientizar-se das mudanças naturais do sono, reconhecer os sinais da insônia e buscar ajuda profissional são passos indispensáveis para garantir que os anos dourados sejam vividos com plenitude e vitalidade.
Fonte: https://paraibaonline.com.br



















