Uma ofensiva coordenada entre Estados Unidos e Israel resultou na destruição ou severo dano de pelo menos 11 navios da Marinha iraniana, segundo análise de novas imagens de satélite do serviço de verificação BBC Verify. A série de ataques, iniciada no sábado, 28 de fevereiro, não se limitou apenas à frota naval, atingindo também bases de mísseis e usinas nucleares em território iraniano, marcando uma escalada significativa nas tensões regionais. O presidente americano, Donald Trump, declarou abertamente que um dos principais objetivos dos EUA no Irã é a "aniquilação" da marinha do país, reiterando uma postura assertiva diante das operações militares em curso.
A Devastação da Frota Naval Iraniana
As evidências visuais coletadas por satélites, datadas de 2 e 3 de março, oferecem um panorama da extensão dos danos. Imagens das bases navais de Konarak, localizada no sudeste do Irã, e de Bandar Abbas, que sedia o quartel-general da marinha iraniana no estratégico Estreito de Ormuz, mostram fumaça densa emanando de diversas embarcações. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, confirmou que um submarino americano torpedeou um navio de guerra iraniano no Oceano Índico em 4 de março, complementando as operações reportadas.
Entre as perdas mais significativas está o IRINS Makran, a maior embarcação da Marinha iraniana, conhecida por transportar drones. Imagens de satélite confirmaram a fumaça preta ascendendo do navio, atracado em Bandar Abbas. A empresa de segurança marítima Vanguard relatou a destruição de outros navios, como o IRIS Bayandor, IRIS Naghdi e IRIS Jamaran. A mesma empresa alegou o afundamento do IRIS Shahid Bagheri, um navio de transporte de drones de última geração, embora a BBC Verify não tenha conseguido confirmar essa informação de forma independente. Analistas da Maiar, uma empresa de inteligência, indicaram que pelo menos cinco navios em Bandar Abbas foram "atingidos ou afundados", com imagens da porção sul do porto exibindo o Makran e outras duas embarcações danificadas, uma delas visivelmente em chamas. Na base naval de Konarak, seis navios foram identificados com danos pela Maiar, e diversas construções da própria base também foram destruídas.
Alvos Estratégicos: Bases de Mísseis e Instalações Nucleares
Além do foco na frota naval, a campanha militar se estendeu a outras infraestruturas críticas. O presidente Trump explicitou que, somado à destruição da marinha iraniana, a aniquilação das bases de mísseis e a prevenção do desenvolvimento de armas nucleares constituem os outros dois pilares da campanha aérea dos EUA no Irã. Os ataques confirmaram terem atingido tais instalações, embora detalhes específicos sobre a extensão dos danos a estas bases e usinas não tenham sido totalmente divulgados pelas imagens de satélite. O Almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central americano (Centcom), que supervisiona as operações no Oriente Médio, afirmou que um total de 17 embarcações iranianas foram destruídas, incluindo o "principal submarino operacional" do Irã, e declarou que "não há um único navio iraniano navegando no Golfo da Arábia, no Estreito de Hormuz ou no Golfo de Omã", sublinhando a eficácia das operações conjuntas.
Persistência da Ameaça e a Capacidade Iraniana Remanescente
Apesar da dimensão dos ataques, especialistas alertam para a capacidade iraniana de adaptação. O ex-chefe das forças armadas irlandesas, Mark Mellett, avaliou que os ataques americanos e israelenses "neutralizaram em grande parte ou, pelo menos, suprimiram" a capacidade da marinha iraniana de executar ataques convencionais com seus maiores navios de guerra. No entanto, Mellett enfatiza que o Irã ainda mantém a habilidade de lançar ataques não convencionais no mar, utilizando drones, minissubmarinos e uma rede de navios fantasmas, que são petroleiros operando fora das normas marítimas para ocultar suas identidades. Esse tipo de operação permite a Teerã manter uma presença e uma ameaça, mesmo após as perdas significativas.
Analistas da Maiar corroboram essa visão, sugerindo que Teerã pode recorrer a navios de ataque rápido menores, equipados com mísseis antinavio, como uma tática para os próximos dias. Mellett também ressalta a capacidade do Irã de interromper a navegação comercial global, através da colocação de minas em vias críticas no Estreito de Ormuz ou lançando ataques de drones contra navios petroleiros e portos importantes, demonstrando que a tensão marítima na região, embora alterada em sua dinâmica, está longe de ser resolvida. Um incidente paralelo reforçou essa percepção: autoridades do Sri Lanka relataram, em 4 de março, que um navio iraniano estava afundando perto de suas águas, com 140 pessoas desaparecidas, um evento que o Secretário de Defesa Pete Hegseth posteriormente confirmou ter sido resultado de um torpedo disparado por um submarino americano no Oceano Índico.
Conclusão: Um Novo Patamar na Confrontação Regional
A onda de ataques dos Estados Unidos e Israel contra a infraestrutura militar iraniana, revelada pelas imagens de satélite e confirmada por declarações oficiais, representa um ponto de virada na confrontação regional. A quase "aniquilação" da frota naval convencional do Irã, juntamente com os danos a bases de mísseis e instalações nucleares, demonstra uma determinação sem precedentes em neutralizar as capacidades militares de Teerã. Contudo, a análise de especialistas aponta para a persistência de ameaças não convencionais e a capacidade do Irã de adaptar suas táticas, sugerindo que a segurança marítima e a estabilidade regional continuarão a ser pontos de alta volatilidade, com implicações geopolíticas de longo alcance.
Fonte: https://g1.globo.com




















