Sebastião de Azevedo Ferreira, conhecido como “Bastos”, um dos nomes que figurava na lista dos criminosos mais procurados do Brasil, foi capturado e está sob custódia no Peru. A prisão de “Bastos”, que era considerado um dos principais traficantes com atuação na Paraíba, representa um avanço significativo nas operações de combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas em nível internacional.
A localização e detenção do indivíduo ocorreram na cidade de Pucallpa, no Peru, resultado de uma complexa operação que envolveu o Núcleo de Cooperação Internacional da Paraíba, da Polícia Federal. A ação contou ainda com o apoio fundamental da Polícia Judiciária de Ucayali e da representação da Polícia Federal no território peruano, demonstrando a importância da colaboração entre diferentes forças de segurança para alcançar alvos de alta periculosidade.
A captura de um dos mais procurados traficantes do Brasil
A prisão de Sebastião de Azevedo Ferreira, o “Bastos”, encerra um período em que o traficante estava entre os oito paraibanos mais procurados do Brasil, conforme lista elaborada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Ele é apontado pelas autoridades como um dos principais fornecedores de drogas para a facção criminosa Okaida, com forte atuação no estado da Paraíba. Contra “Bastos”, havia um mandado de prisão em aberto pelo crime de tráfico de drogas, expedido pela 1ª Vara de Entorpecentes de João Pessoa.
Atualmente, o preso encontra-se à disposição da Justiça peruana, aguardando os trâmites legais necessários para sua extradição ao Brasil. O processo de extradição, que não possui um prazo definido, é uma etapa crucial para que “Bastos” possa responder pelos crimes imputados a ele perante a justiça brasileira.
A lista de procurados do Ministério da Justiça e Segurança Pública
A inclusão de “Bastos” na lista de mais procurados do Brasil remonta ao ano passado, quando o Ministério da Justiça e Segurança Pública divulgou o rol de criminosos após uma megaoperação que resultou em mais de 100 mortos no Rio de Janeiro. Na ocasião, cada estado brasileiro indicou oito alvos prioritários, selecionados com base em uma matriz de risco rigorosa.
Essa matriz avaliou diversos fatores, como a gravidade e a natureza do crime cometido, a vinculação do indivíduo com facções criminosas, a existência de múltiplos mandados de prisão em aberto e a atuação interestadual dos criminosos. Os traficantes paraibanos incluídos nessa lista são considerados chefes ou coordenadores de núcleos de facções, com mandados de prisão por crimes como homicídio e tráfico de drogas, entre outros.
Outros foragidos paraibanos na mira das autoridades
Além de “Bastos”, a Paraíba tem outros nomes de destaque na lista de criminosos mais procurados do Brasil. Um dos foragidos, Edgar Alves de Andrade, conhecido como “Doca”, integra a lista pelo estado do Rio de Janeiro, devido aos mandados de prisão em aberto contra ele pela Justiça fluminense.
Outros foragidos com forte ligação com a Paraíba incluem:
- Fatoka: Apontado como chefe da facção criminosa Comando Vermelho na Paraíba, com pelo menos 13 mandados de prisão em aberto, incluindo por homicídio. Ele fugiu da Penitenciária PB1 em 2018, foi recapturado em Alagoas, mas após relaxamento da pena e uso de tornozeleira eletrônica, rompeu o equipamento e fugiu para o Rio de Janeiro.
- Jonathan, conhecido como “Dom”: Em 2024, era apontado como um dos chefes do Comando Vermelho na Paraíba, suspeito de operar do Rio de Janeiro, de onde transmitia ordens e fornecia drogas e armas. Possui dois mandados de prisão em aberto por associação criminosa para o tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo e roubo qualificado.
- Damião de Araçagi, ou “Coroa Damião”: Integrante da alta cúpula do Comando Vermelho na Paraíba e próximo ao chefe da organização no estado. Embora tenha sido erroneamente dado como preso em uma megaoperação no Rio de Janeiro, as autoridades confirmaram que ele segue foragido. Tem dois mandados de prisão por roubo majorado e tráfico de drogas.
- David, apelidado de “Mago David”: Considerado chefe do núcleo operacional do Comando Vermelho na Paraíba, atuando principalmente em Cabedelo. Foi alvo de uma operação que bloqueou R$ 125 milhões do grupo. A polícia acredita que ele esteja foragido no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Possui seis mandados de prisão por lavagem de bens, associação para o tráfico e integrar facção criminosa.
- Edivan, “Nego” ou “Nego 4 Boca”: Também membro do Comando Vermelho na Paraíba, atuando como porta-voz e com poder de “gestão” em 2024 na comunidade das Quatro Bocas, em Bayeux. Sua função incluía o tráfico de drogas e o fornecimento de munições e armas para ataques. Há um mandado de prisão em aberto por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
- Lucian, conhecido como “o Galo”: Apontado como membro do conselho do Comando Vermelho na Paraíba e chefe do tráfico em comunidades como o Mutirão, em Bayeux, em 2024.
- Elvis: Em 2024, tornou-se réu por tráfico de drogas, crime nacional de armas e organização criminosa. Possui quatro mandados de prisão em aberto pela Justiça da Paraíba.
Canais de denúncia e o Projeto Captura
A divulgação dos nomes e fotos desses criminosos faz parte do Projeto Captura, iniciativa do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que visa incentivar a participação da população na localização de foragidos. Os critérios para inclusão na lista incluem envolvimento em crimes graves ou hediondos, participação em organizações criminosas e mandados de prisão em aberto.
A população pode acessar a lista completa de foragidos no site do Ministério da Justiça e Segurança Pública, onde são disponibilizados nomes, fotos e CPFs dos criminosos. Denúncias sobre o paradeiro ou informações relevantes podem ser feitas de forma anônima e segura, sem a necessidade de identificação, pelos seguintes canais: ligue 190 para a Polícia Militar, 197 para a Polícia Civil ou 181 para o disque denúncia. É importante mencionar que o foragido consta na lista de procurados do site do Ministério da Justiça e Segurança Pública ao realizar a denúncia.
Para mais informações sobre a lista de procurados, acesse o site oficial do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Fonte: g1.globo.com
















