O cenário das rodovias paraibanas e das áreas urbanas tem sido palco de uma preocupante escalada nos acidentes de moto, um fenômeno que desafia a saúde pública e a sustentabilidade da Previdência Social no Brasil. Dados recentes revelam que a Paraíba registrou um aumento significativo de 8,6% no número de ocorrências envolvendo motocicletas nas rodovias federais em 2025, em comparação com o ano anterior. Essa elevação não se restringe apenas ao número de colisões, mas se estende também às estatísticas de feridos e, tragicamente, de mortos, evidenciando um problema complexo com profundas raízes sociais e econômicas.
A velocidade, a pressa e, por vezes, a imprudência sobre duas rodas, que fazem parte da rotina de muitos condutores, transformam-se em números alarmantes que exigem uma reflexão urgente. A análise do Núcleo de Dados da Rede Paraíba aponta para uma realidade onde cada estatística representa uma vida impactada, uma família em luto ou um sistema de saúde e previdência sobrecarregado.
Cenário preocupante nas rodovias e o peso da imprudência
De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o ano de 2025 foi marcado por 1.211 acidentes de moto nas BRs que cortam a Paraíba. Dessas ocorrências, 1.471 pessoas ficaram feridas e 77 perderam a vida. Todos esses indicadores apresentaram crescimento em relação a 2024, com o número de feridos aumentando 7,5% e o de mortos, 6,9%. A tendência de alta persistiu no início de 2026, quando, até o mês de março, mais de 300 acidentes já haviam sido contabilizados, resultando em 400 feridos e 16 mortos, uma média de três acidentes por dia.
Fábio Ramalho, chefe da 1ª Delegacia da PRF na Paraíba, ressalta a importância do conhecimento da legislação de trânsito para uma condução mais segura. Ele explica que a desobediência às normas de circulação e conduta, a velocidade incompatível — especialmente nos corredores entre veículos — e a embriaguez ao volante são as principais causas desses acidentes de moto. A falta de atenção redobrada exigida ao pilotar uma motocicleta pode, em um instante, transformar vidas e gerar novas estatísticas.
O impacto devastador nos hospitais e a longa jornada da recuperação
A gravidade da situação se reflete diretamente nos hospitais de emergência. Em João Pessoa, o Hospital de Emergência e Trauma registrou 9.786 atendimentos por acidentes de moto em 2024, número que se manteve estável em 2025. Já em 2026, até março, foram mais de 2,3 mil atendimentos, mantendo uma média diária de 27 pessoas socorridas. Em Campina Grande, a situação é ainda mais crítica, com um aumento de 21% nos atendimentos em 2015, saltando de mais de 8,8 mil em 2024 para 10,6 mil em 2025. Nos três primeiros meses de 2026, foram mais de 2,6 mil atendimentos, um aumento de 8,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Esses números se traduzem em histórias de dor e superação, como a de Francisco José, que passou mais de três meses internado e precisou de cinco cirurgias após um acidente causado por sua própria irresponsabilidade ao pilotar em alta velocidade. Mateus Xavier, por sua vez, tentou desviar de um pedestre embriagado em uma rodovia federal e perdeu o controle da moto em um dia chuvoso. O coordenador da área vermelha do Hospital de Trauma de Campina Grande, Matheus Matos, detalha as lesões mais comuns: traumas crânio-encefálicos graves, muitas vezes pela falta ou uso inadequado do capacete, além de fraturas de braço e perna, e traumas torácicos e abdominais.
A recuperação é um caminho longo e árduo, como vivenciou Severino Venâncio, que em 2019 sofreu um acidente que o deixou com problemas no joelho e dependente de muletas. Após um ano e oito meses afastado pelo INSS, ele conseguiu retomar suas atividades, mas as marcas físicas e emocionais permanecem. O custo financeiro desses acidentes também é exorbitante: um paciente com lesões menos graves pode gerar um custo de cerca de R$ 6 mil para o hospital, enquanto casos mais complexos, com múltiplas cirurgias e internação prolongada em UTI, podem atingir até R$ 400 mil por paciente.
O peso nos cofres públicos e a burocracia do auxílio-acidente
Além do sofrimento humano, os acidentes de moto impõem um custo elevado aos cofres públicos. Os pedidos de auxílio-acidente concedidos pelo INSS refletem essa realidade. Em 2024, foram mais de 76 mil auxílios (entre acidentários e não acidentários) em todo o país, totalizando R$ 92 milhões em pagamentos. Em 2025, esse número saltou para quase 100 mil auxílios, com um desembolso de mais de R$ 125 milhões, um aumento de 30% em relação ao ano anterior.
O advogado previdenciário Edivanildo Nunes orienta sobre os passos para solicitar o benefício: reunir documentos pessoais e médicos que comprovem a incapacidade ou redução da capacidade, e então requerer o auxílio diretamente no INSS, seja pelo site, aplicativo Meu INSS ou telefone 135. Em caso de indeferimento, a busca por um advogado para iniciar um processo judicial é recomendada. Nunes destaca a diferença na celeridade dos processos: enquanto na Justiça Estadual, onde tramitam os processos acidentários, a média é de dois anos para o reconhecimento do direito, na Justiça Federal, especializada em benefícios previdenciários, o tempo médio é de cerca de seis meses.
Condutores sem habilitação e a urgência da conscientização
Um dado alarmante que agrava o cenário é o aumento no número de condutores de motocicleta sem carteira de habilitação (CNH). A Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou um crescimento de 55% nesse índice nas rodovias federais da Região Metropolitana de João Pessoa, durante a Operação Verão entre o final de 2025 e o início de 2026. Enquanto na operação anterior (2024/2025) 23% dos abordados (285 condutores) não possuíam CNH, no período mais recente, esse percentual subiu para 35,76%, totalizando 436 condutores sem habilitação.
Essa realidade sublinha a necessidade urgente de campanhas de conscientização mais eficazes e de uma fiscalização mais rigorosa. A educação no trânsito, o respeito às leis e o uso correto dos equipamentos de segurança são pilares fundamentais para reverter essa triste estatística. A responsabilidade é coletiva, envolvendo condutores, pedestres, órgãos fiscalizadores e a sociedade em geral, para que o barulho das motos nas ruas não continue a ecoar a dor e o prejuízo causados pelos acidentes de moto.
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