Em um pronunciamento nacional que marcou sua primeira aparição pública desde o início do conflito, o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom da retórica bélica contra o Irã na noite da última quarta-feira, 1º de abril de 2026. Com a guerra já em seu 32º dia, Trump afirmou que as forças militares americanas estariam “desmantelando sistematicamente” a capacidade de defesa do regime iraniano, indicando que os “objetivos estratégicos centrais” do confronto estariam próximos de serem alcançados. Apesar da postura agressiva, o líder norte-americano não descartou a possibilidade de negociações futuras.
Durante a declaração, que durou cerca de 20 minutos, Trump celebrou o que descreveu como vitórias no campo de batalha e prometeu intensificar os ataques nas semanas seguintes. A fala do presidente americano, no entanto, foi marcada por uma série de afirmações contundentes e pela minimização de questões cruciais, como a alta global nos preços do petróleo e os massivos protestos internos que tomavam as ruas das principais cidades dos EUA.
Retórica Agressiva e os Objetivos Militares dos EUA
O presidente Trump utilizou seu discurso para projetar uma imagem de força e determinação. Ele declarou que os EUA atacariam o Irã “com extrema força nas próximas duas a três semanas”, ameaçando “levá-los de volta à idade da pedra, onde pertencem”. Contraditoriamente, enquanto proferia tais ameaças, Trump mencionou que as negociações continuavam. Ele também abordou a questão da mudança de regime, afirmando que, embora não fosse um objetivo declarado, ela “ocorreu em função da morte de praticamente todos os líderes originais”.
Segundo Trump, o “novo grupo” no poder iraniano seria “menos radical e mais razoável”. No entanto, ele alertou que, caso não houvesse um acordo nesse período, os EUA tinham “alvos estratégicos definidos”, identificando usinas de geração de energia como os próximos objetivos. O presidente ressaltou que o petróleo não seria atacado, apesar de ser o alvo mais fácil, para não eliminar “qualquer chance de sobrevivência ou reconstrução” do país persa.
Em diversos momentos, sem apresentar evidências claras, Trump exagerou na retórica, afirmando ter “destruído e esmagado” forças militares iranianas, como a Marinha e a Força Aérea. Essa postura contrasta com a visão de líderes como o então presidente brasileiro Lula, que, em ocasião anterior, declarou que a guerra contra o Irã era “desnecessária e baseada em mentira”, conforme noticiado pela Agência Brasil.
O Dilema do Estreito de Ormuz e a Crise do Petróleo
Um dos pontos mais sensíveis abordados por Trump foi a situação do Estreito de Ormuz, uma passagem estratégica entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, por onde circulava até 20% das exportações mundiais de petróleo. Apesar das declarações de vitórias militares, o presidente não soube explicar por que o estreito permanecia com acesso controlado e restrito pelos iranianos, causando fortes impactos no preço internacional dos combustíveis.
Trump minimizou a dependência dos EUA em relação ao petróleo comercializado por essa via, afirmando que “os Estados Unidos importam quase nenhum petróleo pelo Estreito de Ormuz — e não importarão no futuro”. Ele transferiu a responsabilidade pela segurança do canal marítimo para os países que dependem desse fluxo, declarando: “Nós ajudaremos, mas devem liderar a proteção do petróleo do qual dependem tanto”.
Sobre a alta do petróleo, o presidente americano a classificou como uma situação “passageira”, resultado de “ataques terroristas insanos do regime iraniano contra petroleiros comerciais em países vizinhos”. Essa justificativa, segundo ele, seria mais uma prova de que o Irã “jamais pode ser confiável com armas nucleares”. A volatilidade do mercado, no entanto, mostrava-se sensível a qualquer sinal de desescalada, com o dólar retomando níveis pré-guerra e a bolsa subindo diante da possibilidade de um acordo com o Irã, evidenciando a preocupação global com o conflito.
Alianças Regionais e a Complexidade Geopolítica
Em seu discurso, Trump agradeceu e citou nominalmente os países aliados no Oriente Médio, como Israel, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. Essas nações, que abrigam bases militares norte-americanas, têm sido alvo de retaliações por parte do Irã em resposta aos ataques de Israel e dos EUA. A menção aos aliados reforça a complexa teia de interesses e tensões que permeiam a região, onde a presença americana é um fator central.
Apesar da retórica de confronto, é importante notar que o cenário geopolítico é multifacetado. O então ministro das Relações Exteriores do Irã, Masoud Pezeshkian, por exemplo, havia declarado anteriormente que o Irã “não nutre inimizade pelo povo dos EUA”, buscando diferenciar o governo americano da população, um ponto que sublinha as nuances diplomáticas em meio à escalada militar.
Protestos Internos e a Avaliação de Trump
Um aspecto notável do pronunciamento de Trump foi o silêncio absoluto sobre as centenas de manifestações que reuniram milhões de norte-americanos nas principais cidades do país, como Nova York, Dallas, Filadélfia e Washington, no final de semana anterior. Esses protestos, que ocorreram inclusive em dezenas de cidades pequenas e médias, criticavam veementemente o envolvimento do governo na guerra e as ações policiais voltadas para a deportação de imigrantes.
Essa foi a terceira onda de protestos em poucos meses, e, de acordo com a imprensa norte-americana, o presidente vivia sua pior avaliação desde o início do segundo mandato, há pouco mais de um ano, com cerca de um terço de aprovação, segundo levantamentos de institutos de pesquisa de opinião. A omissão desses eventos em seu discurso sugere uma tentativa de desviar o foco das crescentes pressões internas, enquanto projetava uma imagem de controle e sucesso no cenário internacional.
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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



















