Com a aproximação da Semana Santa, período de grande significado religioso e cultural no Brasil, a tradição de consumir bacalhau ganha destaque nas mesas de milhões de famílias. No entanto, a alta demanda por este pescado, muitas vezes importado e com custo elevado, acende um alerta importante para os consumidores: a necessidade de vigilância rigorosa quanto à sua qualidade e autenticidade. Pensando nisso, o Instituto Municipal de Vigilância Sanitária do Rio (Ivisa-Rio) emitiu uma série de orientações cruciais para garantir que a escolha do bacalhau seja segura e livre de enganos.
A preocupação principal das autoridades sanitárias reside na proliferação de produtos de baixa qualidade ou, em alguns casos, de pescados que são comercializados indevidamente como bacalhau legítimo. A compra consciente não apenas protege a saúde do consumidor, mas também assegura a manutenção de uma tradição culinária tão valorizada, evitando frustrações e prejuízos durante as celebrações.
Como identificar o bacalhau legítimo e evitar falsificações
Um dos pontos mais importantes destacados pelo Ivisa-Rio é a distinção entre o verdadeiro bacalhau e outros peixes salgados e secos que podem ser vendidos sob a mesma denominação. Segundo a presidente da Vigilância Sanitária Municipal, Aline Borges, apenas duas espécies são consideradas bacalhau legítimo: a Gadus morhua, popularmente conhecida como Porto ou Porto Morhua, e a Gadus macrocephalus, geralmente chamada de Portinho ou Codinho. Essas espécies são valorizadas por sua textura e sabor únicos após o processo de salga e secagem.
Outras espécies, como Saithe, Ling e Zarbo, embora sejam muito consumidas e apreciadas pelos brasileiros, não se enquadram na classificação de bacalhau. Aline Borges enfatiza que esses pescados, que geralmente apresentam um custo mais baixo, devem ser comercializados de forma transparente, identificados como “pescado salgado” ou “salgado e seco”. A falta dessa clareza pode induzir o consumidor ao erro, levando-o a pagar por um produto que não corresponde às suas expectativas ou ao valor de mercado do bacalhau verdadeiro.
Sinais de alerta na qualidade do bacalhau salgado e seco
Ao escolher o bacalhau salgado e seco, o consumidor deve observar atentamente a aparência do produto. Manchas avermelhadas ou pontos pretos na superfície do pescado são indicadores claros da presença de bactérias e/ou fungos, que comprometem a qualidade e a segurança alimentar. Tais sinais são um forte indicativo de que o processo de conservação foi inadequado ou que o produto está em estágio avançado de deterioração, podendo causar problemas de saúde.
Além disso, a forma de salga é crucial. O Ivisa-Rio orienta que o sal utilizado para a conservação do bacalhau deve ser grosso. O uso de sal fino é proibido para este fim, pois o sal grosso permite uma desidratação mais lenta e uniforme do peixe, essencial para sua correta preservação e para o desenvolvimento do sabor característico. A textura do bacalhau também deve ser firme e homogênea, sem partes moles ou desintegradas, que podem sugerir má conservação.
Dicas para a compra de peixe fresco e seu armazenamento
Para aqueles que optam por peixes frescos para suas receitas da Semana Santa, a atenção aos detalhes é igualmente fundamental. A aparência do peixe deve ser vívida: guelras avermelhadas e brilhantes, olhos que ocupam toda a órbita e são transparentes, e escamas com aderência firme ao corpo são sinais de frescor. A pele deve estar úmida e brilhante, e a carne, firme e elástica ao toque.
Aline Borges ressalta que o consumidor deve sempre verificar a integridade do ventre do peixe. “Quando essa parte se rompe, é um alerta de estágio avançado de alteração”, explica a presidente da Vigilância Sanitária Municipal. Para garantir uma validade mais extensa e evitar a proliferação de bactérias, é imprescindível que as vísceras do peixe sejam removidas antes do armazenamento. O peixe fresco deve ser mantido em gelo ou em refrigeração adequada desde o momento da compra até o preparo, garantindo a segurança alimentar da família.
A importância da vigilância e do consumo consciente
A Semana Santa é um período de celebração e reflexão, e a culinária desempenha um papel central nessas tradições. A escolha do bacalhau, um ícone dessa época, exige cuidado e informação por parte do consumidor. As orientações do Ivisa-Rio servem como um guia valioso para que todos possam desfrutar de pratos saborosos e seguros, honrando a tradição sem comprometer a saúde ou o orçamento.
É fundamental que os consumidores se sintam capacitados a questionar a procedência e a qualidade dos produtos, exigindo informações claras dos comerciantes. Em caso de dúvidas ou irregularidades, a denúncia aos órgãos de vigilância sanitária é um direito e um dever cívico, contribuindo para a proteção de toda a comunidade. A conscientização e a atenção aos detalhes são as melhores ferramentas para garantir uma Semana Santa deliciosa e tranquila.
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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br



















