O primeiro bimestre de 2026 acende um sinal de alerta grave na Paraíba, com o registro de quatro feminicídios, conforme dados divulgados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. Os crimes, que ceifaram a vida de mulheres, ocorreram em diferentes localidades do estado: João Pessoa, Arara, Itapororoca e Baía da Traição. Este início de ano preocupante reflete uma tendência de crescimento da violência de gênero que vem se consolidando nos últimos períodos, exigindo atenção e ação urgentes das autoridades e da sociedade.
A situação em 2026 não é um fato isolado, mas a continuidade de um cenário de escalada. Em 2025, a Paraíba já havia registrado um total de 36 feminicídios, o que representou o pior índice desde a sanção da Lei do Feminicídio, em 2015. Este número igualou os registros de 2019 e superou em 38% os casos contabilizados em 2024, evidenciando uma progressão alarmante da violência fatal contra mulheres no estado.
Crescimento alarmante: Paraíba e a escalada dos feminicídios
A análise dos dados de 2025 revela picos de violência em meses específicos, com fevereiro e novembro sendo os mais críticos, com seis e cinco casos de feminicídios, respectivamente. Março e dezembro também apresentaram números elevados, com quatro registros cada. Essa distribuição ao longo do ano passado sublinha a persistência e a gravidade do problema, que não se restringe a períodos pontuais, mas se manifesta de forma contínua.
O feminicídio, tipificado como crime hediondo pela Lei nº 13.104/2015, é o assassinato de uma mulher cometido por razões da condição de sexo feminino, ou seja, quando o crime envolve violência doméstica e familiar ou menosprezo/discriminação à condição de mulher. É uma das formas mais extremas de violência de gênero, resultado de um ciclo de agressões que muitas vezes começa de forma sutil e se agrava progressivamente.
Tentativas de feminicídio: um grito de socorro ignorado
Além dos casos consumados, o primeiro bimestre de 2026 também foi marcado por cinco tentativas de feminicídio na Paraíba. Três dessas tentativas ocorreram em janeiro e duas em fevereiro, nas cidades de Cabedelo, Monteiro, Natuba, Picuí e Pombal. Esses números são um lembrete sombrio de que a violência contra a mulher é uma realidade diária, e muitas vidas são salvas por intervenções ou por pura sorte, mas o risco permanece iminente.
As tentativas de feminicídio revelam a urgência de fortalecer as redes de proteção e de incentivar a denúncia antes que a violência atinja seu estágio mais letal. Cada tentativa é um alerta sobre a necessidade de políticas públicas mais eficazes, de conscientização e de um sistema de justiça que atue de forma preventiva e punitiva.
Cenário nacional: Paraíba reflete tendência de violência generalizada
A triste realidade da Paraíba ecoa uma tendência nacional. O Brasil registrou um recorde de feminicídios em 2025, com mais de 1.470 casos de janeiro a dezembro, superando os 1.464 registros de 2024. Isso significa que, em média, quatro mulheres foram mortas por dia no país no ano passado, um dado que reforça a dimensão da crise de segurança pública e de direitos humanos que o Brasil enfrenta.
A persistência desses números elevados, tanto em nível estadual quanto nacional, aponta para a necessidade de um debate aprofundado sobre as raízes da violência de gênero, a eficácia das leis existentes e a implementação de estratégias mais robustas de prevenção, proteção e combate. É fundamental que a sociedade e o poder público atuem em conjunto para reverter essa tendência alarmante de violência.
A importância da denúncia: canais de apoio e proteção
Diante desse cenário, a denúncia continua sendo uma ferramenta vital para combater a violência contra a mulher. É crucial que vítimas, familiares e testemunhas saibam como e onde buscar ajuda. Existem canais de atendimento especializados e confidenciais que podem oferecer suporte e iniciar as investigações:
- 197: Disque Denúncia da Polícia Civil
- 180: Central de Atendimento à Mulher
- 190: Disque Denúncia da Polícia Militar (em casos de emergência)
A coragem de denunciar pode salvar vidas e quebrar o ciclo de violência. É um passo fundamental para que as autoridades possam agir e garantir a segurança e a justiça para as mulheres.
O PB em Rede segue acompanhando de perto os desdobramentos sobre a violência contra a mulher na Paraíba e no Brasil. Manter-se informado é o primeiro passo para a conscientização e a mobilização por um futuro mais seguro e justo. Continue conosco para ter acesso a informações relevantes, análises aprofundadas e o compromisso com um jornalismo de qualidade que dialoga com a sua realidade.




















