A morte de Milce Daniel Pessoa, idosa de 72 anos cujo corpo foi encontrado em uma área de mata em Bayeux no dia 29 de abril, após sete dias desaparecida, continua a intrigar familiares e autoridades. Enquanto a perícia avança na busca por respostas, a filha da vítima expressa profunda desconfiança sobre a possibilidade de sua mãe ter chegado sozinha ao local onde foi encontrada, levantando questionamentos cruciais para o desfecho do caso.
Os exames iniciais realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) de João Pessoa, conforme informado pelo diretor Flávio Fabres, não identificaram sinais de violência física ou sexual no corpo, nem a presença de substâncias tóxicas. Contudo, o estado avançado de decomposição do cadáver impõe desafios à investigação, e a causa da morte ainda aguarda resultados de exames complementares, com prazo legal de dez dias, prorrogáveis.
A Voz da Família: Dúvidas e Questionamentos Persistem
Suênia Pessoa, filha de Milce, em entrevista à TV Cabo Branco, reiterou sua convicção de que a mãe não teria condições de se deslocar sozinha até o local de difícil acesso onde o corpo foi localizado. “Até para ela chegar ao local, pela questão da idade dela e dificuldade de andar, ela não teria como chegar até ali sozinha”, afirmou, sublinhando a fragilidade da idosa e a complexidade do terreno.
Além da dificuldade de locomoção, Suênia enfatizou que sua mãe era lúcida, refutando a hipótese de que Milce pudesse ter sofrido uma confusão mental que a levasse a se perder. A família aguarda ansiosamente por esclarecimentos sobre o percurso e as circunstâncias que culminaram na trágica descoberta, buscando entender como uma idosa, com suas limitações, poderia ter chegado a um ponto tão isolado sem auxílio.
A Perícia em Campo e no Laboratório: O Que os Exames Revelam
As análises do IML, embora não apontem para violência direta, são peças fundamentais no quebra-cabeça investigativo. O diretor Flávio Fabres explicou que, devido ao estado de decomposição, tanto a perícia criminal no local quanto a autópsia não evidenciaram elementos violentos maiores. Ele ressaltou que, embora exames como o PSA negativo (para violência sexual) norteiem a investigação, não descartam totalmente a possibilidade de algum tipo de abuso, que pode não deixar marcas físicas evidentes.
Paralelamente, o perito do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB), Aldenir Lins, que esteve no recolhimento do corpo, levantou a hipótese de que Milce possa ter chegado com vida ao local. Essa conclusão se baseia em observações como a presença das sandálias de dedo nos pés da idosa e a posição do corpo e das vestes, que sugerem um deslocamento consciente. Uma peça íntima encontrada próxima ao corpo também foi objeto de análise, mas sem que se pudesse, até o momento, correlacionar com crime sexual ou violência.
O Amigo e o Desaparecimento: Contradições e Esclarecimentos
O desaparecimento de Milce ocorreu em 22 de abril, após ela acompanhar Willis Cosmo, um amigo e vizinho, a uma consulta médica no Hospital Metropolitano, entre Santa Rita e Bayeux. Segundo Willis, eles teriam ido a uma área de mata para colher mangas, e a idosa teria desaparecido enquanto ele se abaixava para pegar a fruta.
A Polícia Civil, sob a condução do delegado Douglas García, apontou divergências nos depoimentos anteriores de Willis, especialmente em relação aos horários. Um refeito do trajeto, cronometrado pelas autoridades, indicou que seria impossível chegar ao local nos horários relatados pelo homem. No carro de Willis, foram encontrados fios de cabelo e um pedaço de tecido na cor do vestido de Milce, materiais que foram recolhidos para análise de DNA, cujos resultados são aguardados pelo IML.
Willis Cosmo foi ouvido e liberado pela polícia, não sendo considerado suspeito até o momento. O delegado García destacou a colaboração de Willis e a responsabilidade da investigação em se basear em provas técnicas. Ele também mencionou que, devido à repercussão do caso, agentes acompanham Willis para prevenir retaliações populares, garantindo seus direitos individuais enquanto a investigação prossegue.
A Complexidade da Investigação: Entre Provas Técnicas e Anseios Sociais
O caso de Milce Daniel Pessoa ilustra a complexidade das investigações de desaparecimento e morte, especialmente quando envolvem pessoas idosas e há lacunas nos relatos iniciais. A polícia aguarda os laudos periciais e o exame de DNA para direcionar o inquérito, que pode evoluir de desaparecimento para morte natural ou homicídio, dependendo das evidências.
A busca por justiça e clareza é um anseio da família e da sociedade, que acompanham de perto cada desdobramento. A precisão dos exames e a análise minuciosa das circunstâncias são essenciais para desvendar o mistério e trazer paz aos entes queridos de Milce.
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