CFM proíbe PMMA em procedimentos estéticos após morte em São Paulo

O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou uma medida significativa nesta sexta-feira (29), proibindo o uso de PMMA (polimetilmetacrilato) como substância preenchedora em procedimentos estéticos e reparadores realizados por médicos em todo o Brasil. A decisão, que passa a valer na próxima terça-feira (2), será publicada no Diário Oficial, marcando uma mudança importante na prática médica estética no país.

Exceção para Tratamento de Lipodistrofia

A única exceção à proibição é o uso do PMMA no tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/Aids. Este procedimento deve ser realizado em unidades de alta complexidade credenciadas pelo SUS, seguindo os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Essa condição ressalta a seriedade com que o CFM está tratando o uso seguro e regulamentado da substância.

Entendendo o PMMA e Seus Riscos

O PMMA é uma substância sintética composta por microesferas suspensas em gel, utilizada como preenchedor permanente. Originalmente, seu uso era autorizado para correção de deformidades e reconstrução de tecidos. No entanto, nos últimos anos, a substância começou a ser aplicada em procedimentos estéticos para aumentar o volume de áreas como glúteos e rosto. Essa prática, no entanto, sempre foi alvo de críticas por parte de entidades médicas devido aos riscos de complicações graves.

Casos de Complicações e Morte

A decisão do CFM ocorre após a trágica morte da maquiadora Roseli Fernandes de Oliveira Romeiro Vieira, de 48 anos, em São Paulo. Ela faleceu após um procedimento de remodelação de glúteos e coxas com 300 ml de PMMA, realizado em uma clínica na zona sul da capital. No dia seguinte ao procedimento, Roseli começou a sentir dores intensas e outros sintomas graves, vindo a falecer ao chegar na clínica para uma reavaliação.

Além deste caso, outros incidentes envolvendo PMMA chamaram atenção. Em 2020, a influenciadora Mariana Michelini perdeu o lábio superior após um preenchimento com a substância. Mais recentemente, Maíra Cardi relatou deformações no rosto e risco de necrose, necessitando de cirurgia para remoção do PMMA.

Pressão por Proibição e Reavaliação da Anvisa

Entidades médicas como a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), juntamente com o CFM, já vinham pressionando a Anvisa para uma proibição total do produto. Em março, a Anvisa afirmou que reavaliou o perfil de risco e benefício do PMMA, considerando seu uso aceitável apenas sob condições adequadas e indicações aprovadas.

É importante destacar que a decisão do CFM afeta apenas a prática médica, não havendo proibição do comércio da substância por parte da Anvisa.

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