Uma pesquisa recente, conduzida pela Quaest em parceria com o YouTube, revelou que aproximadamente 450 quadrilhas juninas já fizeram parte da rica história do São João de Campina Grande, no Agreste da Paraíba. O estudo, que analisou as características dessas manifestações culturais icônicas do Nordeste, aponta que, atualmente, 14 grupos permanecem em plena atividade, mantendo viva a tradição no evento conhecido como “O Maior São João do Mundo”.
O levantamento aprofundou-se nas dinâmicas e no impacto desses grupos, que são pilares da festividade junina paraibana. A maioria das quadrilhas ativas é liderada por mulheres, evidenciando a força feminina na preservação e inovação dessa expressão cultural.
Legado e Permanência das Quadrilhas Juninas
A história do São João de Campina Grande é intrinsecamente ligada à evolução das quadrilhas juninas. Ao longo das décadas, centenas de grupos surgiram, contribuíram para a efervescência cultural da festa e, em muitos casos, encerraram suas atividades. A pesquisa da Quaest oferece um panorama inédito sobre essa trajetória, quantificando o vasto legado deixado por esses coletivos.
Das 450 quadrilhas que já existiram, a persistência de 14 delas demonstra a resiliência e a paixão dos envolvidos. Esses grupos não apenas se mantêm ativos, mas também se reinventam a cada ano, garantindo a continuidade de uma tradição que atrai milhões de visitantes e movimenta a economia local.
Desafios e a Luta por Recursos
Apesar da importância cultural e social, as quadrilhas juninas enfrentam desafios significativos que se estendem para além do período das apresentações. A logística para o transporte de materiais e dos próprios integrantes é uma das principais dificuldades, exigindo planejamento e recursos que nem sempre estão disponíveis.
A falta de recursos financeiros para a produção de cenários e figurinos elaborados também se destaca como um obstáculo. Embora o investimento por meio de políticas públicas e iniciativas privadas tenha crescido nos últimos anos, o estudo aponta que ele ainda é considerado insuficiente e distribuído de forma desigual entre os diversos grupos, impactando diretamente a qualidade e a grandiosidade das produções.
Impacto Social e Acolhimento Comunitário
Além de seu papel como manifestação artística, as quadrilhas juninas desempenham uma função social vital para milhares de jovens em Campina Grande. A pesquisa da Quaest ressalta que esses grupos são percebidos como espaços de acolhimento e redes de proteção social, especialmente por integrantes da comunidade LGBTQIAPN+ e moradores de regiões periféricas.
Nesses ambientes, os participantes encontram apoio, desenvolvem talentos e constroem laços comunitários fortes, que transcendem as quadras de dança. As juninas se tornam, assim, um refúgio e um motor de transformação social, oferecendo oportunidades e um senso de pertencimento.
Cadeia Produtiva e Preparação Anual
O trabalho das quadrilhas juninas não se restringe ao mês de junho. A preparação para uma nova temporada começa logo após o término das apresentações, geralmente entre julho e outubro. Nesse período, os grupos iniciam a criação de novos espetáculos, seguindo um ciclo de planejamento e execução que se assemelha ao de grandes manifestações culturais, como as escolas de samba.
Em Campina Grande, algumas quadrilhas possuem estruturas de produção próprias, com fábricas e equipes dedicadas à criação de cenários e figurinos. Esses grupos servem de referência para outras juninas em todo o Brasil, impulsionando uma complexa cadeia produtiva que envolve cenógrafos, costureiros, dançarinos, maquiadores, músicos e muitos outros profissionais, gerando emprego e renda para a região. Para mais detalhes sobre a pesquisa, clique aqui.
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