Na comunidade Santana, zona rural de Santa Teresinha, no Sertão da Paraíba, o pequeno Elvis Ferreira Fernandes, de apenas 7 anos, encontrou uma maneira singular e criativa de participar da tradição da Copa do Mundo de 2026. Impossibilitado de adquirir as figurinhas oficiais devido às limitações financeiras da família, o garoto decidiu preencher seu álbum com ilustrações feitas à mão, transformando a paixão pelo futebol em uma obra de arte pessoal e inspiradora.
A cerca de 320 km da capital João Pessoa, a história de Elvis ressalta como a imaginação e a resiliência podem superar obstáculos. Em vez dos cromos comprados, o menino utiliza materiais simples como papel, lápis de cor e canetas para dar vida a cada página, criando uma coleção que reflete seu talento e dedicação.
A criatividade que preenche o álbum da Copa
Enquanto muitos aguardam a emoção de abrir pacotes de cromos, Elvis utiliza folhas de papel, lápis de cor e canetas para dar vida à sua coleção. Com dedicação, ele desenha jogadores, escudos de seleções, símbolos da competição e até a capa do álbum oficial. Cada ilustração é cuidadosamente recortada e colada no espaço correspondente, criando um exemplar único e carregado de significado.
A motivação por trás dessa iniciativa é simples e tocante. “Eu decidi fazer as figurinhas da Copa porque mãe e pai não tinham dinheiro para comprar”, revelou o jovem artista ao g1. Essa frase resume a essência de um projeto que transcende a mera coleção, tornando-se um testemunho de resiliência e amor pelo esporte.
Detalhes e inspirações de um jovem talento
Filho do agricultor Odair José Fernandes Costa, de 53 anos, e da boleira Edina Valéria Ferreira Costa, de 36, Elvis sabia das restrições orçamentárias de sua família. Embora o álbum original tenha sido adquirido, as figurinhas estavam fora do alcance. Foi nesse cenário que a imaginação do menino floresceu, transformando páginas em branco em um universo vibrante de cores e formas.
O processo de criação de cada figurinha exige atenção meticulosa. Elvis pesquisa imagens de jogadores na internet, reproduzindo rostos, uniformes e escudos com impressionante atenção aos detalhes. A coleção, que cresce a cada dia, adquire um valor sentimental inestimável, superando o custo dos pacotes comerciais.
Seu talento não se limita ao futebol. A casa da família é um verdadeiro ateliê, com brinquedos feitos de papelão, como réplicas de celulares e uma bola de futebol improvisada com balão e fita adesiva, demonstrando sua habilidade em reaproveitar materiais e dar asas à fantasia.
De Neymar a Fuleco: a diversidade da coleção de Elvis
A paixão de Elvis pelo futebol se reflete na diversidade de sua coleção. Além de atletas da Seleção Brasileira e de outras equipes que disputarão o Mundial, ele também retrata elementos históricos da competição. Entre os destaques estão o Fuleco, o carismático tatu-bola que foi mascote da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, e os mascotes do Canadá, México e Estados Unidos, países-sede de 2026.
O jogador que mais inspira o jovem artista é Neymar. “Eu desenhei o Alisson, o Matheus Cunha, a capa do álbum. E o que eu mais desenhei foi a figurinha do Neymar. Eu desenhei um monte de vezes”, contou Elvis, evidenciando a admiração pelo ídolo. Para mais informações sobre a história e os preparativos das Copas do Mundo, é possível consultar portais especializados em futebol internacional.
Orgulho materno e o incentivo à arte
A mãe de Elvis, Valéria Ferreira, relata que o dom do filho para o desenho é uma constante desde muito cedo, incentivado também pela irmã mais velha, Mônica, de 14 anos, que compartilha o gosto pela arte. Valéria observa que o menino tem uma capacidade notável de memorizar imagens, reproduzindo-as no papel após poucos segundos de observação.
A lembrança do pedido do álbum e da subsequente resposta do filho ainda emociona a mãe. “Ele disse: ‘Não se preocupe, mamãe, porque eu desenho as figurinhas e vou colando'”, recorda Valéria. Essa frase, inicialmente uma solução para a falta de recursos, revelou a profundidade do talento e da determinação de Elvis.
Para Valéria, ver o filho concretizar seu sonho de forma tão autêntica é motivo de grande orgulho. “É difícil ver um filho da gente com um sonho que parece pequeno para muita gente, mas que para nós acaba se tornando um sonho grande. Como a gente não podia comprar as figurinhas, ele encontrou um jeito de realizar esse sonho”, explicou.
A família, que se descreve como simples, sempre buscou incentivar os talentos dos filhos. Com o objetivo de dar visibilidade ao trabalho de Elvis e, quem sabe, encontrar apoio para que ele receba algumas figurinhas, Valéria tem compartilhado a rotina do menino nas redes sociais.
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