Casamento hospitalar: paciente com câncer realiza sonho em João Pessoa

Em um momento de profunda emoção e solidariedade, Ana Paula Ribeiro, de 26 anos, realizou seu sonho de casar-se com Felipe Alves, de 32, dentro do Hospital Napoleão Laureano, em João Pessoa. A cerimônia, organizada por voluntários e profissionais da unidade, aconteceu na última sexta-feira (3), dois dias antes de Ana Paula falecer devido a um câncer avançado. O evento deixou uma marca de amor e esperança para a família e todos os envolvidos.

O casal, que vivia junto há oito anos e tinha duas filhas, planejava oficializar a união após a recuperação de Ana Paula. No entanto, o diagnóstico de linfoma ‘não Hodgkin de células T’, descoberto após o nascimento da filha mais nova, de apenas três meses, alterou drasticamente os planos da família.

A história de Ana Paula e Felipe

Felipe Alves relembrou o início de seu relacionamento com Ana Paula, que começou há oito anos através do Facebook. Ele descreveu a esposa como uma pessoa sempre muito alegre e destacou o desejo mútuo de se casarem. “Ela disse que tinha o sonho de casar comigo, mas eu pedi que ela esperasse ficar boa para casarmos na igreja, mas infelizmente não deu tempo”, lamentou Felipe.

Com a piora do quadro de saúde de Ana Paula, a decisão de antecipar a cerimônia tornou-se urgente. O desejo de realizar o casamento, mesmo em meio à adversidade, mobilizou uma corrente de apoio e carinho.

Mobilização para um sonho

A iniciativa para o casamento partiu de Maria de Lourdes, conhecida carinhosamente como “Bom Te Ver” ou “Lurdinha”, uma palhaça voluntária que atua em hospitais há 20 anos. Durante uma visita à enfermaria de Ana Paula na hematologia, Lurdinha foi abordada pelo marido da paciente, que revelou a angústia de Ana Paula com a queda de cabelo. Após um momento de descontração e cuidado, Ana Paula confidenciou seu grande sonho: casar-se de vestido de noiva.

A partir desse diálogo, Lurdinha e outros voluntários iniciaram uma corrida contra o tempo para transformar o desejo de Ana Paula em realidade. “Paulinha falou que queria chegar em casa casada e eu prometi que ia me esforçar”, contou a voluntária, que imediatamente buscou apoio da diretoria do hospital e publicou um pedido de doação de alianças, que foi rapidamente atendido.

Superando obstáculos e a celebração

A organização do casamento hospitalar enfrentou um breve obstáculo quando surgiu a informação de que seria necessário aguardar uma nova avaliação para a cerimônia. Lurdinha, no entanto, não desistiu. “Comecei a importunar todo mundo que eu tinha esperança que poderia ajudar e Paulinha me perguntando se seria sexta-feira mesmo”, relatou.

A persistência deu frutos. O hospital conseguiu a autorização da equipe de vigilância sanitária, garantindo o bem-estar da paciente. Em poucos dias, uma verdadeira equipe de “anjos” se reuniu, trazendo vestido de noiva, tiara, anel, brincos, bolo e até um violão para a celebração. Todos os participantes usaram capas, máscaras e luvas, seguindo os protocolos de segurança.

Felipe descreveu a alegria de Ana Paula durante a cerimônia: “No momento do casamento no hospital, ela ficou muito feliz. Tudo foi planejado. Teve música, ela se vestiu de noiva, colocou a aliança em meu dedo e eu coloquei no dedo dela. Foi tudo muito bonito. Fiquei alegre, muito feliz”. A emoção tomou conta de todos, e Lurdinha resumiu: “Não foi só um casamento, foi uma longa história contada em uma semana pra preparar tudo”.

Despedida e legado de amor

Dois dias após a emocionante cerimônia, no domingo (5), Ana Paula Ribeiro faleceu no quarto do hospital, ao lado de seu marido. Felipe compartilhou as últimas palavras da esposa: “Ela me disse que já estava tão cansada. Disse que me amava e que estaria sempre ao meu lado. Pediu que eu cuidasse das crianças e partiu. Morreu ao meu lado”.

Para Maria de Lourdes, a frase de Ana Paula durante o casamento – “estou tão feliz” – resume a essência e a motivação de seu projeto voluntário. A história de Ana Paula e Felipe, marcada pela força do amor e pela solidariedade, permanece como um testemunho inspirador. Para mais informações sobre o linfoma não Hodgkin, você pode consultar fontes confiáveis como o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

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