Abuso em creche de João Pessoa: laudo confirma lesão em criança de 2 anos

Uma mãe em João Pessoa denunciou à Polícia Civil que sua filha de apenas dois anos foi vítima de abuso sexual, com a violência sendo confirmada por um laudo pericial. A genitora acredita que o incidente ocorreu em uma creche da Rede Municipal de Ensino, onde a criança estudava na capital paraibana.

A denúncia foi formalizada em 23 de abril de 2026, e o caso ganhou repercussão pública nesta terça-feira, levantando sérias questões sobre a segurança e a proteção de crianças em ambientes escolares.

A Denúncia e a Confirmação Pericial

A mãe da criança, que preferiu não se identificar, relatou à TV Cabo Branco ter notado um ferimento na região íntima da filha durante a troca de fraldas. Diante da descoberta, ela buscou atendimento médico imediato, e a criança foi encaminhada ao Instituto de Polícia Científica (IPC) para a realização de um exame sexológico.

O laudo do IPC, ao qual o g1 teve acesso, atesta a ocorrência de uma lesão na região do hímen, indicando que a criança foi vítima de “outro ato libidinoso”, embora não tenha havido conjunção carnal. O documento também aponta que a lesão era recente, reforçando a gravidade da situação.

A mãe reforça que a filha permaneceu na creche das 7h30 às 16h30 e não teve contato com outras pessoas em casa durante esse período, o que a leva a crer que o abuso ocorreu nas dependências da instituição.

A Investigação da Polícia Civil

O caso está sob a responsabilidade da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Infância e a Juventude, em João Pessoa. A delegada Adriana Guedes, encarregada da investigação, informou que diversas diligências foram realizadas para apurar os fatos.

A mãe da criança, a diretora da creche, professoras, cuidadoras e auxiliares foram ouvidos pela autoridade policial. Além disso, a delegada realizou uma inspeção pessoalmente na unidade de ensino. Até o momento, contudo, não foram identificados indícios de autoria do crime, e a Polícia Civil segue com as investigações para esclarecer os fatos e identificar os responsáveis.

Posicionamento da Secretaria de Educação

A Secretaria de Educação e Cultura de João Pessoa (Seduc) emitiu uma nota oficial afirmando que, ao tomar conhecimento da denúncia, adotou “imediatamente todas as providências administrativas cabíveis para a rigorosa apuração do caso”. A pasta também garantiu total colaboração com a Polícia Civil, disponibilizando as imagens do sistema de videomonitoramento da creche, que opera 24 horas por dia.

No entanto, a Seduc destacou que a análise técnica das imagens, realizada pela Guarda Civil Metropolitana, “não identificou elementos que corroborassem a ocorrência dos fatos narrados nas dependências da unidade escolar”. A Secretaria informou ainda que não foram constatados indícios de irregularidade funcional por parte da pedagoga ou das auxiliares citadas que justificassem o afastamento preventivo ou a instauração de Processo Administrativo Disciplinar (PAD).

Apesar disso, a Seduc confirmou o afastamento da funcionária envolvida na questão das fotos, reiterando que a proteção integral de crianças e adolescentes é prioridade absoluta e inegociável. A Secretaria reafirmou seu compromisso com a legalidade, a transparência e a plena colaboração com as investigações, seguindo um protocolo de atuação pactuado com o Ministério Público da Paraíba e a Polícia Civil.

Imagens e Controvérsia sobre Protocolos

Imagens de câmeras de segurança, acessadas pela TV Cabo Branco, revelaram momentos em que funcionárias da creche tiravam fotos de crianças utilizando fraldas descartáveis ou sem roupa. Em um dos vídeos, uma pessoa coloca as crianças para dormir de bruços em um colchão e as fotografa com um celular, utilizando flash.

Em outro registro, crianças são vestidas após o banho, e uma funcionária se abaixa para fotografar uma delas de costas e sem roupa. A delegada Adriana Guedes mencionou que a gestão da escola alegou que tais fotos faziam parte de um protocolo para inspecionar os corpos das crianças e registrar eventuais machucados, enviando as imagens à direção para acionar os pais.

Contraditoriamente, a Secretaria de Educação afirmou desconhecer tal procedimento e confirmou o afastamento da funcionária envolvida. A Seduc reiterou que a orientação institucional para casos dessa natureza é o acionamento imediato do Conselho Tutelar e outros órgãos competentes, e não a realização de fotografias.

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