Uma pesquisa recente do Ipsos-Ipec em parceria com o instituto More in Common revela que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é amplamente percebido pela população brasileira como o principal catalisador para a expansão das apostas esportivas online no país. O levantamento aponta que 18% dos entrevistados atribuem o crescimento das plataformas de bets à atual gestão, um contraste significativo com os 4% que responsabilizam o governo anterior, de Jair Bolsonaro (PL).
A pesquisa, que ouviu 2.000 pessoas com 16 anos ou mais em 130 municípios brasileiros entre os dias 4 e 8 de julho, possui uma margem de erro de dois pontos percentuais. Os dados, divulgados pela Folha de S. Paulo, indicam uma complexidade na percepção pública, onde a responsabilidade não é concentrada em uma única administração.
Percepção Pública e Responsabilidade Governamental
Apesar da atribuição majoritária ao governo Lula, uma parcela considerável dos brasileiros não centraliza a culpa em uma única gestão. Cerca de 35% dos entrevistados afirmam que nenhum dos dois governos é culpado pelo avanço das bets, enquanto 33% acreditam que tanto Lula quanto Bolsonaro têm responsabilidade igual. Outros 10% não souberam ou preferiram não responder à questão.
Essa nuance na percepção é crucial para entender o cenário das apostas online no Brasil, que passou por um período de legalidade sem regulamentação rigorosa antes da atual gestão. A decisão de regulamentar o setor, embora visando organizar e tributar a atividade, parece ter gerado uma associação direta com o crescimento do fenômeno.
A Visão dos Eleitores e a Regulamentação
A percepção de maior responsabilidade do governo Lula se estende até mesmo entre seus próprios eleitores. Neste grupo, 14% responsabilizam a atual gestão pela expansão das apostas online, enquanto 8% atribuem esse crescimento ao governo Bolsonaro. Entre os eleitores do ex-presidente, a diferença é ainda mais acentuada: 28% apontam o governo Lula como responsável pela explosão das bets, e apenas 3% culpam a gestão anterior.
Pablo Ortellado, professor da USP e diretor da More in Common, comentou sobre o cenário: “A gente viveu o pior dos mundos, em que as apostas esportivas eram legais, mas não tinham que cumprir regra nenhuma. Diante desse cenário, o governo Lula resolveu regulamentar e pagou um preço, que é ser identificado como mais responsável que Bolsonaro, inclusive entre os seus próprios eleitores.”
Lula e as Contradições da Regulamentação
Curiosamente, mesmo sendo o governo mais associado ao crescimento das bets, o presidente Lula tem expressado publicamente seu incômodo com as plataformas de apostas. Em meados de abril, ele declarou que sua gestão discute os efeitos nocivos das apostas online nas finanças das famílias brasileiras, chegando a afirmar: “Se depender de mim, a gente fecha as bets. Obviamente que depende do Congresso Nacional […] Não é possível a gente continuar com essa jogatina desenfreada nesse país.”
Apesar das críticas, a regulamentação da atividade, iniciada em 2024, foi impulsionada pela equipe econômica do governo, visando os ganhos significativos que a União teria com a arrecadação de impostos. Inicialmente, o imposto sobre a receita bruta das empresas era de 12%, passando para 13% neste ano e com projeção de atingir 15% em 2028. Além disso, os apostadores passaram a ser tributados em 15% de imposto de renda sobre lucros anuais acima de R$ 28,4 mil.
Impacto Eleitoral e Arrecadação Fiscal
A regulamentação também estabeleceu uma taxa de licença de R$ 30 milhões a cada cinco anos para as operadoras. Somente no ano passado, a arrecadação com as plataformas regulamentadas alcançou quase R$ 10 bilhões, demonstrando o potencial fiscal do setor. Essa balança entre a preocupação social e o benefício econômico marca a abordagem do governo em relação às apostas.
A pesquisa também explorou o impacto das bets no voto dos brasileiros. Um quarto dos entrevistados (24%) afirmou que votaria em um candidato que propusesse limitar as apostas, enquanto 12% disseram que isso diminuiria sua chance de voto. Para a maioria, 58%, o tema não interfere na escolha eleitoral, indicando que, embora seja um assunto de debate, não é um fator decisivo para a maioria dos eleitores.
Para mais atualizações sobre esta e outras notícias, continue acompanhando o PB em Rede e siga nossa página no Instagram para conteúdos exclusivos.
Fonte: gazetadopovo.com.br


















