Canetas emagrecedoras: potencial anti-inflamatório em estudo
Medicamentos como semaglutida e tirzepatida, conhecidos por controlar a glicemia e promover perda de peso, estão sendo estudados por seu potencial em reduzir marcadores de inflamação sistêmica em humanos. No entanto, a ciência ainda busca determinar quanto dessa redução se deve ao emagrecimento e melhorias metabólicas, e quanto pode ser atribuído a uma ação direta dos medicamentos nos mecanismos inflamatórios.
Estudos e hipóteses sobre o efeito anti-inflamatório
Os medicamentos agonistas de GLP-1 têm mostrado uma correlação com a redução da inflamação, mas ainda não há comprovação de causalidade. Segundo o endocrinologista Clayton Macedo, da Unifesp, a ciência ainda não pode afirmar com precisão a proporção do efeito que é resultado direto dos medicamentos.
A inflamação é uma resposta do organismo a agressões, mas quando prolongada, pode levar a doenças crônicas. Marcadores como proteína C-reativa (PCR) são usados para avaliar processos inflamatórios. Estudos como o SELECT, que envolveu 17,6 mil pessoas, mostraram que a semaglutida reduziu a PCRus em cerca de 38% em relação ao placebo.
Impacto da perda de peso e efeitos no fígado
A obesidade, especialmente com acúmulo de gordura visceral, está associada a inflamação crônica. A perda de peso pode reduzir essa inflamação. Além disso, efeitos anti-inflamatórios foram observados no fígado em casos de MASH, com a semaglutida mostrando melhora significativa.
Em 2025, a semaglutida foi aprovada no Brasil para tratar gordura no fígado, independentemente de sobrepeso ou obesidade. Débora Coutinho Serruya, da Novo Nordisk, destaca a necessidade de mais estudos clínicos para comprovar eficácia e segurança em outras populações.
Outras aplicações e pesquisas em andamento
Na dermatologia, a combinação de tirzepatida e ixequizumabe mostrou melhora em pacientes com psoríase e artrite psoriásica. André Carvalho, do Hospital Moinhos de Vento, ressalta que o estudo visava mostrar benefícios combinados, não isolados.
Pesquisas também exploram possíveis efeitos em doenças inflamatórias intestinais e no cérebro. No entanto, muitas perguntas permanecem, como a ação direta sobre células imunológicas e a reprodução dos benefícios em pacientes sem obesidade ou diabetes.
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