Um incidente violento nas águas territoriais cubanas, na última quarta-feira (25), culminou na morte de quatro pessoas e na detenção de outras duas, a bordo de uma lancha com matrícula da Flórida. O episódio rapidamente escalou para um impasse diplomático, com o governo cubano classificando a ação como uma “tentativa frustrada de infiltração armada com fins terroristas”, enquanto autoridades americanas iniciam suas próprias averiguações sobre a identidade dos tripulantes e a natureza da embarcação.
O Incidente nas Águas Cubanas
Segundo a versão oficial de Havana, a embarcação foi detectada na manhã da quarta-feira a aproximadamente dois quilômetros da costa do município de Corralillo, na região norte da ilha. Uma unidade das Tropas Guardafronteiras de Cuba, composta por cinco militares, aproximou-se para realizar a identificação. Nesse momento, os ocupantes da lancha teriam aberto fogo contra os agentes cubanos, deflagrando um confronto. O desfecho trágico resultou na morte de quatro indivíduos e deixou dois feridos, que foram prontamente detidos pelas autoridades locais.
Após a inspeção da lancha, o Ministério do Interior cubano informou a descoberta de um arsenal, incluindo fuzis de assalto, pistolas, coquetéis Molotov e outros equipamentos de estilo militar, corroborando a tese de uma operação com intenções hostis. As duas pessoas sobreviventes teriam alegado, em depoimento inicial, que o objetivo era “realizar uma infiltração com fins terroristas”.
Acusações de Havana e a Reação Americana
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, utilizou suas redes sociais para condenar veementemente o ocorrido, descrevendo-o como uma “agressão terrorista e mercenária” e reforçando que Cuba se defenderá com firmeza contra qualquer tentativa de minar sua soberania e estabilidade nacional. Ele compartilhou uma notícia do site oficial do Partido Comunista de Cuba que rotulava o incidente como uma “tentativa frustrada de infiltração armada”. O governo russo, um dos principais aliados de Havana, ecoou as acusações, caracterizando o caso como uma “provocação agressiva e deliberada dos EUA” e expressando preocupação com a escalada da situação na ilha.
Em Washington, o chefe da diplomacia dos Estados Unidos, Marco Rubio, se manifestou sobre o incidente, assegurando a jornalistas que o governo americano conduzirá sua própria verificação para chegar a uma conclusão independente. Rubio fez questão de enfatizar que a operação não era dos EUA e que nenhum membro do governo americano estava envolvido, dissociando oficialmente Washington do confronto direto.
A Identidade dos Tripulantes: Versões Divergentes
A nacionalidade dos ocupantes da lancha tornou-se um ponto de controvérsia entre as versões apresentadas. Enquanto o governo cubano afirmou que os dez indivíduos a bordo eram cubanos residentes nos Estados Unidos, uma autoridade dos EUA, falando à agência AFP, indicou que ao menos dois tripulantes da embarcação com matrícula da Flórida possuíam nacionalidade americana. Segundo essa fonte, um deles teria morrido no confronto, e o outro teria sido resgatado ferido e estaria sob custódia das autoridades cubanas. Essa disparidade nos relatos sobre a identidade dos envolvidos adiciona complexidade à investigação e ao cenário diplomático.
Contexto Geopolítico e Econômico da Tensão
O incidente ocorre em um momento de acentuada fragilidade econômica para Cuba, agravada pela pressão do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que impôs um embargo ao envio de petróleo à ilha. A falta do suprimento de petróleo venezuelano, essencial para a economia cubana, tem levado o país a uma profunda crise energética, intensificando as dificuldades enfrentadas pela população. Nesse cenário de tensões preexistentes e vulnerabilidade econômica, qualquer incidente que envolva as águas territoriais e cidadãos supostamente ligados aos EUA é carregado de significados e pode ter repercussões significativas nas já complexas relações bilaterais.
Investigação e Perspectivas Futuras
As autoridades cubanas reiteraram que o caso permanece sob investigação e que a defesa nacional é um pilar fundamental para garantir a soberania e a estabilidade na região. O governo de Cuba mantém a disposição de proteger suas águas territoriais com firmeza. A apuração completa dos fatos, incluindo a motivação e a identidade final de todos os envolvidos, será crucial para determinar os próximos passos diplomáticos e o impacto nas já delicadas relações entre Cuba e os Estados Unidos. O incidente sublinha a persistente complexidade e a volátil natureza do relacionamento entre os dois países.
Fonte: https://g1.globo.com


















