A Argentina se encontra em um ponto de ebulição política e social. Sindicatos de todo o país orquestraram uma nova paralisação, coincidindo com a iminência de votações cruciais no Congresso sobre pautas-chave para o governo do presidente Javier Milei, como a reforma trabalhista e a redução da maioridade penal. O cenário é de expectativa de manifestações nas ruas de Buenos Aires, frequentemente marcadas por confrontos, e de alertas governamentais sobre a cobertura da imprensa durante os protestos.
Jornada de Paralisações e Tensão Social
Sindicatos argentinos, representativos de diversas categorias profissionais, articularam uma greve nacional que promete impactar significativamente o funcionamento do país. A mobilização é uma resposta direta a políticas econômicas e legislativas propostas pela administração atual, visando pressionar o parlamento e o executivo.
Paralelamente à greve geral, o setor de aviação civil já enfrenta uma paralisação contínua de seus trabalhadores ao longo da semana. Motivados pela demanda por melhores condições salariais, os funcionários da aviação têm causado atrasos e cancelamentos de voos em todo o território nacional, adicionando uma camada extra de disrupção à rotina argentina.
Pauta Quente no Congresso: Reforma e Segurança Pública
No epicentro da tensão política, o Senado argentino se prepara para discutir e votar matérias de grande relevância para a agenda do governo Milei. Entre elas, destaca-se a proposta de redução da maioridade penal, que visa diminuir a idade de imputabilidade criminal de 16 para 14 anos, uma medida que divide opiniões e gera acalorados debates sobre segurança pública e direitos juvenis.
Além disso, a casa legislativa terá a responsabilidade de revisar e deliberar sobre as emendas feitas pela Câmara dos Deputados ao texto da reforma trabalhista, aprovadas em sessão anterior. O Poder Executivo, contando com sua coalizão de apoio no parlamento, demonstra urgência em aprovar ambos os projetos. O objetivo é que as leis estejam sancionadas a tempo de serem apresentadas pelo presidente Milei em seu discurso de abertura das sessões ordinárias do Legislativo, previsto para 1º de março.
Repressão e Alertas à Imprensa
A expectativa de protestos massivos em frente ao Congresso Nacional, no coração de Buenos Aires, tem sido acompanhada por uma postura mais rígida do governo em relação à segurança pública e à cobertura midiática. Historicamente, essas manifestações frequentemente degeneram em confrontos entre manifestantes e forças policiais, elevando o nível de alerta.
O Ministério da Segurança argentino emitiu um comunicado direcionado à imprensa, estabelecendo "medidas de segurança" e advertindo sobre "situações de risco" durante os protestos previstos. A nota recomendava explicitamente que jornalistas evitassem posicionar-se entre eventuais focos de violência e as forças de segurança, um procedimento visto por muitos como um indicativo de uma inclinação governamental à repressão. O comunicado também informava sobre a delimitação de uma "zona exclusiva" para a mídia em ruas adjacentes à praça do Parlamento, com a clara mensagem de que "diante de atos de violência, nossas forças agirão".
A confluência de uma greve generalizada, uma greve setorial e votações legislativas de alto impacto, somada à postura governamental em relação aos protestos e à imprensa, configura um cenário de profunda incerteza e volatilidade política na Argentina. Esta jornada se apresenta como um termômetro da capacidade de articulação do governo Milei e da força de resistência dos movimentos sociais e sindicais no país, com os olhos da nação e da região voltados para os desdobramentos.
Fonte: https://g1.globo.com

















