Pedro Vidal, comunicador cadeirante de 25 anos, está na linha de frente da cobertura do São João 2026 de Campina Grande, no Agreste paraibano. Sua atuação, que se estende do rádio às entrevistas, visa não apenas informar, mas também inspirar otimismo e promover a representatividade de profissionais com deficiência no cenário da comunicação, destacando a importância da acessibilidade em grandes eventos.
Com uma paixão pela comunicação que o levou a transitar do design para o jornalismo, Vidal busca mostrar que a presença de pessoas com deficiência em espaços de visibilidade é fundamental. Ele compartilha suas experiências e os desafios enfrentados, ao mesmo tempo em que celebra os avanços e a receptividade encontrada durante a maior festa junina do mundo.
A Jornada de Pedro Vidal na Comunicação
O interesse de Pedro Vidal pelo universo da comunicação surgiu ainda na infância, participando de atividades escolares, produzindo vídeos e até criando uma web rádio. Embora tenha inicialmente seguido carreira na área de design, o desejo de trabalhar com rádio permaneceu forte.
O incentivo decisivo para retomar esse caminho veio após uma conversa com a locutora campinense Luciana Gomes, que compartilhou sua trajetória profissional. Inspirado, Pedro decidiu cursar Rádio, TV e Internet, formando-se e obtendo seu registro profissional. Antes da cobertura do São João deste ano, ele já havia produzido conteúdos em outros eventos, como o podcast durante o ImagineLand e o Enem.
Cobertura do São João 2026: Entrevistas e Dinâmica
Durante a cobertura do São João 2026, Pedro Vidal tem colecionado entrevistas com grandes nomes da música e diversas personalidades. Ele destaca a receptividade de artistas como Solange Almeida, a primeira a ser entrevistada, e Jonny Garotinho. Nas coletivas, Tarcísio do Acordeon e Michele Andrade também chamaram sua atenção pela interação e emoção demonstradas.
O comunicador trabalha em parceria com a videomaker Maria Vitória, responsável pelas captações e edições. A dupla segue um planejamento flexível, adaptando-se à programação semanal e às possibilidades do dia. Além dos shows, a cobertura abrange entrevistas com o público, comerciantes e até mesmo policiais, buscando uma visão abrangente do evento.
Acessibilidade no Parque do Povo: Avanços e Desafios
Pedro Vidal avalia que a estrutura do Parque do Povo tem garantido condições de acessibilidade. Ele relata que um problema inicial para acessar a sala de imprensa foi prontamente resolvido pela organização do evento, que providenciou uma rampa e uma rota mais adequada, demonstrando atenção e cuidado.
No entanto, os principais desafios surgem nos momentos de maior concentração de público. Em uma das noites de shows, Pedro precisou da ajuda do Corpo de Bombeiros, que formou um cordão de proteção para facilitar sua passagem em meio à multidão. Durante esse deslocamento, uma briga irrompeu nas proximidades, evidenciando a necessidade de discutir formas de garantir mais segurança e mobilidade para pessoas com deficiência em grandes eventos.
“Reforço que é normal haver grande concentração de pessoas em locais de shows. No entanto, acredito que poderia existir alguma forma de facilitar o deslocamento e o acesso das pessoas com deficiência em meio a essas multidões”, pontuou Vidal, ressaltando a importância de soluções inovadoras para a mobilidade em ambientes de grande fluxo.
Inclusão e Representatividade: Um Chamado à Ação
Ao atuar na cobertura de grandes eventos, Pedro Vidal acredita que sua presença contribui significativamente para ampliar o debate sobre a inclusão no mercado de trabalho. Ele vê sua participação como um estímulo para que empresas e produtoras adotem medidas mais efetivas de acessibilidade e acolhimento a diferentes perfis de trabalhadores.
Para o comunicador, a pauta da acessibilidade é crucial, pois a inclusão de profissionais com deficiência abre novas possibilidades de colaboração, divulgação e credibilidade. Embora defenda melhorias na acessibilidade, Pedro não vê a segregação como o caminho ideal. Ele considera que a criação de espaços separados para pessoas com deficiência é uma solução válida no presente, mas o objetivo final deve ser a construção de ambientes onde todos possam compartilhar os mesmos espaços com autonomia, segurança e igualdade de condições. Acompanhe mais detalhes sobre a experiência de Pedro Vidal no G1.
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