Ataques israelenses no Líbano: 129 unidades de saúde devastadas em 45 dias de guerra

A escalada do conflito entre Israel e o Líbano tem gerado uma crise humanitária de proporções alarmantes, com a infraestrutura civil e de saúde libanesa sendo duramente atingida. Em um período de apenas 45 dias de guerra, 129 unidades de saúde no Líbano foram danificadas por bombardeios israelenses, conforme dados divulgados pelo Ministério da Saúde libanês. A devastação vai além das estruturas físicas, ceifando vidas e comprometendo severamente o acesso da população a serviços essenciais.

O cenário é de calamidade: 100 profissionais de saúde foram assassinados e 233 ficaram feridos. Além disso, 116 ambulâncias foram bombardeadas e seis hospitais precisaram fechar suas portas, agravando a já frágil situação do sistema de saúde do país. Tais incidentes, segundo o escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) de Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) no Líbano, configuram uma grave violação do direito internacional humanitário.

O impacto devastador na infraestrutura de saúde

Os números apresentados pelo Ministério da Saúde libanês pintam um quadro sombrio da realidade no terreno. A destruição sistemática de hospitais, clínicas e ambulâncias não apenas impede o tratamento de feridos e doentes, mas também desmantela a capacidade de resposta a emergências e a prestação de cuidados básicos. A Organização Mundial de Saúde (OMS) expressou preocupação com avisos para evacuar hospitais em Beirute, evidenciando o risco iminente à vida de pacientes e equipes médicas.

Ataques contra infraestruturas civis e de saúde são universalmente reconhecidos como crimes de guerra. Israel tem justificado suas ações alegando que as unidades de saúde eram utilizadas pelo Hezbollah, uma acusação que tem sido veementemente questionada por organizações de direitos humanos e especialistas em geopolítica. A comunidade internacional observa com apreensão a deterioração da situação, que coloca em xeque os princípios mais básicos da proteção a civis em conflitos armados.

Acusações de crimes de guerra e a realidade no terreno

A narrativa de Israel, que afirma atacar infraestrutura militar do Hezbollah, contrasta com as denúncias de que áreas puramente civis estão sendo alvos. O jornalista e especialista em geopolítica Anwar Assi, com profundo conhecimento das regiões bombardeadas em Beirute, destacou à Agência Brasil que as áreas atingidas são 100% civis. “Mesmo os escritórios do Hezbollah são escritórios civis. Ou seja, pela lei internacional, não podem ser atacados. O subúrbio de Beirute não é uma área militarizada. Não tinha porquê bombardear aquelas áreas”, afirmou Assi.

Ele refuta as alegações israelenses de que foguetes estariam nessas regiões, citando a natureza dos prédios destruídos como prova. Para Assi, o verdadeiro objetivo dos ataques seria forçar o deslocamento dos moradores e criar pressão sobre a sociedade libanesa. Apesar da intensa pressão, a maioria da população libanesa, incluindo críticos do Hezbollah, tem rejeitado uma guerra civil contra o grupo, reafirmando a unidade nacional como uma “linha vermelha” que não deve ser cruzada, conforme o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri.

A escalada da destruição e o drama dos deslocados

Os 45 dias de conflito resultaram em um número chocante de vítimas: 2.294 pessoas perderam a vida e outras 7.500 ficaram feridas. Entre os mortos, há pelo menos 177 crianças, e 704 crianças foram feridas, segundo cálculos provisórios do Ministério da Saúde libanês. A imprensa também foi alvo, com pelo menos sete jornalistas atacados durante esta fase da guerra.

A destruição de moradias é igualmente alarmante. O Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano (CNRS) calculou que 37,8 mil unidades habitacionais foram destruídas até 12 de abril, a maioria nos subúrbios da capital, Beirute. Essa cifra representa cerca de 16% do total de danos registrados em fases anteriores da guerra, indicando uma rápida intensificação da destruição em um curto período. Um ataque massivo contra os subúrbios densamente povoados de Beirute, no primeiro dia de um cessar-fogo no Irã, causou a morte de mais de 300 pessoas em apenas 10 minutos de bombardeios, evidenciando a brutalidade da ofensiva.

A estratégia de deslocamento forçado e as consequências humanitárias

A estratégia israelense, segundo o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, busca criar uma zona despovoada até o Rio Litani, a cerca de 30 quilômetros da fronteira. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou em março que milhares de pessoas que fugiram do sul do Líbano não teriam permissão para retornar às suas casas. O deslocamento forçado de população civil é, por si só, considerado outro crime de guerra.

Mais de 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas em decorrência de ordens de deslocamento em massa, abrangendo cerca de 15% do país, de acordo com dados do Ocha. O especialista Anwar Assi descreve as ações de Israel no sul do Líbano como uma “limpeza étnica”, visando expulsar os moradores da região e tomar esses territórios. A destruição de escolas, hospitais e prédios governamentais é vista como uma tática para impedir o retorno dos civis, ao eliminar qualquer tipo de suporte que eles pudessem encontrar.

A história de Hussein Melhem, libanês-brasileiro de 45 anos, ilustra o drama pessoal. Ele e sua família foram forçados a se deslocar da cidade de Tiro (Tyre) para a região metropolitana de Beirute, e a incerteza sobre o retorno e a durabilidade da trégua é uma constante. No último dia antes de um cessar-fogo, Israel bombardeou a última ponte sobre o Rio Litani, a Ponte de Qasmiyeh, isolando a região sul do resto do país e dificultando a conexão entre Tiro e Sidon. Uma ponte provisória foi construída em resposta, mas a vulnerabilidade permanece.

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