A busca por justiça no brutal caso do assassinato do casal de idosos Nelson e Célia Honorato, em Sapé, na Paraíba, deu um passo significativo com a primeira audiência de instrução. O processo, que apura a participação de Ailton Nascimento, apontado como mandante, e outros três réus, teve seu início marcado pela oitiva de dezenas de testemunhas, evidenciando a complexidade e a gravidade do crime que chocou a região.
A sessão inicial, realizada na terça-feira (19) na 1ª Vara Cível da Comarca de Sapé, estendeu-se por sete horas, das 9h às 16h, e ouviu um total de 25 testemunhas de acusação. A magnitude do caso e o volume de informações a serem apuradas levaram a juíza responsável a interromper a audiência, remarcando a sua continuidade para a quarta-feira (27), quando se espera ouvir mais 11 testemunhas antes da prolação da sentença.
Audiência de instrução em Sapé avança com depoimentos
A primeira etapa da audiência de instrução foi crucial para a coleta de provas e depoimentos que podem solidificar as acusações contra os réus. O grande número de testemunhas ouvidas em um único dia reflete o empenho da Justiça em elucidar todos os detalhes do caso. Ailton Nascimento, que é o principal acusado, ainda não teve a oportunidade de depor, o que deve ocorrer nas próximas fases do processo.
Enquanto aguardam a retomada da sessão, Ailton e os outros três réus foram reconduzidos ao presídio de Sapé, onde já se encontravam detidos. A expectativa é que a continuidade da audiência traga novos elementos e contribua para a formação do convencimento da magistrada, aproximando a família das vítimas e a sociedade de uma resposta definitiva sobre o trágico acontecimento.
Relembrando o crime que chocou a Paraíba
O caso que mobilizou a Polícia Civil e a Justiça paraibana remonta a agosto de 2025, quando Nelson e Célia Honorato desapareceram. As investigações revelaram que o casal foi vítima de um esquema cruel arquitetado por Ailton Nascimento, que se apresentava como corretor de imóveis. A motivação do crime, segundo a Polícia Civil, era a apropriação da casa dos idosos, que planejavam vender o imóvel em Sapé para se mudar para João Pessoa.
No dia 18 de agosto de 2025, Ailton, acompanhado de Nicolas Jefferson, de 19 anos, que seria o executor, chegou à residência das vítimas. Nicolas foi apresentado como um interessado em alugar uma casa nos fundos do terreno. Durante a visita, Nelson Honorato foi brutalmente atacado com golpes de martelo e morreu no local. Célia Honorato, que não estava em casa no momento, foi atraída de volta sob pretexto e também foi assassinada com marteladas.
O filho do casal, um jovem autista de 27 anos, foi trancado em um quarto durante os assassinatos. Dias depois, em 22 de agosto de 2025, ele foi vítima de uma tentativa de homicídio, sendo levado a uma área de mata e agredido com marteladas. O jovem conseguiu sobreviver ao fingir estar desacordado e foi encontrado ensanguentado por uma patrulha da Polícia Militar.
Investigações e prisões: o cerco aos envolvidos
A complexidade do crime levou a Polícia Civil a prender outros cinco suspeitos por envolvimento. Em 29 de setembro de 2025, o Instituto de Polícia Científica (IPC) confirmou que os corpos encontrados em uma área de mata em Sapé eram de Nelson e Célia Honorato, que haviam sido enterrados enrolados em cobertores. Ailton e Nicolas foram os responsáveis por ocultar os corpos.
Ailton Nascimento, o falso corretor, foi detido em 26 de agosto de 2025, dentro de um ônibus na BR-116, em Jaguaquara, Bahia, enquanto tentava fugir. Nicolas Jefferson, preso em 17 de setembro de 2025, confessou o crime e apontou Ailton como o mandante. Um outro homem, de 25 anos, também preso, confessou ter sido contratado por Ailton para tentar matar o filho do casal.
O Conselho Regional dos Corretores de Imóveis da Paraíba (Creci-PB) também se manifestou, confirmando que Ailton Nascimento não possuía registro profissional, exercendo a função de forma irregular. O Creci-PB informou que tomaria as medidas legais cabíveis para resguardar a sociedade e a profissão.
Próximos passos e a busca por justiça
A continuidade da audiência de instrução é um momento crucial para o desfecho do caso. Com a oitiva das testemunhas restantes e, posteriormente, o interrogatório dos réus, a Justiça de Sapé busca reunir todos os elementos necessários para proferir uma sentença justa e exemplar. A sociedade paraibana acompanha de perto o desenrolar desse processo, esperando que a memória de Nelson e Célia Honorato seja honrada com a punição dos responsáveis.
O PB em Rede continuará acompanhando os desdobramentos deste e de outros casos que impactam a Paraíba e o Brasil, trazendo informações relevantes, atualizadas e contextualizadas para nossos leitores. Mantenha-se informado conosco sobre os fatos que moldam a nossa realidade e a busca incessante por justiça e verdade.



















