Aumento alarmante: violência política de gênero cresce 11 vezes em 4 anos

Casos de violência política de gênero no Brasil cresceram mais de 11 vezes nos últimos quatro anos, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2022, foram registrados 15 processos relacionados a esse tipo de violência. Até setembro de 2026, o número saltou para 177 processos.

Impacto na democracia

A violência política contra mulheres se manifesta de diversas formas, desde intimidações e ataques à honra até ameaças de morte e assassinatos. Exemplos marcantes incluem o assassinato da vereadora Marielle Franco em 2018 e os ataques à deputada Maria do Rosário em 2014. Esses casos evidenciam a gravidade e o alcance desse tipo de violência.

De acordo com a ministra do TSE, Estela Aranha, essa violência tem um efeito silenciador, afastando mulheres da política. “A democracia pressupõe a participação de todos os cidadãos, e as mulheres são expulsas do debate”, refletiu a ministra.

Campanha de conscientização

Para enfrentar essa questão, o TSE e o Ministério Público Federal (MPF) lançaram a campanha “Política é Substantivo Feminino”. A iniciativa visa informar e conscientizar a sociedade sobre a importância de combater a violência política contra mulheres.

Desde 2018, o MPF registrou 436 denúncias de violência política de gênero, com 221 casos de teor moral e 177 de violência psicológica.

Desafios de gênero e raça

Durante o lançamento da campanha, movimentos sociais entregaram uma carta ao presidente do TSE, Nunes Marques, expressando preocupação com o aumento da violência política de gênero e raça nas eleições. O documento relata ameaças de morte, violência sexual, ataques racistas e LGBTIfóbicos contra candidatas, especialmente negras e LBTs.

Uma pesquisa do Instituto Marielle Franco revelou que, entre 2021 e 2025, 87% das vítimas de violência política de gênero eram mulheres negras.

Participação feminina na política

O Brasil está entre os países com menor participação feminina no Parlamento Federal, ocupando a 135ª posição em um ranking de 184 países. Apenas 17,5% dos congressistas são mulheres. No nível local, mais de 700 municípios não têm mulheres em cargos eletivos, e somente 16% das prefeituras são lideradas por mulheres.

Raquel Branquinho, coordenadora do grupo de trabalho de prevenção e combate à violência política de gênero da Procuradoria-Geral Eleitoral, destacou que a legislação brasileira está alinhada com diretrizes internacionais de representatividade feminina, mas a violência contra mulheres na política continua sendo um grande desafio.

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Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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