A cidade de Cabedelo, na Paraíba, vive um momento de intensa movimentação política e judicial. Em meio a um cenário de instabilidade, José Pereira (Avante) assumiu o cargo de prefeito interino nesta quarta-feira (15). Em suas primeiras declarações após a posse, Pereira surpreendeu ao manifestar sua crença na inocência de Edvaldo Neto, o prefeito interino anterior, que foi afastado do cargo por determinação judicial em decorrência de uma operação da Polícia Federal.
A fala de José Pereira, concedida à TV Cabo Branco, adiciona uma camada de complexidade ao já conturbado quadro político local. Edvaldo Neto foi alvo de uma investigação que apura supostos desvios de recursos públicos e ligações com uma facção criminosa, em um esquema que pode ter movimentado cifras milionárias. A declaração do novo gestor, portanto, ecoa em um ambiente de expectativas e questionamentos sobre o futuro administrativo e a transparência na gestão municipal.
A posse em meio à turbulência política em Cabedelo
A cerimônia de posse de José Pereira ocorreu na manhã desta quarta-feira, marcando o início de mais um capítulo na gestão de Cabedelo. O agora prefeito interino, que antes presidia a Câmara Municipal, expressou sua serenidade diante do desafio e reiterou sua confiança na Justiça para o pleno esclarecimento dos fatos que culminaram no afastamento de seu antecessor. “Estou aqui para cuidar da cidade e garantir que tudo continue funcionando. Essa missão não é individual, ela é compartilhada com cada vereador desta casa, também eleito pelo povo e chamado para corresponder à confiança da população”, afirmou Pereira em seu discurso.
Em entrevista posterior, José Pereira adiantou uma de suas primeiras medidas à frente do Executivo: a nomeação de um novo secretário de administração municipal. A pasta estava vaga após o afastamento de Josenilda Batista, também investigada no âmbito da operação que apura a ligação do poder público com a facção criminosa. “Meu primeiro ato é nomear o secretário de administração, que é um jovem, com experiência administrativa, advogado, professor efetivo do município. Nós estamos valorizando os professores e dando continuidade à posse com o que vier pela frente”, ressaltou o novo prefeito.
A operação da Polícia Federal e o afastamento de Edvaldo Neto
O afastamento de Edvaldo Neto ocorreu após a deflagração de uma operação da Polícia Federal na terça-feira (14), apenas dois dias depois de ele ter sido eleito nas eleições suplementares de Cabedelo. A investigação mira um complexo esquema de fraude em licitações, desvio de recursos públicos e a suposta ligação de agentes políticos com a facção criminosa “Tropa do Amigão”, um braço do “Comando Vermelho”. As apurações indicam que o consórcio entre políticos, empresários e integrantes da facção pode ter movimentado até R$ 270 milhões em contratos fraudulentos.
Durante a operação, foram cumpridos 21 mandados de busca e apreensão, incluindo um no apartamento de Edvaldo Neto, localizado em Intermares. Além do prefeito, outros servidores públicos foram afastados por determinação judicial, visando preservar a investigação e impedir a continuidade das condutas ilícitas. A Polícia Federal ainda não divulgou detalhes sobre o material apreendido, mas a gravidade das acusações coloca a administração de Cabedelo sob um intenso escrutínio.
O perfil do novo prefeito interino de Cabedelo
José Francisco Pereira, de 68 anos, assume a prefeitura de Cabedelo com uma trajetória política consolidada na cidade. Apresentando-se como gestor financeiro, Pereira foi eleito vereador por quatro vezes, nos anos de 2012, 2020 e 2024, além de ter sido suplente em 2016. Em 2024, ele obteve 1.331 votos, demonstrando sua base eleitoral.
A ascensão de Pereira à prefeitura se deu por uma série de eventos. No início de 2025, ele foi eleito 1º vice-presidente da Câmara Municipal. Com a cassação de André Coutinho (Avante), Edvaldo Neto, então presidente da Câmara, assumiu a gestão do município. Consequentemente, José Pereira tornou-se presidente da Câmara. Agora, com o afastamento de Edvaldo Neto, Pereira assume o Executivo, e a presidência da casa legislativa passa para o vereador Wagner do Solanense (PL), que era o segundo-vice-presidente. Essa sequência de eventos sublinha a instabilidade política que Cabedelo tem enfrentado, com a cidade tendo seu terceiro prefeito em menos de cinco meses, exigindo do novo gestor uma capacidade de liderança e estabilização.
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Fonte: jornaldaparaiba.com.br



















