O assassinato da adolescente Rebeca Cristina, ocorrido há 15 anos em João Pessoa, Paraíba, continua a ser um caso de justiça incompleta. Apesar da condenação do ex-padrasto, o cabo da Polícia Militar Edvaldo Soares da Silva, a investigação aponta para a existência de um segundo suspeito, cujo material genético foi encontrado na vítima e permanece sem identificação. A amiga da estudante, Mykaelle Arruda, expressa o sentimento de que a justiça plena ainda não foi alcançada.
A Investigação e Seus Desafios
A Polícia Civil levou mais de cinco anos para indiciar o principal suspeito no caso Rebeca Cristina. Sob a presidência do delegado Glauber Fontes, as investigações esgotaram cerca de 10 linhas de apuração, contando com o apoio da renomada criminóloga Ilana Casoy. Apesar da amplitude dos trabalhos, a polícia considerou a existência de um segundo envolvido, que nunca foi identificado. A condição de policial militar de Edvaldo Soares também dificultou o processo, pois ele conhecia a dinâmica investigativa.
O Desaparecimento e a Descoberta do Corpo
Rebeca Cristina Alves Simões, de 15 anos, saiu de casa em Mangabeira VIII, João Pessoa, na manhã de 11 de julho de 2011, com destino ao Colégio da Polícia Militar. Sua mãe, Tereza Cristina, estranhou a demora e, ao contatar a escola, descobriu que a filha não havia comparecido às aulas. As buscas começaram imediatamente. No mesmo dia, por volta das 14h20, o corpo da adolescente foi encontrado em um matagal às margens da PB-008, na Mata de Jacarapé. Rebeca estava vestindo apenas roupas íntimas e apresentava uma marca de tiro na cabeça. O laudo pericial confirmou abuso sexual antes da morte, que ocorreu entre 8h10 e 12h10.
A Condenação do Ex-Padrasto e as Provas
O cabo da Polícia Militar Edvaldo Soares, ex-padrasto de Rebeca, foi o único condenado pelo crime. Indiciado em 2016 e condenado em 2019, ele recebeu uma pena de 31 anos de prisão por homicídio duplamente qualificado e estupro qualificado. Contudo, um exame de DNA descartou a presença de sêmen ou sangue de Edvaldo no corpo da vítima. As investigações, no entanto, reuniram 22 indícios de seu envolvimento, incluindo ausências do posto de trabalho no dia do crime e um histórico de crimes sexuais. Edvaldo alegou ser um “bode expiatório” e nunca confessou o delito, apesar das provas.
Os Dias Anteriores ao Crime e o Segundo Envolvido
Nos dias que antecederam sua morte, Rebeca Cristina apresentou mudanças de comportamento, tornando-se mais quieta. Na noite anterior ao crime, ela participou de um culto evangélico onde chorou intensamente e tentou convencer sua melhor amiga, Mykaelle Arruda, a acompanhá-la, pois tinha algo importante a revelar. Amigos e vizinhos indicaram que a mudança de comportamento estava ligada a problemas com o padrasto. A estudante teria descoberto mensagens no celular de Edvaldo que sinalizavam um relacionamento extraconjugal com outro homem, e o confrontou. O padrasto então tentou comprar seu silêncio com presentes. Mykaelle, ciente da situação, foi ameaçada por Edvaldo para não revelar o que sabia. O delegado Glauber Fontes mencionou a impressão de que o segundo envolvido, nunca formalmente identificado, poderia ter sido executado.
Outros Suspeitos e a Lacuna Genética
O material genético encontrado na região íntima de Rebeca Cristina não corresponde ao perfil de Edvaldo Soares. Durante as investigações, mais de 50 pessoas foram submetidas a exames de DNA, incluindo o namorado da vítima, um ex-namorado e funcionários da escola. A Polícia Civil investigou entre dez e doze linhas de suspeitos, mas todos foram descartados após a verificação de álibis e ausência de outros indícios de envolvimento. A persistência dessa lacuna genética, sem a identificação do segundo perfil, mantém o caso em aberto para aqueles que buscam a justiça completa. Saiba mais sobre o caso no G1.
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