João Pessoa registrou a maior queda no preço da cesta básica entre as capitais brasileiras em junho de 2026, com uma redução de 3,97%, conforme dados divulgados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O valor do conjunto de alimentos na capital paraibana passou a custar R$ 689,95, representando um alívio temporário para o orçamento familiar, apesar das altas acumuladas no ano e nos últimos 12 meses.
A Queda Mais Expressiva do País na Cesta Básica
A análise mensal do Dieese, uma referência em estudos socioeconômicos no Brasil, revelou que a cesta básica em João Pessoa teve o recuo mais significativo do país no mês de junho de 2026. A capital paraibana registrou uma diminuição de 3,97% no custo do conjunto de alimentos essenciais, passando de R$ 718,47 em maio para R$ 689,95. Essa performance coloca João Pessoa à frente de outras capitais nordestinas que também apresentaram quedas, mas em menor proporção, como Recife (-3,62%), Maceió (-3,61%) e Natal (-3,48%), destacando a capital paraibana no cenário nacional.
Apesar do alívio pontual proporcionado pela queda em junho, é fundamental observar o panorama financeiro mais amplo. No acumulado dos últimos 12 meses, o preço da cesta básica na capital paraibana ainda registra uma alta de 8,46%. Mais preocupante é o aumento acumulado de 15,44% no período entre dezembro de 2025 e junho de 2026, indicando que, embora a recente redução seja bem-vinda, ela não reverte completamente a tendência de encarecimento dos alimentos observada ao longo do último semestre e do ano.
Variação de Preços: Produtos em Alta e em Baixa na Cesta Básica
O detalhamento do levantamento do Dieese oferece uma visão clara sobre quais produtos impulsionaram a queda e quais continuaram a pressionar o orçamento familiar. Em junho, cinco dos 12 produtos que compõem a cesta básica ficaram mais acessíveis. O destaque absoluto foi o tomate, que registrou uma impressionante redução de 25,83% em seu preço. Outros itens importantes que contribuíram para a diminuição do custo total incluem o açúcar cristal, com queda de 4,27%, o óleo de soja (-3,11%), a manteiga (-2,32%) e o café em pó (-1,98%). Essas quedas podem ser atribuídas a fatores como sazonalidade, melhora na oferta ou condições de mercado específicas.
Contudo, a análise também aponta para o encarecimento de seis produtos essenciais, que continuam a desafiar o poder de compra. O feijão carioca, um alimento básico na mesa do brasileiro, teve um aumento significativo de 10,07%. A banana ficou 3,49% mais cara, enquanto a farinha de mandioca subiu 2,01%. O pão francês (0,76%), o leite integral (0,72%) e a carne bovina de primeira (0,54%) também apresentaram reajustes, mesmo que em menor escala. Essa dualidade nos preços exige que os consumidores estejam atentos e busquem alternativas para equilibrar suas despesas com alimentação.
Impacto no Orçamento do Trabalhador de João Pessoa
Além de monitorar os preços, o Dieese avalia o esforço que um trabalhador remunerado pelo salário mínimo precisa fazer para garantir a alimentação básica. Em junho de 2026, com o salário mínimo nacional fixado em R$ 1.621,00, um trabalhador em João Pessoa necessitou dedicar 93 horas e 38 minutos de sua jornada para adquirir os itens da cesta básica.
Ao considerar a renda líquida, após o desconto de 7,5% referente à contribuição para a Previdência Social, a pesquisa revela que o trabalhador comprometeu 46,01% de seus rendimentos para a compra da cesta. Este percentual representa uma leve melhoria em comparação com o mês anterior, maio, quando a aquisição da cesta básica exigia 47,92% da renda líquida. Essa pequena folga no orçamento, impulsionada pela redução dos preços em junho, pode oferecer um respiro, mas a sustentabilidade dessa tendência ainda é uma questão a ser observada.
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