Secretário de defesa dos EUA detalha custo de US$ 25 bilhões da guerra no Irã em audiência

Pela primeira vez desde o início do conflito no Oriente Médio, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, compareceu ao Congresso nesta quarta-feira (29) para uma audiência crucial. No centro do debate, o governo americano revelou que a chamada ‘guerra no Irã’ já consumiu a impressionante cifra de US$ 25 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 125 bilhões, em apenas dois meses de operações.

A declaração de Hegseth ocorre às vésperas de o conflito completar 60 dias, um marco que, segundo a Constituição americana, exige autorização do Congresso para a continuidade das operações militares ou o início da retirada das tropas. A audiência, marcada por tensões e questionamentos acalorados de parlamentares, expôs as profundas preocupações sobre os custos financeiros e humanos da intervenção, bem como sua legalidade e os motivos por trás dela.

O peso financeiro da guerra no Irã e o orçamento de defesa

Os US$ 25 bilhões gastos na guerra no Irã representam aproximadamente 2,7% do orçamento total do Departamento de Defesa, que teve US$ 901 bilhões (cerca de R$ 4,5 trilhões) autorizados para 2026. Para contextualizar a magnitude desses valores, os Estados Unidos já destinaram US$ 188 bilhões em ajuda a Kiev na Guerra da Ucrânia até dezembro de 2025. Outros conflitos históricos, como a Guerra do Iraque, custaram US$ 3,12 trilhões em dez anos, e a guerra no Afeganistão, US$ 2,8 trilhões no mesmo período, ambos valores corrigidos pela inflação.

Apesar de o foco principal da audiência ser a defesa do orçamento para 2027, que a Casa Branca projeta em US$ 1,5 trilhão – um aumento de 40% em relação ao ano corrente e que ainda depende de aprovação congressual –, o debate foi dominado pela discussão sobre a guerra no Irã. Hegseth, contudo, evitou responder sobre a duração prevista do conflito, limitando-se a reiterar que os EUA são os vencedores, contradizendo a previsão inicial do então presidente Donald Trump de que a guerra duraria apenas quatro ou cinco semanas.

O dilema constitucional e a pressão por respostas

A partir desta quinta-feira (30), o governo americano enfrenta um novo e significativo desafio legal. A Constituição dos EUA estabelece um limite de 60 dias para que o presidente inicie a retirada das tropas ou obtenha a autorização formal do Congresso para prosseguir com um conflito militar. A ausência de tal aprovação torna a continuidade da intervenção no Irã juridicamente questionável, intensificando a pressão sobre a administração.

Durante a audiência, Hegseth deixou uma série de questionamentos cruciais sem resposta, incluindo o custo total esperado para os contribuintes americanos ou quanto o departamento estaria disposto a gastar com os ataques. Em um momento de confronto, ele devolveu a pergunta aos parlamentares: “Quanto vocês estariam dispostos a pagar para garantir que o Irã não tenha uma arma nuclear?”, uma tática que sublinhou a complexidade e a polarização do tema.

Acusações, controvérsias e o ataque à escola em Minab

A sessão foi marcada por momentos de grande tensão e acusações diretas. O deputado democrata Adam Smith, por exemplo, levantou o caso do ataque a uma escola de meninas em Minab, no sul do Irã, no início do conflito, que resultou em ao menos 150 vítimas. Apesar de investigações preliminares do Pentágono apontarem que a explosão foi causada pelos EUA, Hegseth defendeu que o episódio ainda está sob análise.

Smith criticou a postura do governo: “Mesmo assim, dois meses depois disso ter acontecido, nós nos recusamos a falar disso dando a impressão ao resto do mundo de que nós não nos importamos, e deveríamos nos importar”. Em outra intervenção, o deputado democrata John Garamendi insistiu que o governo não havia explicado os reais motivos da guerra, acusando-o de “mentir para o povo americano desde o primeiro dia” e de “incompetência”.

O deputado democrata Salud Carbajal utilizou a ironia para criticar Hegseth, mencionando a paixão de ambos pelo filme “Pulp Fiction” (1994), de Quentin Tarantino. “Mas eu sei que o filme não é uma cópia fiel da Bíblia. Você sabe do que eu estou falando”, alfinetou Carbajal, referindo-se a um episódio em 15 de abril, quando Hegseth recitou uma adaptação de um falso trecho bíblico do filme durante uma oração no Pentágono.

Retórica religiosa e a figura do secretário

Conhecido por sua fé cristã e pela incorporação de símbolos religiosos em seus discursos, Pete Hegseth tem utilizado a retórica religiosa para enquadrar a participação dos EUA no conflito. Em um episódio notável, ele comparou o resgate de um militar americano desaparecido, após seu caça ser abatido sobre o Irã no Domingo de Páscoa, à ressurreição de Jesus Cristo. Ele também pediu publicamente que os americanos rezassem de joelhos pelas tropas engajadas na guerra.

Essa abordagem, embora vista por alguns como uma forma de inspirar e unir, tem sido alvo de críticas por parte de parlamentares que buscam explicações mais pragmáticas e baseadas em fatos sobre a estratégia militar e os custos da guerra. A tensão entre a fé pessoal do secretário e as exigências de prestação de contas no Congresso reflete a complexidade do cenário político e militar atual dos Estados Unidos.

A audiência de Pete Hegseth no Congresso sublinha a crescente polarização e o escrutínio em torno da política externa e de defesa dos EUA, especialmente em um contexto de conflitos prolongados e custos elevados. Enquanto o debate sobre o orçamento e a legalidade da guerra no Irã continua, o PB em Rede permanece atento aos desdobramentos, trazendo análises aprofundadas e informações atualizadas para você. Continue acompanhando nosso portal para se manter bem informado sobre este e outros temas relevantes, com a credibilidade e a variedade que você já conhece.

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