O filme “Dark Horse”, cinebiografia inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), teve a maior parte de seus custos arcada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A revelação foi feita pela produtora GoUp nesta terça-feira (19), que indicou um investimento de US$ 13 milhões até o momento, equivalente a cerca de R$ 65,7 milhões. A produção, que já se encontra em fase de pós-produção, levanta questionamentos sobre a origem e a transparência do capital envolvido.
A expressiva contribuição de Vorcaro, que ultrapassa 90% do orçamento executado, coloca em evidência a influência de grandes investidores em projetos audiovisuais de cunho político. Embora a fase de edição de som e efeitos especiais esteja em andamento, a empresária Karina Gama, proprietária da GoUp, sinalizou que recursos adicionais ainda serão necessários para a conclusão total do projeto, embora em menor volume.
O vultoso investimento e a produção de “Dark Horse”
O orçamento atual de US$ 13 milhões, ou aproximadamente R$ 65,7 milhões, demonstra a escala da produção cinematográfica sobre a vida de Jair Bolsonaro. Este montante, majoritariamente provido por Daniel Vorcaro, posiciona o filme como uma obra de grande porte no cenário audiovisual brasileiro, com implicações significativas para a narrativa política e cultural do país.
A fase de pós-produção é crucial para a finalização de qualquer obra cinematográfica, envolvendo etapas complexas que vão desde a edição fina até a masterização do som e a aplicação de efeitos visuais. A necessidade de recursos adicionais, mesmo que não “elevados”, sublinha a complexidade e o custo inerente a produções dessa magnitude, especialmente quando se trata de uma cinebiografia de figura pública.
O papel de Flávio Bolsonaro e a origem dos recursos
O senador Flávio Bolsonaro (PL) admitiu ter se encontrado com Daniel Vorcaro logo após a saída do banqueiro da prisão, no final de 2025. O objetivo do encontro, segundo o senador, foi a finalização de questões contratuais relacionadas ao filme. Mensagens reveladas indicam que Flávio Bolsonaro teria cobrado repasses de Vorcaro para assegurar a continuidade da obra, confirmando que o banqueiro investiu cerca de US$ 12 milhões no projeto, quase a totalidade do orçamento atual.
A produtora Karina Gama, por sua vez, afirmou que a GoUp não recebeu depósitos diretos de Vorcaro. Segundo ela, o capital teria transitado pelo fundo Heavengate, sediado nos Estados Unidos e administrado pelo advogado Paulo Calixto, conhecido por sua proximidade com a família Bolsonaro. Contudo, investigações da Polícia Federal apontam para uma rota diferente, sugerindo que os recursos teriam origem na empresa Entre Investimentos e Participações, de propriedade de Vorcaro, estabelecendo uma conexão direta entre o banqueiro e o financiamento do filme.
Divergências e justificativas entre os envolvidos
A questão da transparência no financiamento do filme gerou divergências entre os envolvidos. O deputado federal Mario Frias, que atuou como produtor-executivo da obra, inicialmente negou qualquer envolvimento financeiro do Banco Master no projeto. Posteriormente, Frias justificou sua declaração como uma “diferença de interpretação”, alegando que nem o banqueiro nem o banco foram signatários oficiais do contrato, apesar dos agradecimentos públicos pelo apoio financeiro recebido.
Essa nuance nas declarações ressalta a complexidade das relações financeiras e contratuais em grandes produções, especialmente aquelas que envolvem figuras políticas de alto perfil. A admissão de Karina Gama e Flávio Bolsonaro sobre o peso financeiro de Vorcaro na obra contrasta com a cautela inicial de Frias, evidenciando a sensibilidade em torno da origem dos fundos.
Outros projetos e o bloqueio de emendas Pix
Além do financiamento de “Dark Horse”, Karina Gama revelou que outra de suas empresas foi beneficiada com R$ 2,4 milhões por meio de emendas Pix — transferências diretas de parlamentares — para a produção de uma série documental. No entanto, este projeto foi paralisado após uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que bloqueou os recursos. A medida foi tomada sob o entendimento de que os requisitos legais para esse tipo de transferência não foram cumpridos, inviabilizando a continuidade dos episódios que abordariam figuras históricas do Brasil.
Este episódio adiciona uma camada de complexidade ao cenário de financiamento de produções audiovisuais no país, destacando a fiscalização sobre o uso de verbas públicas e a necessidade de conformidade com as normas legais. A interrupção do projeto por decisão judicial reforça a importância da transparência e da legalidade em todas as etapas de captação de recursos, sejam eles privados ou públicos.
Para se aprofundar em análises sobre o cenário político e cultural do Brasil, e acompanhar as últimas notícias e desdobramentos de temas relevantes, continue navegando pelo PB em Rede. Nosso compromisso é com a informação de qualidade, contextualizada e acessível, para que você esteja sempre bem informado sobre o que realmente importa. Acesse mais conteúdos sobre política e economia.
Fonte: gazetadopovo.com.br


















