João Pessoa sedia telecirurgia robótica transmitida ao vivo para congresso mundial de urologia

A Paraíba reafirma sua posição de vanguarda na medicina digital ao sediar uma telecirurgia robótica de próstata que foi transmitida ao vivo para o maior congresso de urologia oncológica do mundo, realizado em São Paulo. O procedimento, uma prostatectomia radical, marca um novo capítulo na história da cirurgia à distância, consolidando João Pessoa como um polo de inovação e tecnologia médica nas Américas.

A iniciativa, fruto da colaboração entre a Unimed João Pessoa, a Edge Medical e o Grupo Bhio Supply, demonstrou a viabilidade e a segurança de intervenções cirúrgicas complexas realizadas remotamente, superando barreiras geográficas e tecnológicas. Este feito não apenas eleva o patamar da saúde na região, mas também projeta o Brasil no cenário global da telemedicina.

Pioneirismo paraibano em destaque global

A telecirurgia em questão foi uma prostatectomia radical, o tratamento padrão para o câncer de próstata localizado, que envolve a remoção completa do órgão. O paciente, um homem de 56 anos, foi operado no centro cirúrgico do Hospital Alberto Urquiza Wanderley, em João Pessoa. O diferencial foi a operação do robô MP 1000, da Edge Medical, com os consoles de controle compartilhados entre a capital paraibana e São Paulo, a uma impressionante distância de 2.771 quilômetros.

A transmissão ao vivo para o 17º Congresso Internacional de Uro-Oncologia, que reuniu líderes e especialistas de diversos países no WTC, em São Paulo, permitiu que a comunidade médica global testemunhasse em tempo real a capacidade da Paraíba em realizar procedimentos de alta complexidade. Este evento posicionou definitivamente João Pessoa e o Sistema Unimed no centro das discussões sobre o futuro da cirurgia digital.

Tecnologia e precisão a milhares de quilômetros

Um dos aspectos mais notáveis do procedimento foi a utilização de internet de baixo custo, similar àquela empregada em residências, para a transmissão dos comandos. Apesar da distância e da simplicidade da conexão, o delay registrado foi de apenas 53 milissegundos (0,05 segundos), uma latência praticamente imperceptível que garantiu a sincronia perfeita entre os movimentos dos cirurgiões e a execução dos braços robóticos. O paciente evolui de forma satisfatória no pós-operatório, confirmando o sucesso da intervenção.

O diretor da Unimed do Brasil e presidente da Unimed João Pessoa, Gualter Lisboa Ramalho, que integrou a equipe de anestesia, enfatizou a importância do feito. “Notabiliza-se uma ruptura de fronteiras, a consolidação da telecirurgia como uma nova era da cirurgia: a era da cirurgia digital inclusiva”, destacou. Ele ressaltou ainda que o Hospital Alberto Urquiza Wanderley se consolida como a maior referência em telecirurgia do país, com seis procedimentos inéditos já realizados.

A equipe cirúrgica urológica foi composta pelos médicos Rafael Mourato, Leandro Tavares e Artur Paludo. A anestesia ficou sob a responsabilidade de Gualter Ramalho e Larissa Oliveira, médica residente do Centro de Ensino e Treinamento (CET) credenciado pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia (SBA). Em São Paulo, o console remoto foi operado pelo cirurgião André Berger, que celebrou o resultado: “A gente conseguiu fazer uma cirurgia oncologicamente adequada, uma cirurgia preservadora. Esse paciente, provavelmente, vai manter a função erétil, vai manter a continência urinária”.

Benefícios e segurança da cirurgia robótica

A cirurgia robótica, e por extensão a telecirurgia, oferece uma série de vantagens comprovadas para os pacientes. Entre os principais benefícios estão a maior precisão dos movimentos, a segurança aprimorada, uma recuperação pós-operatória mais rápida, menor intensidade de dor, redução do tempo de internação, menor sangramento e um risco minimizado de infecções. Rafael Mourato explicou que “a visão 3D ampliada e os instrumentos articulados permitem uma dissecação mais refinada, especialmente em planos anatômicos delicados. Além disso, há menor sangramento intraoperatório e melhores desfechos de continência urinária e função erétil”.

Artur Paludo reforçou que a técnica já é consolidada há mais de duas décadas, com seus benefícios minimamente invasivos amplamente comprovados. Leandro Tavares, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), sublinhou o impacto social: “A telecirurgia representa um salto decisivo rumo à inclusão tecnológica, à democratização do acesso e à excelência dos resultados cirúrgicos”.

A relevância desses procedimentos é tal que a prostatectomia radical robótica foi a primeira cirurgia robótica aprovada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) para o Sistema Único de Saúde (SUS), em agosto do ano passado. Posteriormente, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) incluiu o procedimento no rol de cobertura obrigatória, com vigência a partir de 1º de abril de 2026, ampliando o acesso a essa tecnologia de ponta para um número maior de brasileiros. Acesse mais informações sobre a aprovação da Conitec.

O caminho da telecirurgia: de experimentos a marcos continentais

O protagonismo da Paraíba na telecirurgia não é recente. Em outubro do ano passado, durante a Convenção Nacional Unimed em João Pessoa, foi realizada, em modelo animal, a primeira telecirurgia robótica do mundo utilizando internet de baixo custo. Esse marco chamou a atenção internacional por sua capacidade de tornar a tecnologia mais acessível e escalável.

O Hospital Alberto Urquiza Wanderley tem sido palco de uma série de inovações. Em 19 de março deste ano, foi realizada a primeira telecirurgia cardíaca robótica do continente americano. No dia seguinte, ocorreram dois procedimentos inéditos na América Latina: uma telecirurgia bariátrica e uma ginecológica. Nesses casos, os pacientes e o robô estavam em João Pessoa, enquanto os cirurgiões atuavam remotamente a partir de Curitiba, a mais de 3.200 quilômetros de distância. Esses eventos demonstram a consistência e a evolução da expertise local em telecirurgia.

O futuro da medicina digital e o papel da Paraíba

Mais do que um feito tecnológico isolado, a transmissão da telecirurgia robótica para um congresso internacional simboliza uma mudança de paradigma na saúde. Ela aponta para a possibilidade real de levar medicina de alta complexidade a qualquer lugar, rompendo barreiras geográficas e ampliando o acesso a tratamentos de qualidade. A Paraíba, com seu investimento em tecnologia e a colaboração de instituições como a Unimed, Edge Medical e Grupo Bhio Supply, está na linha de frente dessa revolução, pavimentando o caminho para um futuro onde a distância não será mais um impedimento para a excelência médica.

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