A Justiça da Paraíba decidiu manter a prisão de Carlos Eliezer Pereira de Carvalho, o motorista de ônibus suspeito de atropelar e matar o motociclista Matheus de Souza Soares, de 26 anos, após uma discussão de trânsito em João Pessoa. A determinação judicial foi proferida nesta quinta-feira (24), durante audiência de custódia, e Carlos Eliezer foi encaminhado para a Penitenciária Desembargador Flóscolo da Nóbrega, conhecida como presídio do Róger, na capital.
O caso, que chocou a população paraibana, ganhou repercussão após imagens de câmeras de segurança mostrarem o ônibus avançando em direção ao motociclista, levantando a suspeita de homicídio doloso, ou seja, com intenção de matar. Além da vítima fatal, o incidente deixou outras duas pessoas feridas, que foram socorridas e levadas ao Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa.
A decisão judicial e os próximos passos da investigação
A manutenção da prisão de Carlos Eliezer Pereira de Carvalho reflete a gravidade das acusações e a necessidade de garantir a ordem pública e a instrução criminal. Além de determinar que o motorista de ônibus permaneça detido, a Justiça ordenou a coleta de material biológico do suspeito, a ser realizada pelo Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC) em um prazo de dez dias. Este procedimento é padrão em investigações criminais e visa a obtenção de provas que possam auxiliar no esclarecimento dos fatos.
A defesa de Carlos Eliezer, procurada pela Rede Paraíba de Comunicação, optou por não se pronunciar sobre a decisão judicial até o momento. O motorista está preso desde a quinta-feira (23), dia em que o atropelamento ocorreu, e agora aguarda os desdobramentos da investigação que o apura por homicídio doloso e lesões corporais.
A controvérsia sobre a intencionalidade do ato
O delegado Douglas García, responsável pelas investigações preliminares, foi enfático ao afirmar que o caso não se trata de um mero acidente de trânsito. Segundo García, as evidências apontam para um homicídio doloso, onde o ônibus foi utilizado como “instrumento do crime”. Essa classificação é crucial, pois implica que o motorista agiu com a intenção de causar a morte ou assumiu o risco de produzi-la.
O depoimento de Carlos Eliezer à polícia, no entanto, apresentou inconsistências. Inicialmente, ele alegou não ter sentido o impacto e só ter sido alertado pelos passageiros sobre o ocorrido. Posteriormente, mencionou uma “gritaria” dentro do veículo. O delegado ressaltou que a versão “desencontrada” do suspeito chamou a atenção da equipe de investigação. Testemunhas também foram ouvidas formalmente, e as imagens das câmeras de segurança são peças-chave para a elucidação do ocorrido.
O contexto do incidente e as vítimas envolvidas
O trágico atropelamento aconteceu no bairro do Cuiá, localizado na Zona Sul de João Pessoa, na tarde da última quinta-feira (23). A vítima fatal, Matheus de Souza Soares, de 26 anos, teve sua vida interrompida de forma abrupta. Além dele, outras duas pessoas foram atingidas e ficaram feridas. Uma das vítimas, de 56 anos, já recebeu alta hospitalar, enquanto a outra, de 29 anos, permanece internada em estado estável, conforme informações do Hospital de Emergência e Trauma da capital.
Antes da prisão do motorista, o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de João Pessoa (Sintur-JP) havia emitido uma nota preliminar, informando que, segundo o relato do condutor, não houve discussão. A entidade alegou que o ônibus trafegava dentro do limite de velocidade e que o motociclista teria caído à frente do veículo, impossibilitando a reação do motorista. No entanto, a Polícia Civil e as imagens contradizem essa versão, apontando para uma ação intencional. Uma nova solicitação de posicionamento à Sintur-JP pela Rede Paraíba não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
A perícia e as evidências encontradas
Uma perícia detalhada foi realizada tanto no local do incidente quanto no ônibus envolvido. O perito Fabrício Menezes, do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB), confirmou que a vítima fatal foi arrastada por alguns metros pelo veículo. A perícia no ônibus, que só pôde ser feita posteriormente, já que o motorista fugiu da cena, revelou resquícios de massa encefálica no pneu esquerdo traseiro e danos significativos na lataria dianteira do coletivo.
Essas evidências corroboram a tese da Polícia Civil de que a ação foi deliberada e violenta, transformando o veículo de transporte público em uma arma. O caso levanta discussões importantes sobre a segurança no trânsito, a gestão da raiva e as responsabilidades dos condutores, especialmente aqueles que operam veículos de grande porte e transportam vidas diariamente.
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