A capital paraibana, João Pessoa, enfrenta um cenário de preocupação crescente com a sífilis, uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) que, se não tratada adequadamente, pode acarretar sérias consequências à saúde. Os dados recentes divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) acendem um alerta para a necessidade de intensificar as ações de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento oportuno na Rede Municipal de Saúde.
Em 2025, a cidade registrou um total alarmante de 2.306 novos casos de sífilis. O início de 2026 não mostra sinais de desaceleração, com 471 confirmações apenas nos primeiros quatro meses do ano, abrangendo as modalidades de sífilis adquirida, sífilis em gestantes e sífilis congênita. Diante desses números, a Prefeitura de João Pessoa, por meio da SMS, reforça a importância de medidas preventivas para interromper a cadeia de transmissão e garantir mais qualidade de vida à população.
A Sífilis: Uma Ameaça Silenciosa à Saúde Pública
A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e sua transmissão ocorre principalmente por meio de relações sexuais desprotegidas – vaginais, anais ou orais. Além disso, a doença pode ser transmitida verticalmente, da mãe para o bebê, durante a gestação ou o parto, resultando na grave sífilis congênita. O contato direto com feridas infecciosas também é uma via de contaminação.
A enfermeira técnica da área de ISTs da SMS, Millena Hilário, enfatiza a natureza insidiosa da doença: “A sífilis é uma doença silenciosa, mas que pode trazer consequências graves se não tratada. Muitas vezes, a pessoa não apresenta sintomas e continua transmitindo sem saber. Mas tem cura, o diagnóstico é simples, rápido e, assim como o tratamento, é feito pelo SUS”. Essa característica torna o diagnóstico precoce ainda mais crucial para evitar complicações como problemas neurológicos, cardíacos e ósseos, além de desfechos negativos na gestação.
Números Preocupantes e o Impacto na Capital Paraibana
Os dados detalhados da SMS revelam a dimensão do desafio em João Pessoa. Em 2025, dos 2.306 casos totais, 1.643 foram de sífilis adquirida, 560 em gestantes e 103 em bebês, caracterizando a sífilis congênita. A sífilis congênita é particularmente preocupante, pois pode causar aborto espontâneo, prematuridade, baixo peso ao nascer, malformações e até a morte do recém-nascido.
No período de janeiro a abril de 2026, os números continuam a demandar atenção: 353 casos de sífilis adquirida, 89 em gestantes e 29 casos de sífilis congênita. Esses indicadores reforçam a necessidade de campanhas contínuas de conscientização e aprimoramento do acesso aos serviços de saúde, especialmente para as populações mais vulneráveis.
Estratégias de Combate e Acesso ao Tratamento no SUS
A Rede Municipal de Saúde de João Pessoa está estruturada para oferecer o cuidado completo da sífilis. Os serviços estão disponíveis nas Unidades de Saúde da Família (USFs) e no Serviço de Assistência Especializada – Centro de Testagem e Aconselhamento (SAE/CTA). Nesses locais, a população tem acesso facilitado à testagem rápida, que oferece resultados em 15 a 20 minutos, e ao diagnóstico preciso.
Em caso de resultado positivo, o tratamento com penicilina benzatina é iniciado imediatamente, de forma gratuita, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Além da medicação, os pacientes recebem todo o acompanhamento necessário e orientações de profissionais capacitados até a cura. Um aspecto fundamental do controle da doença é o tratamento das parcerias sexuais, medida essencial para interromper a cadeia de transmissão e evitar reinfecções.
A Importância da Prevenção e do Diagnóstico Precoce
A prevenção é a principal ferramenta contra a sífilis. A enfermeira Millena Hilário reitera as orientações cruciais para a população: “Entre as principais orientações à população, estão o uso de preservativos em todas as relações sexuais, a realização periódica de testes para detecção de infecções sexualmente transmissíveis, especialmente em situações de risco, e a adesão ao pré-natal completo no caso de gestantes, que precisam redobrar o cuidado, pois a doença pode afetar o bebê. A sífilis tem cura, mas exige diagnóstico e tratamento adequados, por isso, previnam-se e busquem a unidade de saúde mais próxima e cuidem da saúde”.
O acesso aos serviços é gratuito e pode ser feito diretamente na unidade de saúde onde o usuário está cadastrado, sem burocracia. A conscientização sobre os riscos, a importância do sexo seguro e a busca ativa por testagem são pilares para reverter o cenário de aumento de casos em João Pessoa e proteger a saúde coletiva. Para mais informações sobre a sífilis e outras ISTs, consulte o Ministério da Saúde.
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