O senador Jaques Wagner (PT-BA) procurou o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), dias antes de ser o principal alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. O objetivo do parlamentar era apresentar sua versão dos fatos sobre a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que é investigado por supostas vantagens financeiras.
O encontro, ocorrido uma semana antes da operação, foi revelado pelo jornal O Globo e confirmado pela Gazeta do Povo com fontes próximas à investigação. A ação da Polícia Federal resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão nas residências do senador em Brasília e em Salvador, onde foram apreendidos o equivalente a R$ 471 mil em notas de dólar e euro.
Wagner Buscou Esclarecimentos Antes da Operação
A iniciativa de Jaques Wagner de buscar o ministro do STF antes da operação gerou desconfiança entre os investigadores da Polícia Federal. Segundo apurações, outras pessoas ligadas ao governo também teriam procurado Mendonça para discutir o avanço das investigações envolvendo o Banco Master, indicando uma possível articulação prévia.
O senador buscou explicar pessoalmente sua conexão com o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro, e as supostas irregularidades nos contratos firmados por sua nora, Bonnie de Bonilha, com empresas ligadas ao Banco Master. Além disso, Wagner defendeu a implantação do Credcesta na Bahia, um dos pontos de interesse da investigação.
As Acusações e a Rede de Contatos
Na decisão que autorizou a Operação Compliance Zero, o ministro André Mendonça destacou que Augusto Lima atuou como um canal de interlocução entre o senador e Vorcaro. Essa comunicação focava em assuntos estratégicos para o Banco Master, como o andamento de articulações para a instalação de uma CPI no Congresso e a tentativa de venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB), posteriormente barrada pelo Banco Central.
A Polícia Federal aponta que a relação entre Wagner e Augusto Lima era marcada por um “elevado grau de confiança pessoal”. Essa proximidade teria criado um ambiente propício para tratativas reservadas em prol dos interesses privados do Banco Master, levantando suspeitas sobre a conduta do parlamentar.
Envolvimento na Privatização da Ebal e Outros Benefícios
As investigações também indicam que, em 2018, Augusto Lima participou de articulações relacionadas à privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), período em que Jaques Wagner ocupava um cargo no governo da Bahia. Após o primeiro leilão não atrair interessados, Lima teria sugerido a inclusão de um cartão de benefícios consignado no edital, iniciativa que deu origem ao Credcesta, posteriormente vinculado ao Banco Master.
A Polícia Federal identificou ainda indícios de que o senador teria recebido pagamentos do Banco Master por meio da empresa de sua nora, realizado viagens frequentes em aeronaves de empresas ligadas a Vorcaro e sido beneficiado com um apartamento em Salvador avaliado em R$ 2,45 milhões. Após a operação, Wagner reconheceu que o imóvel foi comprado por Augusto Lima, mas afirmou que seria destinado à sua filha. Em relação ao dinheiro encontrado em suas residências, o senador justificou que seriam diárias de viagem pagas pelo Senado e pela compra legal de moeda estrangeira.
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Fonte: gazetadopovo.com.br

















