Atrasos em sessões de hemodiálise em Campina Grande geram denúncias e apreensão entre pacientes

Pacientes que dependem de sessões de hemodiálise pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital Antônio Targino, em Campina Grande, denunciaram na última quarta-feira (6) atrasos significativos nos procedimentos. A situação tem gerado grande apreensão e preocupação, pois a interrupção desse tratamento vital pode acarretar sérias consequências à saúde dos indivíduos com funcionamento renal comprometido.

A hemodiálise é um processo essencial que substitui as funções dos rins, filtrando o sangue e removendo toxinas e excesso de líquidos do corpo. Geralmente, o tratamento é realizado três vezes por semana, e qualquer atraso pode desestabilizar gravemente o quadro clínico dos pacientes, que já enfrentam condições de saúde delicadas.

A Urgência do Tratamento de Hemodiálise e o Clamor dos Pacientes

A gravidade da situação foi expressa por Lourdes Gomes, uma das mais de 80 pessoas afetadas pelos atrasos. Em um depoimento emocionado, ela ressaltou o risco iminente à vida dos pacientes. “Sem esse tratamento, a tendência é a morte se a gente passar nem que seja duas sessões sem fazer hemodiálise. A gente está falando aqui porque está arriscando a nossa vida”, afirmou, evidenciando o desespero de quem depende da máquina para viver.

A interrupção das sessões de hemodiálise pode levar ao acúmulo de substâncias tóxicas no organismo, causando inchaço, falta de ar, arritmias cardíacas e, em casos extremos, coma e óbito. A rotina de tratamento é rigorosa e qualquer falha na sua execução representa uma ameaça direta à sobrevivência dos pacientes renais crônicos.

O Drama Familiar e a Busca por Respostas

O impacto dos atrasos também foi sentido por Dona Juraci, mãe de um paciente que não conseguiu realizar o tratamento. O filho dela, cuja última sessão ocorreu no sábado (2), tem sofrido intensamente. “Passando mal, sem conseguir dormir à noite, com falta de ar. Falaram que a gente viesse hoje para fazer, aí chegamos e não tem. Vai levar para casa para morrer? É triste, porque você depende de uma máquina para sobreviver”, desabafou à TV Paraíba, ilustrando a angústia que muitas famílias estão vivenciando.

O Hospital Antônio Targino, embora seja uma unidade privada, presta serviços de hemodiálise ao SUS por meio de um convênio. A direção da unidade alegou que a suspensão dos atendimentos se deve à falta de insumos, cuja responsabilidade de fornecimento seria da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Campina Grande. A SMS foi procurada pelo g1 e informou que se posicionaria sobre o assunto em breve, gerando expectativa por uma solução.

Contexto e Implicações para a Saúde Pública

A situação em Campina Grande reflete um desafio recorrente no sistema de saúde público brasileiro: a garantia da continuidade de tratamentos de alta complexidade. A dependência de insumos e a gestão da cadeia de suprimentos são cruciais para evitar interrupções que afetam diretamente a vida dos pacientes. A falta de planejamento ou problemas logísticos podem ter consequências devastadoras, especialmente em procedimentos como a hemodiálise, que não admitem pausas.

Casos como este acendem um alerta sobre a necessidade de maior fiscalização e transparência na gestão dos recursos e convênios entre o poder público e as unidades de saúde privadas. A população, que já enfrenta a fragilidade da doença, não pode ser penalizada por falhas administrativas ou burocráticas que comprometem o acesso a tratamentos essenciais.

A Importância da Continuidade e os Próximos Passos

A continuidade do tratamento de hemodiálise é um direito fundamental e uma questão de saúde pública. A mobilização dos pacientes e de seus familiares é um reflexo da urgência em encontrar uma solução definitiva para o problema. É esperado que a Secretaria Municipal de Saúde de Campina Grande apresente um plano de ação claro e imediato para restabelecer o fornecimento de insumos e normalizar os atendimentos no Hospital Antônio Targino.

A resolução rápida deste impasse é crucial para garantir a segurança e a vida dos mais de 80 pacientes que dependem diariamente desse procedimento. A sociedade e os órgãos de controle aguardam um posicionamento e medidas efetivas para que situações como esta não se repitam, assegurando que o direito à saúde seja plenamente respeitado.

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