Uma mulher identificada como Ana Karolina denunciou, no último sábado (11), um suposto erro grave durante a realização de um exame toxicológico obrigatório para a emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). O incidente ocorreu em um laboratório de análises clínicas na cidade de Sapé, Zona da Mata da Paraíba, onde a candidata teve parte de seu cabelo raspado de forma que considerou inadequada, gerando dor e constrangimento. A denúncia foi feita por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, onde ela relatou os detalhes do procedimento.
Desde maio deste ano, o exame toxicológico se tornou uma exigência para todos os candidatos à primeira habilitação, conforme determinação da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). A medida visa comprovar que o futuro condutor não faz uso de substâncias psicoativas, buscando aumentar a segurança no trânsito.
O Relato da Candidata e o Procedimento Questionado
Ana Karolina detalhou em seu vídeo que o procedimento de coleta do material foi realizado de maneira inadequada. Segundo ela, foram retiradas duas grandes mechas de cabelo, uma na parte central da cabeça e outra na lateral, quando o esperado era uma única coleta em menor quantidade. A situação causou-lhe dor e um impacto significativo em sua autoestima.
A candidata relatou que a coleta precisou ser repetida após a profissional responsável informar que um dos envelopes para armazenar a amostra havia sido rasgado. “Ela tirou meu cabelo duas vezes, onde era para ter tirado só uma, e em menor quantidade. Ainda queria retirar uma terceira mecha, alegando que não iria valer”, afirmou Ana Karolina.
Ela questionou a necessidade de uma nova retirada de cabelo, sugerindo a substituição do envelope danificado. Após sua insistência, a profissional teria concordado em encaminhar a amostra mesmo com o pequeno rasgo. Ao chegar em casa, Ana Karolina percebeu a dimensão da área raspada e classificou a coleta como desnecessária. Ela também mencionou que sentiu dor durante o exame, que foi registrado em vídeo, e que a profissional a orientou a manter o cabelo preso para esconder a região afetada.
Laboratório Admite Falha e Contesta Suporte
Após a repercussão do caso nas redes sociais, o laboratório responsável pela coleta emitiu uma nota pública. Na manifestação, a empresa informou ter realizado uma apuração interna e identificado uma falha no procedimento. O laboratório afirmou que a situação não reflete seus valores e pediu desculpas pelo ocorrido, declarando que entrou em contato com a paciente para oferecer assistência.
No entanto, Ana Karolina contestou a informação do laboratório, afirmando que não recebeu qualquer suporte da empresa. Ela relatou que, na manhã desta segunda-feira (13), retornou ao laboratório para buscar documentos e informou que registraria um Boletim de Ocorrência (B.O.) sobre o caso. O portal PB em Rede tentou contato com o laboratório para obter um posicionamento atualizado sobre as alegações da paciente, mas não obteve retorno até o momento da publicação desta reportagem.
A Obrigatoriedade do Exame Toxicológico para CNH
A exigência do exame toxicológico CNH, que antes era aplicada principalmente às categorias C, D e E, foi estendida aos candidatos às categorias A, B e AB a partir de maio deste ano. A medida, determinada pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), busca garantir que todos os novos motoristas cadastrados no Registro Nacional de Condutores Habilitados (Renach) apresentem resultado negativo para substâncias psicoativas antes da emissão da CNH.
É importante ressaltar que a obrigatoriedade não se aplica aos candidatos que já haviam emitido o registro no Renach antes da data estabelecida pelo órgão. A iniciativa visa aprimorar a segurança viária e prevenir acidentes relacionados ao uso de drogas por condutores.
Como Funciona o Exame Toxicológico
O exame toxicológico exigido para a emissão da CNH deve ser realizado exclusivamente em laboratórios credenciados pela Senatran ou em postos de coleta vinculados a esses estabelecimentos. A coleta não pode ser feita em locais sem credenciamento, como residências ou unidades móveis. Geralmente, o material utilizado é uma pequena mecha de cabelo, retirada próxima à raiz. Em casos de ausência de cabelo suficiente, podem ser usados pelos do corpo ou, em situações específicas, unhas.
O procedimento padrão prevê a coleta de duas amostras: uma para análise laboratorial e outra armazenada para uma eventual contraprova, caso o candidato queira contestar o resultado. Após a coleta, o laboratório tem até 15 dias para emitir o laudo e registrar o resultado no Renach. O exame possui validade de 90 dias e é capaz de identificar o consumo de substâncias psicoativas em um período de aproximadamente três meses anteriores à coleta.
Os laboratórios que realizam o exame devem seguir normas técnicas estabelecidas pela Senatran e estão sujeitos à fiscalização dos órgãos de trânsito, podendo sofrer penalidades em caso de descumprimento das regras. Para mais informações sobre o procedimento, consulte o portal oficial da Senatran: gov.br/senatran.
Substâncias Detectáveis e Aplicações do Exame
Este método de análise permite identificar o consumo de substâncias psicoativas ao longo de aproximadamente 90 dias ou mais, sendo considerado um dos exames de maior alcance para detectar o uso retrospectivo de drogas. Entre as substâncias que podem ser identificadas estão maconha, cocaína, anfetaminas, ecstasy, LSD, heroína e morfina, entre outras.
Além da emissão da CNH, o exame toxicológico também pode ser utilizado em processos admissionais, investigações judiciais, acompanhamento de tratamentos para dependência química e em casos de suspeita de intoxicação ou overdose, demonstrando sua versatilidade e importância em diversas áreas.
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