O cenário do rádio esportivo de Minas Gerais e do Brasil perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas neste sábado, 16 de março. O narrador e apresentador Milton Naves faleceu aos 70 anos de idade, deixando um legado de quatro décadas dedicadas à paixão pelo esporte e à comunicação. A notícia foi confirmada pela família do profissional, que fez uma publicação no perfil de Naves na rede social X, embora a causa da morte não tenha sido revelada publicamente.
A partida de Milton Naves representa uma lacuna significativa para os ouvintes e colegas de profissão, que por anos acompanharam sua voz marcante e seu estilo inconfundível. Sua trajetória, em grande parte construída na Rádio Itatiaia, se confunde com a própria história do jornalismo esportivo mineiro, narrando momentos que se tornaram inesquecíveis para gerações de torcedores.
Milton Naves: A trajetória de uma voz inesquecível
Nascido em Ilicínea, Minas Gerais, em 26 de dezembro de 1955, Milton Amaral Naves iniciou sua jornada na comunicação ainda muito jovem. Sua infância foi marcada pela mudança para Alfenas, também no sul do estado, onde o sonho de se tornar narrador esportivo começou a tomar forma. Aos 17 anos, pela Rádio Cultura, ele realizou esse desejo, em um momento que ficaria gravado em sua memória e na história do rádio local.
A primeira transmissão de Naves foi um marco: um jogo amistoso entre Flamengo e Caldense, em 1977, que celebrou a inauguração do Estádio Francisco Leite Vilela. Este evento não apenas abriu as portas para sua carreira, mas também demonstrou o talento e a paixão que o acompanhariam por toda a vida. A frase que o consagraria, “Estou fazendo o que gosto, transmitindo um jogo de bola”, já ecoava em seu espírito desde os primeiros passos.
O legado de quatro décadas na Rádio Itatiaia
Dois anos após sua estreia, Milton Naves fez a transição para a capital mineira, Belo Horizonte, trabalhando brevemente na Rádio Guarani antes de chegar à Rádio Itatiaia, aos 21 anos. Foi na Itatiaia que ele consolidou sua carreira e eternizou o bordão “Show de Bola”, que se tornou sua marca registrada. Sua voz acompanhou os principais eventos do futebol nacional e internacional por mais de quatro décadas, tornando-se uma referência para os amantes do esporte.
A lista de coberturas de Milton Naves é impressionante: ele esteve presente em 13 Copas América e nove Copas do Mundo, desde a edição de 1982 até a de 2018. Cobriu seis finais de Mundiais, incluindo a histórica conquista do pentacampeonato mundial pela Seleção Brasileira em 2002, no Japão. Além disso, narrou a inédita medalha de ouro olímpica do futebol masculino nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, momentos que estão gravados na memória afetiva de milhões de brasileiros. Até 2022, Naves também foi apresentador do Rádio Esportes, um tradicional programa esportivo da hora do almoço na emissora.
Repercussão e homenagens do futebol mineiro
A notícia do falecimento de Milton Naves gerou uma onda de comoção e homenagens nas redes sociais, especialmente por parte dos principais clubes de futebol de Minas Gerais. Cruzeiro e Atlético-MG, por exemplo, destacaram a presença constante e a voz inconfundível do profissional na cobertura das partidas de seus times, reconhecendo sua importância para a narrativa esportiva que acompanhou suas glórias e desafios.
O América-MG também se manifestou, ressaltando que o apresentador eternizou “momentos inesquecíveis” da história do clube. A homenagem do Coelho citou especificamente a narração do gol que selou a conquista do título brasileiro da Série B em 1997, um exemplo claro de como a voz de Naves se entrelaçou com as emoções e as memórias dos torcedores. O velório de Milton Naves ocorreu no Funeral House, na Avenida Afonso Pena, 2158, bairro Funcionários, em Belo Horizonte, até as 19h deste sábado, com o corpo sendo posteriormente cremado, conforme informações da Agência Brasil.
Um ícone que deixa saudades no jornalismo esportivo
A partida de Milton Naves deixa um vazio no jornalismo esportivo, mas sua voz e seu legado permanecerão vivos na memória de todos que o acompanharam. Ele foi mais do que um narrador; foi um contador de histórias, um companheiro de jornadas e um apaixonado pelo esporte que soube transmitir essa paixão a cada palavra. Seu estilo único e sua dedicação ao rádio inspiraram muitos e deixaram uma marca indelével na comunicação brasileira.
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