Um dos eventos mais aguardados da agenda cultural de João Pessoa, o “Arraiá do Henry”, promovido pelo cantor Henry Freitas, foi abruptamente interrompido na noite da última sexta-feira (15). A ação, conduzida pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), ocorreu após uma denúncia de suposta poluição sonora, culminando no encerramento antecipado do espetáculo e gerando grande repercussão entre fãs e organizadores. O incidente reacende o debate sobre os limites e a fiscalização de eventos em áreas urbanas, bem como o equilíbrio entre o entretenimento e o bem-estar da comunidade.
O próprio Henry Freitas utilizou suas redes sociais na tarde de sábado (16) para expressar seu lamento pelo ocorrido. Em um vídeo, o artista descreveu o episódio como “triste”, mas fez questão de agradecer a compreensão e o apoio de seus fãs. “Episódio triste ontem, mas Deus é o dono de tudo, sabe de todas as coisas. Obrigado pelas mensagens de apoio. E não vou deixar nunca, se Deus permitir, de fazer shows em João Pessoa e cantar para vocês. É um estado que eu amo. Postei ontem falando sobre isso, que a Paraíba foi o primeiro estado que me abraçou e vocês moram no meu coração”, declarou o cantor, reforçando seu carinho pelo estado e pelo público paraibano.
A Controvérsia em Torno da Poluição Sonora e o Embargo
A interrupção do “Arraiá do Henry” não foi um evento isolado, mas o desfecho de uma série de acontecimentos e decisões. De acordo com a Sudema, a medida foi tomada em resposta a uma requisição do Ministério Público da Paraíba (MPPB), inserida em uma ação integrada de fiscalização que envolveu diversos órgãos. A autarquia ambiental afirmou que suas equipes estiveram no local do evento ainda na tarde de sexta-feira (15) para verificar a regularidade ambiental e orientar os responsáveis sobre os limites de emissão sonora, conforme a legislação e as condicionantes da licença apresentada. Para mais detalhes sobre a atuação de órgãos ambientais em eventos, você pode consultar fontes como o G1 Paraíba.
No entanto, a organização do evento, por meio da assessoria jurídica da casa de espetáculos Lagoon Celebration, apresentou uma versão que adiciona camadas de complexidade ao caso. Segundo a casa, eles já haviam recebido um embargo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de João Pessoa (Semam) durante a tarde de sexta-feira. Contudo, a organização alegou ter obtido uma autorização judicial por meio de um mandado de segurança, o que lhes permitiria manter a festa, iniciada às 19h, conforme o planejado.
A Ação da Sudema e as Alegações de Perseguição
A situação escalou por volta de 0h30 da madrugada de sábado (16), quando equipes da Sudema chegaram ao local, supostamente após uma nova denúncia, e determinaram o encerramento imediato do evento. A organização do Lagoon Celebration contestou a ação, afirmando que não houve notificação prévia sobre a operação da Sudema e classificou a situação como uma “perseguição infundada”. Eles relataram que, apesar de questionarem a abordagem, foram informados de que a decisão já estava tomada e, em respeito às autoridades, os aparelhos de som foram desligados.
A Sudema, por sua vez, manteve sua posição, informando que as aferições técnicas realizadas durante a festa constataram níveis de emissão sonora acima dos limites permitidos, caracterizando a poluição sonora como um crime ambiental. Diante dessa constatação, o órgão aplicou as medidas administrativas cabíveis, que incluem autuação, embargo da atividade e apreensão da fonte sonora, resultando no encerramento do evento.
Impacto no Cronograma e Futuros Desdobramentos
A interrupção do “Arraiá do Henry” não afetou apenas o anfitrião da festa. Outros artistas renomados, como Ranniery Gomes, Kadu Martins e Rai Saia Rodada, já haviam se apresentado. Henry Freitas, que encerraria a programação da noite, estava no camarim aguardando sua vez quando o show foi paralisado. A organização do Lagoon Celebration informou que tentou, sem sucesso, obter um novo mandado de segurança por volta de 1h30 da madrugada, mas não obteve resposta judicial devido ao horário. A casa de eventos afirmou que adotará todas as medidas judiciais cabíveis para contestar a decisão.
Enquanto a questão legal se desenrola, a organização do evento prometeu anunciar nos próximos dias as medidas relacionadas ao ressarcimento dos clientes ou a uma possível remarcação do “Arraiá do Henry”. O incidente em João Pessoa, contudo, não impediu a continuidade da agenda do cantor, que realizou outra edição do evento em Recife neste sábado (16), demonstrando a resiliência da indústria musical diante de imprevistos.
O caso de Henry Freitas em João Pessoa sublinha a tensão constante entre a efervescência cultural dos grandes eventos e a necessidade de garantir o sossego público e o cumprimento das normas ambientais. É um cenário que exige diálogo contínuo e soluções que contemplem tanto o direito ao lazer quanto o direito a um meio ambiente equilibrado.
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