A recente decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de exigir que Flávio Bolsonaro (PL) entregue seus passaportes, logo após a confirmação de sua derrota presidencial, intensificou a urgência da oposição em se unir para liderar o Senado em 2027. A disputa pelo comando da Casa é vista como crucial para a oposição, que busca resistir ao que considera uma perseguição do STF à direita desde 2019.
Movimentação política e estratégia da oposição
Os deputados Maurício Marcon (PL-RS) e Carlos Jordy (PL-RJ) argumentam que a retenção dos passaportes de Flávio Bolsonaro é uma evidência de perseguição política. Eles acreditam que isso poderia ser usado como moeda de troca contra um possível impeachment de Moraes, uma pauta que ganhou força antes das eleições.
A rápida ação de Moraes nos inquéritos contra Flávio, ignorando até mesmo o Ministério Público, é vista como uma tentativa desesperada de autopreservação. A oposição acredita que isso pode abrir espaço para negociações no Senado, especialmente em relação aos condenados pelo evento de 8 de janeiro.
Desafios para a liderança do Senado
Com 28 senadores eleitos para 2027, o Partido Liberal (PL) terá a maior bancada no Senado em décadas, mas ainda insuficiente para controlar a Casa sozinho. O desafio da direita é transformar afinidades eleitorais com a centro-direita em compromissos firmes para a eleição da Mesa Diretora do Senado.
A pauta do impeachment de ministros do STF foi central na escolha dos eleitores por senadores do PL e outros partidos, principalmente no Sul e Sudeste. A primeira missão dos eleitos é eleger o presidente do Senado, que tem o poder de pautar o afastamento de magistrados.
Alianças e articulações no Congresso
O atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), é visto como um obstáculo para o impeachment de ministros do STF. Apesar de pelo menos 49 senadores apoiarem o afastamento, seriam necessários 54 votos para a condenação. Antes disso, a presidência do Senado precisa ser decidida.
Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS) são os principais nomes da oposição para a disputa. Marinho já tentou diálogo com o STF, mas o tom mudou após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que apoia Alcolumbre e Hugo Motta (Republicanos-PB) para o comando do Congresso em 2027.
Pressões e expectativas para 2027
O apoio oficial das cúpulas de União Brasil e PP a Alcolumbre é visto pela oposição como resultado de pressão de Moraes, que já havia mediado a reaproximação de Alcolumbre com Lula. A articulação do Centrão e do Palácio do Planalto pressiona parlamentares, incluindo Tereza Cristina.
Nesse cenário, a oposição busca antecipar a escolha de um nome e exigir compromissos públicos. Marcon defende a declaração dos votos de cada senador para o novo comando do Senado, elevando o custo político de apoiar Alcolumbre perante o eleitorado conservador.
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Fonte: gazetadopovo.com.br




















