O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência de João Pessoa (Samu-JP) emitiu um alerta crucial nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, com orientações detalhadas sobre como a população da Capital deve agir diante de casos de engasgo. A iniciativa visa capacitar os cidadãos a responderem rapidamente a essa emergência, que pode ocorrer a qualquer momento e com qualquer pessoa, salvando vidas através de intervenções corretas e imediatas.
Situações de engasgo, causadas pela obstrução das vias aéreas por alimentos, brinquedos, moedas ou outros objetos, impedem a passagem do ar e exigem ação rápida. O conhecimento das manobras adequadas e o acionamento correto do serviço de emergência são decisivos para um desfecho favorável.
Identificando a Gravidade do Engasgo
O enfermeiro Ricardo Leite, coordenador do Núcleo de Educação Permanente (NEP) do Samu Regional de João Pessoa, explica que o primeiro passo é identificar a gravidade da situação. Uma obstrução parcial permite que a vítima consiga tossir, falar ou respirar, mesmo com dificuldade.
Nesses casos, a orientação é incentivar a tosse contínua, sem oferecer água, alimentos ou tentar remover o objeto com os dedos, pois tais ações podem agravar a obstrução. A tosse é o mecanismo natural do corpo para expelir o objeto.
Já em casos de obstrução grave, a vítima não consegue falar, tossir ou respirar, leva as mãos ao pescoço, demonstra sinais de desespero e pode apresentar coloração arroxeada nos lábios e na pele (cianose). Esta é uma situação que exige atendimento imediato.
Acionamento do Samu e Novas Diretrizes
Ao identificar um quadro de engasgo grave, a primeira atitude é ligar imediatamente para o Samu, discando 192. Caso haja outra pessoa presente, ela deve ser solicitada a fazer a ligação enquanto o socorro é iniciado por quem está prestando auxílio.
A Central de Regulação Médica do Samu permanece na linha, orientando o passo a passo das manobras de desobstrução das vias aéreas. Simultaneamente, uma equipe de emergência é enviada ao local. Essas orientações por telefone são decisivas para aumentar as chances de sobrevivência da vítima até a chegada do atendimento especializado.
As diretrizes da American Heart Association (AHA) 2025 trouxeram uma importante atualização no atendimento ao engasgo. A recomendação atual é iniciar o atendimento com cinco tapas firmes entre as escápulas (nas costas). Caso o objeto não seja expelido, devem ser realizadas cinco compressões abdominais, conhecidas como manobra de Heimlich. Para mais informações sobre as diretrizes, consulte o site da American Heart Association.
O coordenador do NEP do Samu-JP, Ricardo Leite, ressalta que, se a vítima do engasgo ficar inconsciente, as manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) devem ser iniciadas imediatamente. O contato com a Central de Regulação pelo 192 deve ser mantido para que os profissionais continuem orientando os procedimentos até a chegada da equipe de emergência.
Engasgo em Bebês: Cuidados Específicos
Para crianças menores de um ano, a conduta em casos de engasgo é diferente e exige atenção especial. Devem ser realizados cinco golpes firmes e rápidos no meio das costas, entre as escápulas, utilizando a base da mão. O bebê deve estar apoiado de bruços sobre o antebraço do socorrista, com a cabeça posicionada mais baixa que o tronco.
Se os golpes nas costas não resolverem a obstrução, o bebê deve ser virado de barriga para cima, com a cabeça cuidadosamente apoiada e mantida mais baixa que o corpo, sobre o outro antebraço. Com a base da mão, e não apenas dois dedos, devem ser feitas cinco compressões torácicas rápidas e firmes no centro do peito, na linha dos mamilos.
Ricardo Leite enfatiza a importância de alternar continuamente esses dois ciclos (golpes nas costas e compressões torácicas) até a desobstrução. O acionamento do Samu 192 deve ser mantido, seguindo as orientações fornecidas pelos profissionais da Central de Regulação.
Prevenção: A Melhor Estratégia Contra o Engasgo
Grande parte dos casos de engasgo pode ser evitada com a adoção de medidas simples e preventivas no dia a dia. Cortar os alimentos em pedaços pequenos, especialmente para crianças e idosos, é uma prática fundamental. Evitar conversar, rir ou correr durante as refeições também diminui significativamente o risco.
A supervisão atenta de crianças pequenas enquanto comem e a manutenção de objetos pequenos, como moedas ou peças de brinquedo, fora do alcance dos menores são outras estratégias essenciais. O conhecimento em primeiros socorros faz toda a diferença.
Ricardo Leite destaca que saber identificar um engasgo, acionar rapidamente o Samu e iniciar as manobras corretas pode ser decisivo entre a vida e a morte. A orientação da Central de Regulação, aliada ao atendimento especializado, aumenta significativamente as chances de um desfecho favorável.
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