A Defesa Civil de João Pessoa realizou, nesta sexta-feira (15), a interdição de 12 elevadores no residencial Reserve Altiplano 2. A medida preventiva surge em um cenário de crescente preocupação com a segurança de equipamentos de elevação na capital paraibana, especialmente após um grave acidente que deixou uma mulher paraplégica em um condomínio vizinho, construído pela mesma empresa.
A ação da Defesa Civil reflete a urgência em garantir a integridade dos moradores e usuários, estendendo a fiscalização a empreendimentos com características similares ao local do incidente. A decisão de interditar os elevadores do Reserve Altiplano 2 foi motivada por um pedido formal do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Paraíba (CREA-PB), sublinhando a colaboração entre órgãos fiscalizadores para a proteção da população.
A Urgência da Segurança de Elevadores e a Resposta das Autoridades
A interdição no Reserve Altiplano 2 ocorre um dia após a Defesa Civil já ter interditado os elevadores do condomínio onde o acidente trágico aconteceu, na quinta-feira (14). O coronel Kelson de Assis, coordenador da Defesa Civil Municipal, enfatizou a importância da medida para evitar novos incidentes e assegurar que os equipamentos operem dentro das normas de segurança exigidas. A construtora responsável, procurada pela reportagem, informou que a responsabilidade pela interdição e manutenção recai sobre a administração do condomínio, que não foi localizada para comentar.
O Acidente que Chocou a Cidade e Suas Consequências Humanas
O epicentro dessa série de interdições é o desabamento de um elevador ocorrido na última quarta-feira (13) em um condomínio no bairro do Altiplano. Dentro da cabine estavam uma mulher de 36 anos e seus dois filhos, de 3 e 5 anos. A mulher, que sofreu uma grave lesão na coluna, foi diagnosticada com paraplegia e passou por uma cirurgia na quinta-feira (14) no Hospital Nossa Senhora das Neves, apresentando quadro clínico estável. As crianças, por sua vez, foram atendidas no Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa e receberam alta com ferimentos leves.
A paciente, de nacionalidade surinamesa com família na Holanda, havia se mudado para João Pessoa com os filhos em busca do clima agradável da cidade, trabalhando em regime remoto. O diretor do Trauma, Laécio Bragante, confirmou o diagnóstico de paraplegia por meio de exames de tomografia e neurocirurgia, destacando a necessidade de uma cirurgia para estabilização da coluna. O resgate das vítimas, presas no fosso do elevador, foi iniciado pelos próprios moradores antes da chegada das equipes de socorro, evidenciando o desespero e a solidariedade da comunidade.
Histórico de Falhas e a Batalha Judicial por Segurança
O acidente não foi um evento isolado, mas o ápice de uma série de problemas. O condomínio onde ocorreu a queda já havia acionado a construtora GGP na Justiça antes mesmo do incidente, em um processo que tramita na 7ª Vara Cível da Capital. A ação judicial apontava supostos problemas estruturais e falhas recorrentes nos elevadores desde a entrega do empreendimento, em setembro de 2023. Relatos incluíam travamentos, interrupções, falhas em sistemas de segurança e até um incêndio no fosso de um elevador e uma queda abrupta em outro bloco.
Um laudo técnico, ao qual a Rede Paraíba teve acesso, indicava a necessidade urgente de substituição integral dos equipamentos. Em janeiro de 2025, a Justiça chegou a determinar a troca dos elevadores, mas a construtora recorreu da decisão, mantendo o processo em andamento e, infelizmente, os equipamentos em operação até o trágico desabamento. A administração do condomínio, em nota, afirmou que a prioridade imediata foi o atendimento às vítimas e que problemas técnicos eram registrados desde a entrega, levando-os a buscar a Justiça.
Laudo Técnico Revela Deficiências Críticas e Riscos Elevados
A gravidade da situação é corroborada por um documento técnico elaborado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. Este laudo detalhou diversas inconformidades no elevador do Bloco B, justamente o local do acidente, classificando-as como de alta prioridade e risco iminente à segurança dos moradores. Entre as falhas críticas identificadas estavam a ausência de sinalização de segurança, falta de controle de acesso à casa de máquinas, inexistência de extintor de incêndio adequado, falhas no aterramento elétrico, e problemas na iluminação e ventilação de emergência.
O relatório apontou, de forma alarmante, que a máquina de tração do elevador “não atende à capacidade de peso de toda a estrutura e não atende às normas de segurança”, recomendando a substituição completa do equipamento. Tais deficiências, classificadas com prioridade “alta”, indicavam um risco substancial que, lamentavelmente, se concretizou.
Disputa por Responsabilidade e o Futuro da Segurança
A construtora GGP reiterou sua posição de que a responsabilidade pela manutenção dos equipamentos de uso comum, incluindo os sistemas de elevação, é do condomínio a partir da entrega. A empresa afirmou estar à disposição das autoridades para colaborar com as apurações, mas não se manifestou sobre as alegações de falhas estruturais e o processo judicial em curso. Este impasse legal e de responsabilidade ressalta a complexidade de garantir a segurança em edificações e a necessidade de clareza nas obrigações pós-entrega.
A interdição dos elevadores em dois empreendimentos da mesma construtora em João Pessoa acende um alerta sobre a fiscalização e a manutenção de equipamentos essenciais à vida urbana. A tragédia da mulher paraplégica serve como um doloroso lembrete da importância de se priorizar a segurança e de se resolver disputas antes que elas resultem em perdas irreparáveis. O caso certamente impulsionará discussões sobre a legislação e as práticas de engenharia e construção no país.
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