A tradição familiar da Lageiro Seco completa quase 80 anos como a quadrilha junina mais antiga do Brasil.

Em meio às vibrantes celebrações juninas que anualmente transformam a Paraíba em um palco de cultura e tradição, uma história singular se destaca por sua longevidade e paixão. A quadrilha junina Lageiro Seco, fundada em 1947 no bairro do Roger, em João Pessoa, celebra quase oito décadas de existência e se autoafirma como a mais antiga do Brasil ainda em plena atividade. Com um contingente de cerca de 124 participantes, o grupo não apenas preserva a rica herança cultural do São João, mas também carrega o inestimável legado de seu fundador, Luiz Ferreira da Silva.

A trajetória da Lageiro Seco é um testemunho da dedicação à cultura popular e da promoção de pautas de inclusão, especialmente ao dar destaque à atuação feminina em suas apresentações. Em 2026, essa tradição de quase 78 anos alcança um novo patamar de reconhecimento, com a iminente certificação como “Ponto de Cultura” pelo Ministério da Cultura, uma iniciativa que visa apoiar entidades sem fins lucrativos que promovem a arte e a cultura no país.

A Origem e a Consolidação da Lageiro Seco

A história da quadrilha começou muito antes de adotar o nome Lageiro Seco. Ela teve início com Luiz Ferreira da Silva, aos 12 anos de idade, ao lado de seu irmão mais velho, Graciano Ferreira da Silva. Graciano já coordenava uma Lapinha, manifestação cultural ligada às festividades natalinas. A ideia de Luiz e Graciano era estruturar um grupo cultural que transcendesse o período natalino, abrangendo outras épocas do ano, como o São João, conforme relatou Luciano Dantas, atual coordenador da quadrilha.

Luciano Dantas explicou que, no princípio, a Lapinha era composta majoritariamente por mulheres, com Graciano sendo o único homem. A inclusão de Luiz, ainda jovem, marcou o início de uma transformação. Naquela época, a participação conjunta de homens e mulheres em apresentações culturais era vista com certa relutância. A Lageiro Seco, no entanto, quebrou esse paradigma social, promovendo a organização e a participação mista, o que contribuiu para a sua consolidação como um grupo cultural sério e respeitado.

Com o crescimento do número de integrantes e a necessidade de uma identidade mais definida, surgiu a busca por um nome. Luiz Ferreira da Silva foi o responsável por batizar o grupo como Lageiro Seco. Ele se inspirou em um “lajeiro”, uma grande pedra comum no interior do estado, no Sertão paraibano. O nome, sem um significado específico além da referência geográfica, “pegou” e se tornou uma marca registrada da quadrilha, reconhecida em diversas partes do Brasil.

Legado Familiar e Reconhecimento Nacional

O nome Lageiro Seco transcendeu as fronteiras da Paraíba, tornando-se sinônimo de tradição e excelência no cenário junino nacional. Para os membros atuais, manter o nome original é uma forma de honrar o legado do fundador e a identidade construída ao longo de quase oito décadas. A quadrilha já realizou apresentações em diversos estados, consolidando sua reputação e compartilhando sua história com um público amplo.

A afirmação de ser a quadrilha junina mais antiga do Brasil em atividade é corroborada pela Federação das Entidades das Quadrilhas Juninas da Paraíba (Fequajune-PB). Genilson Félix, presidente da Fequajune-PB, ratificou o título, destacando a importância de Luiz Ferreira da Silva e a longevidade ininterrupta das atividades do grupo. “A Lageiro Seco é a quadrilha mais antiga do Brasil em atividade. Foram mais de 70 anos ininterruptos de atividade em prol do movimento junino”, afirmou Félix, ressaltando que a história do fundador é anterior até mesmo à fundação da federação estadual.

Homenagens e Novos Horizontes para a Lageiro Seco

A vida de Luiz Ferreira da Silva esteve intrinsecamente ligada à Lageiro Seco. Mesmo em idade avançada, ele participou ativamente da rotina do grupo, acompanhando-o desde sua fundação em 1947 até seu falecimento em dezembro de 2025. Luciano Dantas recorda que Luiz era uma figura paterna para todos os componentes, presente em ensaios e viagens, sempre oferecendo apoio e incentivo.

Em 2024, a quadrilha prestou uma emocionante homenagem em vida ao seu criador, integrando sua entrada no espetáculo “João”. As apresentações de 2026 também foram marcadas por tributos a Luiz, demonstrando o profundo respeito e carinho que o grupo nutre por seu fundador. Neste mesmo ano, a Lageiro Seco conquistou o vice-campeonato na competição estadual, que reuniu 29 quadrilhas na orla de João Pessoa, um feito que ressalta a qualidade e a dedicação do grupo.

Além de preservar sua rica história, a Lageiro Seco busca novos caminhos. A certificação como “Ponto de Cultura” pelo Ministério da Cultura está próxima de ser oficializada, com expectativa de concretização em julho de 2026. Este reconhecimento permitirá ao grupo fortalecer ainda mais suas atividades e continuar a desempenhar seu papel vital na manutenção de uma das mais tradicionais manifestações da cultura popular paraibana, transmitindo o legado de dois irmãos para as futuras gerações.

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