A defesa de Luigi Mangione, réu no julgamento em Nova York pela morte de Brian Thompson, CEO da UnitedHealthcare, em 2024, anunciou a retirada da estratégia de alegar “perturbação emocional extrema”. A decisão, comunicada em documento nesta quinta-feira (18), representa uma guinada inesperada no processo, especialmente após a equipe jurídica ter sinalizado, em audiência anterior, que seguiria por esse caminho.
A desistência foi informada ao juiz Gregory Carro, que, em resposta, decidiu manter sob sigilo os registros relacionados a essa linha de defesa. Anteriormente, Carro havia indicado a possibilidade de tornar públicos documentos e transcrições sobre a tese, mas afirmou que, sem a alegação, o material permanecerá lacrado.
Mudança Inesperada na Estratégia de Defesa
A tese de “perturbação emocional extrema” é uma defesa afirmativa prevista na legislação de Nova York. Ela permite que o réu admita o ato, mas busque reduzir sua responsabilidade criminal. Caso aceita pelo júri, a acusação de homicídio pode ser rebaixada para homicídio culposo, resultando em uma pena significativamente menor.
O ex-promotor Gary Galperin expressou surpresa com a reviravolta. “Então, o que aconteceu desde ontem?”, questionou Galperin, em declaração à CNN, ressaltando a abrupta alteração na abordagem da defesa.
Pressão Judicial e Próximos Passos
A decisão da defesa de Mangione ocorreu após intensas cobranças do tribunal para que fossem entregues rapidamente dados médicos e o nome de um especialista que pudesse corroborar a alegação. O juiz Carro havia enfatizado a necessidade de a Promotoria compreender “qual é o mal que este réu sofre” e como isso teria desencadeado uma perturbação emocional extrema, afirmando que não permitiria que o Estado fosse surpreendido na véspera do julgamento.
Com a desistência da tese psiquiátrica, a nova estratégia da equipe de defesa permanece incerta. Anteriormente, Mangione havia se declarado inocente das acusações federais de perseguição. A próxima audiência judicial está agendada para agosto e será realizada de forma virtual.
O Contexto do Crime e a Fúria Contra Planos de Saúde
O crime que vitimou Brian Thompson ocorreu em 4 de dezembro de 2024. Luigi Mangione foi preso cinco dias depois, na Pensilvânia. Thompson estava em frente ao hotel Hilton de Midtown, em Nova York, onde participaria de uma conferência de investidores, e foi atingido pouco antes das 7h (9h, no horário de Brasília).
A polícia investiga a possibilidade de o crime ter sido motivado por uma “fúria” de Luigi Mangione contra a indústria de planos de saúde americana. Um manifesto que supostamente teria sido escrito por ele descrevia os responsáveis pelos planos como “parasitas”. As balas utilizadas no crime teriam os termos “negar” e “atrasar”, em uma aparente referência às táticas que, segundo críticos, são usadas pelas companhias para evitar o pagamento de valores aos segurados. Para mais detalhes sobre o caso, você pode consultar a cobertura do UOL.
Apoio Popular e a Indústria Bilionária
Mesmo após sua prisão, Mangione conquistou um número considerável de seguidores, que veem seu caso como uma forma de protesto contra o sistema de planos de saúde dos Estados Unidos. Apoiadores, em sua maioria mulheres, têm comparecido às sessões judiciais, alguns vestindo camisetas com os dizeres “Libertem Luigi” ou exibindo placas de protesto.
A UnitedHealth Group, empresa da qual a UnitedHealthcare é um braço, registrou um faturamento de 100 bilhões de dólares no terceiro trimestre de 2024. A UnitedHealthcare, administrada pela vítima, oferece produtos de saúde como Medicare e Medicaid, destinados a idosos e pessoas de baixa renda, financiados por orçamentos estatais, o que destaca a dimensão e o impacto da indústria de saúde no país.
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